'Socialite' petista e diarista 'aecista' expõem contrastes de eleição acirrada

Por BBC |

compartilhe

Tamanho do texto

Dilma Rousseff e Aécio Neves disputam voto a voto o segundo turno das eleições para Presidente. Votação será no domingo

BBC

Cerca de 20 quilômetros separam as casas da colunista Hildegard Angel e da diarista Solange Alves Leite no Rio de Janeiro. A primeira mora em Copacabana, de frente para o mar, e a segunda no Morro do Banco, no Itanhangá, Barra da Tijuca. Mas não são apenas as realidades muito distintas que separam as duas mulheres. Hildegard vota em Dilma Rousseff (PT), e Solange, em Aécio Neves (PSDB).

De longe, as intenções de voto reveladas à BBC Brasil mostram faces surpreendentes do eleitorado, com um inesperado voto de uma integrante da alta sociedade brasileira à candidata petista e uma opção pelo tucano de uma trabalhadora nordestina que chegou a passar fome na infância.

Pesquisas: Dilma chega a 53% contra 47% de Aécio, mostra Datafolha

Dilma abre 8 pontos de vantagem e vai a 54% contra 46% de Aécio, aponta Ibope

As escolhas das duas também parecem ir na contramão das pesquisas eleitorais. Segundo um levantamento Datafolha divulgado na última quinta-feira, Dilma lidera com folga (64% contra 36% de Aécio) as intenções de voto entre os eleitores com renda familiar de até 2 salários mínimos, enquanto os dois candidatos estão numericamente empatados entre os votantes com renda de 2 a 5 salários. O tucano, no entanto, tem uma liderança confortável (61% a 39%) entre aqueles que ganham mais de 10 salários mínimos.

Uma análise mais próxima, no entanto, revela a cadeia de eventos que pode ajudar a explicar os votos de Hildegard e Solange.

Questões

Divulgação
Hildegard Angel é colunista social, mora em Copacabana e vota em Dilma Rousseff

Hildegard tem questões familiares e históricas muito fortes que a levam a optar pelo voto na candidata do PT, que na juventude foi perseguida pela ditadura: seu irmão Stuart Angel participou da luta armada contra o regime militar e faz parte da lista de desaparecidos políticos, enquanto sua mãe, Zuzu Angel, notabilizou-se por suas denúncias dos crimes da ditadura até sua morte, em 1976, em um acidente de carro sobre o qual há suspeitas do envolvimento de militares.

Tais origens fazem com que, embora pertença às altas rodas cariocas, Hildegard faça questão de defender publicamente seu voto no PT, que, segundo ela, possui "política econômica que prioriza o povo brasileiro, a multiplicação de empregos, e o desenvolvimento nacional".

Solange por outro lado, não nega avanços obtidos nos últimos anos, mas quer mais.

E mais: Dilma lidera no RJ e tem empate técnico com Aécio no RS, mostra Datafolha

Ela diz que passou fome quando criança e que certamente as coisas melhoraram como um todo, mas afirma que sua vida ainda é muito difícil, seu poder de compra está estagnado, e sua busca por uma vida melhor a leva à opção pelo diferente.

"Realmente melhorou, mas eu preciso exigir mais. Moro num lugar violento, quero educação melhor, saúde melhor, menos inflação. Se ele (Aécio) cumprir as promessas, pode ser um bom presidente, sim".

De Eduardo Campos a Aécio Neves

BBC
Solange Alves Leite é diarista, mora no Morro do Banco, no Itanhangá, Barra da Tijuca, e vota em Aécio

Nascida em Carnaubal, cidade com pouco mais de 17 mil habitantes no interior do Ceará, Solange vive no Rio há 15 anos. Para ela, que votou em Lula em 2002 e 2006, mas não optou por Dilma em 2010, a decisão já foi tomada: seu voto vai para o PSDB.

Ao analisar seu cotidiano na segunda maior cidade do Brasil, Solange diz que ainda vê problemas no transporte público, na educação e na saúde, e demonstra irritação com casos de corrupção.

