Ex-militantes do PT, frustados com mudanças de rumo, voltam agora para apoiar Dilma contra o que chamam de “retrocesso”

Brasil Econômico

A presidenta Dilma Rousseff (PT) tem contado com um reforço no segundo turno que surpreendeu até os mais saudosistas e otimistas dirigentes petistas: uma militância voluntária mobilizada para tentar garantir sua reeleição. O apoio vem depois de um momento de burocratização excessiva e desilusões com o partido. Alguns dos apoiadores de agora são os mesmos que se afastaram recentemente, frustrados com as denúncias de corrupção que tornaram, na visão deles, o PT parecido com os demais. Agora, no entanto, o discurso de apoiadores de esquerda é de evitar o que chamam de “retrocesso”, representado pela volta do PSDB ao poder, com uma eventual vitória de Aécio Neves. Jovens, artistas, universitários e professores estão entre os grupos que se reaproximaram dos petistas.

Veja imagens da campanha de Dilma Rousseff à Presidência: 

Muitos deles, inclusive intelectuais com um discurso de oposição aos governos petistas – como o sociólogo Francisco de Oliveira, um dos ícones do pensamento de esquerda - passaram a tratar o partido como uma opção “menos pior” e, por isso, participaram da mobilização. Além de destacar os chamados “avanços sociais” dos últimos 12 anos, eles reforçam discursos “progressistas”, como os direitos das minorias, notadamente dos movimentos feminista e LGBT.

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No caso de São Paulo, a violência da polícia, em um estado comandado há 20 anos pelo PSDB, e a crise hídrica são fatores que favorecem a formação de uma frente contra os tucanos. Na avaliação petista, a intensificação dos movimentos favoráveis a Dilma, mesmo com restrições ao PT, foi facilitada pela própria radicalização da ideia de um País dividido entre dois projetos. Nisso, militantes que apoiam Aécio com um discurso de ódio contra pobres e nordestinos e favorável ao retorno da ditadura militar, por exemplo, acabaram indiretamente ajudando a campanha petista.

Aécio terá de mudar o disco

A expectativa dentro do PSDB é por um Aécio que insista, na próxima sexta-feira (24), na Rede Globo, em fazer um debate baseado em propostas, sem ironias nem ataques à adversária. Os dados do partido demonstram que há uma cobrança do telespectador por debates mais propositivos. Para piorar, apesar de o tucano acusar muitas vezes Dilma Rousseff de “baixar o nível” da campanha, é ele quem ficou com fama de agressivo para um número maior de eleitores, segundo pesquisas. Por isso, o presidenciável tucano terá de controlar gestos e palavras e só partirá para o ataque quando achar inevitável. Ainda assim com termos muito bem medidos, para que não se voltem contra ele.

Riscos na imagem

Nas redes sociais, militantes do PT têm acusado o candidato tucano de ser mais “contundente” nos embates contra mulheres. E destacam, além da própria presidenta Dilma, discussões acaloradas com Marina Silva (PSB) e Luciana Genro (Psol) nos debates no primeiro turno. Citam ainda outras declarações para atribuir a ele um suposto machismo.

O golpe e a redemocratização em livro

Resultado de quatro anos de pesquisa e mais de 70 entrevistas com personalidades marcantes do período da redemocratização no Brasil, a obra “Brado Retumbante” - com os volumes, “Na lei ou na Marra - 1964-1968” e “Farol Alto sobre as Diretas - 1969-1984” (editados pela Benvirá) - do jornalista Paulo Markun, será lançado hoje, às 19 horas, na Livraria Saraiva do Shopping Higienópolis (São Paulo).

Pelas diretas e sem horta comunitária

No volume “Farol Alto sobre as Direitas”, Markun resgata episódios como um encontro do então governador de São Paulo Franco Montoro (morto em 1999) com intelectuais e jornalistas, em 1983, no apartamento do advogado Miguel Lins, no Rio. Montoro chegou atrasado e os convidados tomavam uísque havia horas. O governador começou a falar sobre horta comunitária e foi interrompido pelo escritor Otto Lara Resende: “Governador, farol alto. Ninguém quer saber disso. Vamos falar de eleição direta”. Montoro, então, se animou, voltou a São Paulo e decidiu envolver o seu governo na campanha pelas diretas.

“Na hora que o cara gritou, o que veio na minha cabeça foi isso mesmo: as histórias contadas pelo meu pai e pela minha mãe do que se sofria na Alemanha nazista” -  Jaques Wagner (PT), governador da Bahia, de origem judaica, depois de ser hostilizado em um restaurante de classe média em São Paulo

*Com Leonardo Fuhrmann

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