Candidato apostou em denúncias de corrupção e propostas que beneficiam aposentados, professores e mães

Aécio Neves (PSDB) retomou a agressividade e as ironias durante o último debate presidencial antes da eleição, promovido pela TV Globo na noite da sexta-feira (24). A estratégia, que havia dado a tônica no debate do SBT em 16 de outubro e fora abandonado no seguinte, da Record, no dia 19. Mesmo o dedo em riste surgiu novamente.

"Eu era líder do PSDB [ no Congresso ]. Para quem não conhece o Congresso Nacional pode ser a mesma coisa…", ironizou Aécio, ao final do primeiro bloco, após a presidente Dilma Rousseff (PT) chamá-lo de líder de Fernando Henrique Cardoso (FHC).

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O tucano levou o tema da corrupção - sua arma predileta - para o início do debate, diferentemente do que fez no da Record. Em sua primeira intervenção, questionou Dilma sobre reportagem da revista "Veja" que acusa a presidente de ter conhecimento sobre o desvio de recursos da Petrobras investigado na Operação Lava-Jato.

O preâmbulo da pergunta, entretanto, já havia sido aproveitado pelo tucano para atacar a presidente. Aécio se apresentou como vítima de "calúnias" e "infâmias" da campanha do PT, e citou reportagem darevista "IstoÉ" sobre distribuição de panfletos apócrifos favoráveis a Dilma.

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Aécio baixou o tom após o primeiro bloco, mas manteve a carga no tema da corrupção. Retomou o tema do mensalão e perguntou a Dilma o que ela achava sobre a condenação do ex-presidente do PT José Dirceu. Tentou jogar responsabilidade sobre a presidente com o argumento de que ela era "dona da mesa e da gaveta" do partido. Ao ser questionado sobre como acabar com a corrupção, foi incisivo:

"Tem uma medida para acabar com a corrupção que não depende de nenhuma lei: Vamos tirar o PT do governo."

Acenos a idosos, mães e professores

Ao ser questionado sobre suas propostas para a Previdência, Aécio voltou a prometer  a "revisão" do fator previdenciário - pedágio que pune quem se aposenta cedo, implementado pelo governo FHC e mantida pelos governos do PT - e a concessão de um reajuste adicional, baseado na inflação dos remédios, aos beneficiários do INSS.

Com intenções de voto em queda sobretudo entre as mulheres, Aécio prometeu a tentar manter as creches e pré-escolas abertas até as 20h. Aos professores, comprometeu-se a ajudar Estados e municípios a pagarem o piso salarial da categoria.

"Nós não vamos ter educação de qualidade se os professores não forem bem remunerados."

Aécio Neves antes do início do debate presidencial da TV Globo
Marcos Fernandes/PSDB - 24.10.14
Aécio Neves antes do início do debate presidencial da TV Globo


O tucano também reiterou que manterá programas como o Minha Casa, Minha Vida, Pronatec - de ensino técnico -, Prouni - de bolsas para o ensino superior - e Bolsa Família. E acusou o PT de fazer "terrorismo eleitoral" com os programas, sugerindo que o partido estaria por trás de boatos sobre a exclusão de beneficiários que votassem no PSDB.

Ao final, Aécio repetiu o bordão de que é um candidato da "mudança" e não do PSDB - na tentativa de captar insatisfeitos com o governo - e apelou à religiosidade.

"Como disse São Paulo, eu travei o bom combate. Jamais perdi a minha fé."

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