Além disso, ela diz que a maior insatisfação é com a inflação, com o poder de compra de seu salário, já que "tudo aumenta, cada vez mais".

"Você vê. Fizeram todos aqueles protestos, mas o ônibus, o trem, o metrô, todos aumentaram. É complicado. Minha filha precisou de médico, eu esperei três meses por uma consulta com especialista. Mandam do hospital para o posto, de um lugar para o outro, com um papel na mão. Na escola pública onde ela estuda, tem criança de nove anos que ainda não sabe ler direito. E mesmo assim continuam roubando, bilhões e bilhões", diz.

Solange diz que seu voto inicial era em Eduardo Campos, candidato do PSB morto num acidente aéreo em agosto, e que ele simbolizava algo diferente.

"Eu estava decidida em votar nele, acho que ele tinha chances". Com a morte do pernambucano, ela mudou seu voto no primeiro turno para Aécio Neves, e não para Marina Silva.

"Marina entende das questões do ambiente, tudo bem. Mas ela não tem o que precisa para ser presidente. Precisava se preparar mais, ter mais pulso firme, eu não confiei não".

Sobre o ex-governador de Minas Gerais, diz ter esperanças. "Pelo que eu vi ele melhorou a saúde e a educação em Minas. Se ele fizer isso pelo Brasil também, pode ser um bom presidente. Ele me convenceu, tem boas propostas, e é muito mais carismático, mais simpático do que a Dilma".

Fome, Nordeste e estagnação

Questionada sobre o Nordeste e as origens simples da família no Ceará, Solange não muda muito de opinião. Ela diz que os parentes de Carnaubal também estão descontentes, e que os que melhoraram mesmo de vida são aqueles que vieram para o Rio ou trabalham em Fortaleza, porque "estão correndo atrás".

"Se meus parentes vão votar na Dilma? Os que ganham Bolsa Família sim, com certeza. Quanto aos outros, eu tenho minhas dúvidas. Falo com minhas amigas pelo WhatsApp e pelo Facebook, elas têm que ralar muito, indo e voltando de Fortaleza para se manter. A vida ainda é muito dura por lá", diz.

A diarista relembra que muitas vezes a mãe tinha que dividir um ovo para três crianças. "Claro que era difícil. Lembro da minha mãe chorando. Hoje em dia tento dar de tudo para minha filha, Yasmin, mas não é fácil, ganhando pouco mais de R$ 1.000 por mês e pagando R$ 500 de aluguel. Isso porque a gente mora em comunidade, com tiroteio, com problemas. Queria poder morar num lugar mais tranquilo, mas não tem como", explica.

O relato de Solange mostra a divisão da chamada "classe intermediária", apontada pelo Datafolha como o grupo social com grande polarização de votos e um expressivo número de indecisos.

Entre os familiares que moram no Rio, ela diz que há consenso em torno do voto em Aécio, mas nem todos os vizinhos e conhecidos pensam assim.

"Quando tem debate, nos juntamos aqui em casa. Eu, meu marido, minhas duas irmãs e meu cunhado. Parece jogo do Brasil. E aí a gente discute o que foi dito. A conclusão é sempre de que a Dilma até fez coisas boas, mas vamos todos votar no Aécio mesmo", diz Solange.

Mas se a família quer mudança, alguns vizinhos manifestam temor com um governo PSDB.

"No ponto de ônibus às vezes a gente acaba falando de política. Tem muitos que dizem ter medo que o Aécio não faça muito pelos pobres. Que ele seja mais do lado dos ricos. Eu acho que é um risco, sim, sei disso. Mas às vezes a gente tem que apostar, né?"

