Aécio retoma agressividade e ironia no confronto final

Por Vitor Sorano - iG São Paulo |

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Candidato apostou em denúncias de corrupção e propostas que beneficiam aposentados, professores e mães

Aécio Neves (PSDB) retomou a agressividade e as ironias durante o último debate presidencial antes da eleição, promovido pela TV Globo na noite da sexta-feira (24). A estratégia, que havia dado a tônica no debate do SBT em 16 de outubro e fora abandonado no seguinte, da Record, no dia 19. Mesmo o dedo em riste surgiu novamente.

"Eu era líder do PSDB [no Congresso]. Para quem não conhece o Congresso Nacional pode ser a mesma coisa…", ironizou Aécio, ao final do primeiro bloco, após a presidente Dilma Rousseff (PT) chamá-lo de líder de Fernando Henrique Cardoso (FHC).

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Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) participaram na noite desta sexta-feira (24) de um debate presidencial na Rede Globo. Foto: Reuters/Ricardo MoraesDilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) participaram na noite desta sexta-feira (24) de um debate presidencial na Rede Globo . Foto: ReproduçãoAécio e Dilma posam juntos pouco antes do debate da Globo . Foto: ReutersDilma adotou uma postura menos agressiva do que o adversário tucano . Foto: ReutersOs presidenciáveis também puderam responder as perguntas de eleitores indecisos . Foto: ReproduçãoOs eleitores indecisos que fariam as perguntas foram sorteados na hora pelo apresentador Willian Bonner . Foto: ReproduçãoDilma recebe água durante intervalo do último debate da TV Globo antes do segundo turno. Foto: AP Photo/Silvia IzquierdoAécio Neves aproveitou o intervalo do debate para consultar suas anotações; ele adotou uma postura mais agressiva no encontro . Foto: AP Photo/Silvia IzquierdoDilma  lidera  a corrida presidencial tanto no Ibope quanto no Datafolha . Foto: ReproduçãoAécio começou  a corrida presidencial no segundo turno em primeiro, mas perdeu a liderança para Dilma . Foto: ReproduçãoAécio Neves antes do início do debate presidencial da TV Globo. Foto: Marcos Fernandes/PSDB - 24.10.14

O tucano levou o tema da corrupção - sua arma predileta - para o início do debate, diferentemente do que fez no da Record. Em sua primeira intervenção, questionou Dilma sobre reportagem da revista "Veja" que acusa a presidente de ter conhecimento sobre o desvio de recursos da Petrobras investigado na Operação Lava-Jato.

O preâmbulo da pergunta, entretanto, já havia sido aproveitado pelo tucano para atacar a presidente. Aécio se apresentou como vítima de "calúnias" e "infâmias" da campanha do PT, e citou reportagem darevista "IstoÉ" sobre distribuição de panfletos apócrifos favoráveis a Dilma.

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Aécio baixou o tom após o primeiro bloco, mas manteve a carga no tema da corrupção. Retomou o tema do mensalão e perguntou a Dilma o que ela achava sobre a condenação do ex-presidente do PT José Dirceu. Tentou jogar responsabilidade sobre a presidente com o argumento de que ela era "dona da mesa e da gaveta" do partido. Ao ser questionado sobre como acabar com a corrupção, foi incisivo:

"Tem uma medida para acabar com a corrupção que não depende de nenhuma lei: Vamos tirar o PT do governo."

Acenos a idosos, mães e professores

Ao ser questionado sobre suas propostas para a Previdência, Aécio voltou a prometer  a "revisão" do fator previdenciário - pedágio que pune quem se aposenta cedo, implementado pelo governo FHC e mantida pelos governos do PT - e a concessão de um reajuste adicional, baseado na inflação dos remédios, aos beneficiários do INSS.

Com intenções de voto em queda sobretudo entre as mulheres, Aécio prometeu a tentar manter as creches e pré-escolas abertas até as 20h. Aos professores, comprometeu-se a ajudar Estados e municípios a pagarem o piso salarial da categoria.

"Nós não vamos ter educação de qualidade se os professores não forem bem remunerados."

Marcos Fernandes/PSDB - 24.10.14
Aécio Neves antes do início do debate presidencial da TV Globo


O tucano também reiterou que manterá programas como o Minha Casa, Minha Vida, Pronatec - de ensino técnico -, Prouni - de bolsas para o ensino superior - e Bolsa Família. E acusou o PT de fazer "terrorismo eleitoral" com os programas, sugerindo que o partido estaria por trás de boatos sobre a exclusão de beneficiários que votassem no PSDB.

Ao final, Aécio repetiu o bordão de que é um candidato da "mudança" e não do PSDB - na tentativa de captar insatisfeitos com o governo - e apelou à religiosidade.

"Como disse São Paulo, eu travei o bom combate. Jamais perdi a minha fé."

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