Queridinho dos jovens, partido criado por dissidentes do PT terá como desafio Congresso mais conservador desde 1964

Luciana Genro conversa com jornalistas durante caminhada em Caixas do Sul (10/9)
PSOL
Luciana Genro conversa com jornalistas durante caminhada em Caixas do Sul (10/9)

Com pouco menos de 10 anos de existência, três eleições presidenciais disputadas e cinco deputados federais eleitos em 2014, o PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) diz ocupar hoje o lugar de oposição deixado vago pela PT, que foi para o governo, e se coloca como uma alternativa à esquerda para quem se desiludiu com o PT após a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva .

Com 1,6 milhão de votos, a candidata à Presidência pela sigla, Luciana Genro, dobrou o número do candidato psolista de 2010, Plínio de Arruda Sampaio, que teve 816 mil votos. Ela chegou ao quarto lugar na preferência do eleitor e, entre os candidatos considerados nanicos, foi a única a superar a marca de um milhão de votos.

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O ano de 2014 também foi frutífero para aumentar a participação de membros do partido no Congresso Federal. Os deputados Jean Wyllys (144.770 votos) e Chico Alencar (195.964), do Rio de Janeiro, e Ivan Valente (168.928), de São Paulo, foram reeleitos e ganharão a companhia de Edimilson Rodrigues, que obteve 170.604 votos no Pará, e Cabo Daciolo, também do Rio, que recebeu 49.831 votos.

Com a bancada maior, o PSOL, diz Ivan Valente, que também é presidente nacional da sigla, terá “mais qualidade”. "O PSOL hoje tem muito mais força, temos um salto de qualidade. Com a bancada maior podemos ter uma estrutura de liderança real, que vai dar condições de sustentação política. Com cinco, poderemos fazer destaque em qualquer projeto que for apresentado e falar em todas as sessões da Câmara”. Segundo ele, por esse aumento, o partido terá maior participação do fundo partidário e maior tempo de TV.

Ele diz que as eleições deste ano foram muito mais importantes neste sentido que as de 2006, quando a ex-senadora Heloísa Helena disputou a presidência e recebeu 6,57 milhões de votos, ficando em terceiro lugar, com 6,85% dos votos válidos. Naquele ano, o partido conseguiu eleger três deputados. Heloísa tinha fundado o partido em 2005, quando ela e os então deputados federais Luciana Genro e João Fontes foram expulsos do PT por votarem contra a aprovação da Reforma da Previdência, no início do governo Lula. 


Fator manifestação

Para a ex-candidata Luciana Genro, as manifestações de junho do ano passado foram fundamentais para o crescimento do PSOL e a identificação do partido com a juventude.

Jean Wyllys foi o sétimo deputado mais votado do Brasil
Zeca Ribeiro_
Jean Wyllys foi o sétimo deputado mais votado do Brasil

“Credito minha votação a uma situação política que demanda uma alternativa à esquerda do PT. As jornadas de junho criaram uma massa crítica que busca uma nova política de verdade”, disse ela ao iG .

Wyllys, que entrou para o PSOL em 2009 e foi eleito pela primeira vez um ano depois, com 13.018 votos, diz que o fato de ser ter participado do reality show Big Brother Brasil colaborou com a própria votação e com os números neste ano.

“Quando entrei [no PSOL, em 2009] já era um cara conhecido. Consegui atrair para o partido um segmento da população que não tinha muito interesse em política, mas como me conhecia da televisão começou a me acompanhar”, diz o deputado.

Para Valente, o lugar de oposição esquerda deixada pelo PT quando entrou no governo é o principal motivo do crescimento do PSOL.

Assembleias Estaduais

Nas assembleias legislativas estaduais, o PSOL também aumentou a participação, principalmente no Estado do Rio de Janeiro, onde conseguiu eleger cinco deputados – dois deles foram reeleitos. A deputada Janira Rocha, envolvida em polêmicas, como retenção de parte dos salários de funcionários de seu gabinete, não se reelegeu. 

Marcelo Freixo foi o deputado estadual mais votado do Brasil
ALERJ
Marcelo Freixo foi o deputado estadual mais votado do Brasil

Em outros Estados, a sigla também elegeu um representante no Ceará, um no Pernambuco e um no Rio Grande do Sul, além de dois em São Paulo e dois no Amapá.

No Rio de Janeiro, Marcelo Freixo conseguiu 350.408 votos e foi o deputado estadual mais votado do Brasil. O deputado Paulo Ramos, que teve 18.732 votos, também foi reeleito. Os dois ganharão a companhia Eliomar Coelho (14.144 votos), Flavio Serafini (16.117), e Dr. Junianelli (11.805).

“O partido teve um crescimento no Rio muito significativo. Saímos de dois deputados para cinco. É um crescimento espantoso. O Rio tem uma especificidade. A esquerda não tem uma disputa com o PT, que tem uma adesão aos governos. O Rio tem um voto conservador, que elegeu o Bolsonaro [deputado federal do PP, eleito pelo com 464.572 votos], mas também tem um voto crítico, que veio para o PSOL”, diz Freixo, que também citou o trabalho intenso da militância local para explicar o crescimento. 

Além disso, ele cita a boa atuação dos deputados federais como vitrine para que novos congressistas da sigla sejam eleitos. De acordo com o site Atlas Político, que avalia a atividade dos congressistas, o deputado Chico Alencar é o primeiro do ranking, com 4.69 pontos. A nota é dividida em cinco critérios, que valem 1 cada. A nota total para cada avaliado é cinco. Ivan Valente é o oitavo colocado e Jean Wyllys aparece na 258º colocação entre todos os 513 deputados do País.

Além de eleger cinco deputados estaduais e três federais, os cariocas deram 712.734 votos ao candidato do PSOL ao governo do Estado, Tarcísio Mota, que ficou em 4º lugar na disputa, com 8,92% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Nas eleições majoritárias, o PSOL teve votação expressiva também com o candidato ao governo do Rio Grande do Norte, onde Robério Paulino teve 8,74% dos votos válidos (129.616) e ficou em terceiro lugar na disputa. O partido tem ainda chances de eleger um vice-governador Amapá, onde Rinaldo Martins compõe chapa com Camilo Capiberibe (PSB), que tenta a reeleição.

Veja o crescimento do PSOL após as eleições: 


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