Veja fotos de Dilma e Aécio em campanha no segundo turno

Ao lado da filha Gabriela, Aécio Neves (PSDB) concede entrevista coletiva no Rio de Janeiro (23/10). Foto: Divulgação/PSDBDilma Rousseff sorri durante entrevista coletiva no Rio de Janeiro (23/10). Foto: Ichiro Guerra/Dilma 13Aécio se enrola em bandeira do Brasil em comício na praça da Estação, em Belo Horizonte, Minas Gerais (22/10). Foto: Bruno Magalhães/Coligação Muda BrasilDupla Cesar Menotti e Fabiano sobe no palanque ao lado de Aécio Neves em ato na praça da Estação, em Belo Horizonte, Minas Gerais (22/10). Foto: Bruno Magalhães/Coligação Muda BrasilCom uma faixa com os dizeres 'Diga não a violência contra a mulher', Dilma participa de caminhada em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro (22/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Ao lado de Fernando Pimentel, governador eleito em Minas, e políticos do PT, Dilma faz campanha em Uberaba (22/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Aécio Neves faz campanha em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, e reúne eleitores nesta terça-feira (21/10). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilLula também acompanha Dilma Rousseff em carreata no Recife (21/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Ao lado de Lula, Dilma visita fábrica em Goiana, em Pernambuco (21/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma Rousseff manda coraçãozinho para eleitores em comício em Petrolina, em Pernambuco (21/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma Rousseff recebe apoio de artistas e jovens em ato político em São Paulo (20/10). Foto: Divulgação/PTDilma Rousseff recebe apoio do ator Henri Castelli em ato político em São Paulo (20/10). Foto: Divulgação/PTAo lado da cantora Fafá de Belém e do ex-jogador Ronaldo, Aécio faz ato de campanha em Belém do Pará (20/10). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilAécio visita o Santuário Nossa Senhora da Piedade, em Caeté (MG) (20/10). Foto: Igo Estrela/Coligação Muda BrasilCandidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves a postos para o debate da Rede Record na noite deste domingo (19/10). Foto: Nacho Doce/ ReutersReação de Aécio Neves durante terceiro debate entre os candidatos à Presidência no segundo turno das eleições (19/10). Foto: Andre Penner/APReação de Dilma Rousseff durante o terceiro debate do segundo turno das eleições presidenciais (19/10). Foto: Andre Penner/APAécio Neves faz caminhada e carreata por Copacabana, no Rio de Janeiro, neste domingo (19/10). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilAo lado da mulher Letícia, Aécio neves faz carreata em Copacabana, no Rio de Janeiro, e distribui autógrafos (19/10). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilEleitores tentam se aproximar de Dilma em ato de campanha em Curitiba, no Paraná (17/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma cumprimenta eleitores em agenda de campanha em Florianópolis (17/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Em agenda de campanha em Florianópolis, Dilma Rousseff (PT) voltou a atacar o adversário Aécio e seu partido, o PSDB (17/10). Foto: ReutersAécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) participam do segundo debate presidencial do segundo turno, realizado pelo SBT na noite desta quinta-feira (16/10). Foto: ReproduçãoAécio neves durante intervalo do debate no SBT, o segundo do segundo turno das eleições (16/10). Foto: AP Photo/Andre PennerAssessores e profissionais arrumam Dilma durante intervalo de debate no SBT (16/10). Foto: AP Photo/Andre PennerAécio atende jornalistas em São Paulo (16/10). Foto: Vitor Sorano/iGAécio faz ato político em São Paulo e assina Termo de Compromisso do Projeto Presidente Amigo da Criança (15/10). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilDilma participa de ato de apoio aos professores em São Paulo (15/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma e Aécio durante o primeiro debate do segundo turno das eleições, na Band (14/10) . Foto: ReutersDilma dá entrevista coletiva em São Paulo antes do primeiro debate na TV no segundo turno das eleições (14/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Aécio Neves também atende à imprensa antes de debate em São Paulo (14/10). Foto: Marcos Fernandes/ Coligação Muda BrasilAécio Neves durante ato político em Curitiba, no Paraná (13/10). Foto: Igo Estrela/PSDB - 13.10.2014Dilma faz ato de apoio a sua candidatura em Brasília (13/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Também em Brasília, Dilma Rousseff recebe Roberto Amaral, líder do PSB (13/10). Foto: Ichiro Guerra/Dilma 13No dia das crianças, Dilma visita Centro Educacional Unificado (CEU) Jambeiro, em Guaianases, São Paulo, e assiste à apresentação de ginástica (12/11). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Fernando Pimentel, governador eleito em Minas, faz carreata com Dilma Rousseff em Contagem e ataca de fotógrafo (11/10). Foto: Ichiro Guerra/PTEleitores se apertam para chegar perto de 
Dilma Rousseff depois de caminhada e carreata na cidade mineira de Contagem (11/10). Foto: Ichiro Guerra/PTMarcelo Crivella, que concorre ao segundo turno do governo do Rio de Janeiro contra Pezão, faz campanha por Dilma em São João de Meriti (10/10). Foto: Edvaldo Reis/Crivella 10Dilma participa de ato de mobilização com prefeitos e representantes dos movimentos sociais em Alagoas (9/10). Foto: Ichiro Guerra/PTDilma em campanha na zona sul de SP. Foto: Fotos PúblicasAécio faz carreata ao lado de políticos em Sirinhaém, em Pernambuco (11/10). Foto: Igo Estrela/Coligação Muda BrasilAécio assiste à missa na Basílica de Nossa Senhora Aparecida com a esposa Letícia, Geraldo Alckmin e a esposa do governador, Lu Alckmin (12/10). Foto: Marcos Fernandes/Colig. Muda BrasilAo lado da filha Gabriela, Aécio visita Renata Campos e a família de Eduardo Campos no Recife (11/10). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilFilho de Eduardo Campos discursa ao lado de Aécio Neves no Recife. PSB e família Campos apoiam tucano no segundo turno das eleições (11/10). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilAécio recebeu apoio formal do PSB de Pernambuco e de família de Eduardo Campos. Foto: DivugaçãoMais de 10 mil pessoas lotaram a Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, para manifestação em apoio à candidatura de Aécio Neves (11/10). Foto: Bruno Magalhães/Coligação Muda BrasilAécio Neves se reúne com Armínio Fraga no Rio de Janeiro. Se eleito, tucano já disse que ex-presidente do Banco Central será ministro da Fazenda (10/10). Foto: Marcos Fernandes/Colig. Muda BrasilAécio Neves durante a primeira inserção de TV do segundo turno (9/10). Foto: ReproduçãoAécio Neves participa de entrevista coletiva depois de dia de compromissos no Rio de Janeiro (9/10). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilDilma Rousseff abriu o horário eleitoral na televisão no segundo turno das eleições (9/10). Foto: ReproduçãoDilma Rousseff (PT) participa de encontro com apoiadores no Museu du Ritmo em Salvador nesta quinta-feira (9/10). Foto: Divulgação/PTDilma Rousseff (PT) posa junto com eleitora em evento de campanha em Teresina, no Piauí (8/10) . Foto: Dilvulgação/PTCorreligionários do PT participaram de evento com Dilma Rousseff no Piauí (8/10). Foto: Divulgação/PTPresidente Dilma cumprimenta eleitores em ato político com lideranças e prefeitos em Teresina (PI) (8/10). Foto: Divulgação/PTAécio Neves(PSDB) recebe apoio dos dirigente do PSB, partido de Marina Silva (8/10). Foto: Divulgação/PSDBAécio Neves (PSDB) relança sua campanha à Presidência da República no Memorial JK em Brasília (08/10). Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaPastor Everaldo declara apoio ao tucano no segundo turno (8/10). Foto: PSDB/ DIVULGACAO - 8.10.14A presidente Dilma Rousseff se reuniu nesta terça-feira com senadores e governadores eleitos da base aliada (7/10) . Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaDilma Rousseff (PT) em reunião de mobilização  para a campanha de segundo turno  (7/10). Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaDilma Rousseff (PT) participa de reunião de mobilização em Brasília, nesta terça-feira (7/10). Foto: Divulgação/PTAécio Neves participa de encontro com trabalhadores da construção civil na manhã desta terça-feira, em São Paulo (7/10). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilGeraldo Alckmin, governador reeleito no primeiro turno em São Paulo, participa de dia de campanha de Aécio Neves na capital paulista (7/10). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilAécio Neves faz campanha para o segundo turno e visita obras na Chácara Santo Antônio, em São Paulo, ao lado de José Serra, eleito senador, e José Aníbal (7/10). Foto: Vitor Sorano/iGAécio Neves (PSDB) cumprimenta Geraldo Alckmin, governador reeleito de São Paulo, em coletiva de imprensa na capital paulista (6/10) . Foto: Divulgação/PSDBUm dia depois das eleições, Dilma Rousseff, que disputa o segundo turno com Aécio Neves, recebe jornalistas em Brasília (6/10). Foto: Cadu Gomes/ Dilma 13Dilma chega para coletiva de imprensa depois do resultado do primeiro turno das eleições ao lado de Michel Temmer, vice em sua chapa para a Presidência (5/10). Foto: Agência BrasilPresidente e candidata Dilma Rousseff fala com a imprensa após apuração de votos que a levou para o segundo turno com Aécio Neves. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaAécio Neves (PSDB) comemora chegada ao segundo turno das eleições presidenciais em Belo Horizonte neste domingo (05). Foto: Divulgação/PSDBAo lado da esposa Letícia e de partidários, Aécio Neves participa de coletiva depois de chegar ao segundo turno das eleições presidenciais (5/10). Foto: Agência BrasilAécio Neves, candidato à Presidência pelo PSDB, em votação em Belo Horizonte (5/10). Foto: Agência BrasilDilma volta para Brasília depois de votar em Porto Alegre (5/10). Foto: Paulo Whitaker/ReutersDilma Rousseff, presidente e candidata à reeleição pelo PT, vota na manhã deste domingo em Porto Alegre. Ela foi a primeira presidenciável a votar (5/10). Foto: Felipe Dana/AP


Ditadura e elite

A esperança de Solange é partilhada por Hildegard Angel. Mas para a socialite e colunista, o melhor caminho para o Brasil é continuar com Dilma Rousseff.

"Sou Dilma porque tenho olhos para ver o rosto deste novo Brasil, a partir de uma trajetória reformadora iniciada com Lula há 12 anos, que a presidenta prossegue com ímpeto, fôlego, vontade e determinação. Hoje temos um país múltiplo, em que diferentes ocupam o mesmo lugar ao sol, merecem o mesmo respeito da sociedade, sobem no mesmo elevador, frequentam o mesmo aeroporto, têm os mesmos telefones celulares, os mesmos televisores e laptops", escreveu Hildegard em um manifesto publicado na internet.

Em entrevista à BBC Brasil, ela ratificou seu voto e acrescentou que, dada a sua história de vida, jamais poderia votar num candidato que considera o golpe militar de 1964 uma "revolução", em referência a uma declaração dado pelo tucano em abril deste ano.

"Eu sofri na carne, perdi minha mãe e meu irmão, tenho cicatrizes profundas. Isso é algo que jamais poderia fazer parte de mim, estar no lado da linha dura", diz.

Hildegard diz que até nutre uma "estima pessoal pela família do outro candidato", mas que suas convicções são mais fortes.

Questionada sobre o contraste de seu posicionamento político com o da maioria da elite brasileira, a colunista diz que é preciso olhar com mais atenção, mas que é verdade que nem todos têm a mesma abertura.

"A elite é múltipla, não é um bloco. Eu não posso generalizar. Sim, existem mais pessoas que pensam como eu, mas não declaram isso abertamente. Como houve um acirramento muito grande no país, as pessoas se intimidam. É o meu temperamento, ser franca, determinada, mas nem todas as pessoas têm essa atitude", indica.

Sobre suas expectativas para um novo governo, diz esperar pela manutenção do foco em programas sociais.

"Espero que a Dilma mantenha as políticas sociais dela, que esse ritmo seja mantido, que o Brasil desate seus espíritos em função do país, que se dê ao país a oportunidade de prosperar, de prosseguir sua trajetória, e que todos contribuam - os meios de comunicação, a classe produtiva, o setor financeiro. Que todos torçam a favor, e não contra", afirma.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas