Há temor no partido de que ausência às urnas prejudique a petista, principalmente onde ela leva vantagem

Brasil Econômico

Petistas e tucanos estão preocupados com a abstenção na eleição no próximo domingo (26). Se vier a ocorrer em São Paulo, entre eleitores de classe média que decidirem viajar, será bom para Dilma, já que os votantes nesse segmento tendem a apoiar o tucano Aécio Neves. A preocupação petista, no entanto, é com áreas do Norte e Nordeste do País, onde eleitores têm dificuldades para chegar aos locais de votação. “Quem incentiva eleitores a votar são os candidatos a deputado. Por isso, acredito que eles (os petistas) vão ter dificuldades no Nordeste agora no segundo turno. Aqui, estamos fazendo um trabalho para evitar a abstenção”, diz o deputado Edson Aparecido (PSDB-SP), ex-coordenador da campanha de Geraldo Alckmin ao governo.

Em São Paulo, o feriado do Dia do Servidor Público, a ser comemorado na segunda-feira, foi transferido para a semana seguinte. Segundo a pesquisa do Datafolha, Dilma melhorou seus índices na região Sudeste, onde perdia por larga diferença para Aécio. A presidenta não deve ganhar em São Paulo, mas ao menos precisava diminuir a diferença. Por isso, a estratégia do PT para ela melhorar o desempenho na região - em especial São Paulo -, priorizava tirar votos do tucano, principalmente, entre eleitores jovens de áreas de periferia, da chamada classe C.

Datafolha: Vantagem de Aécio para Dilma cai no Sudeste; petista sobe no Nordeste

Os petistas tinham consciência de que muitos desses votos não iriam necessariamente para Dilma, o que acabaria estimulando os votos brancos e nulos e também a abstenção. Agora, a ausência nas urnas no Sudeste deve ser benéfica para o PT. No Norte e Nordeste, é o maior temor.

Veja imagens da campanha presidencial: 

Aécio caiu entre os jovens

A estratégia do PT de tirar votos de Aécio entre os mais jovens deu resultado. No total de votantes, entre a primeira pesquisa do Datafolha no segundo turno e a de ontem, ele perdeu seis pontos na faixa de eleitores de 16 a 24 anos. Tinha 52% e caiu para 46%. Entre jovens de 25 a 34 anos, diminuiu quatro pontos: de 45% para 41%. A presidenta Dilma não cresceu nesse segmento. Manteve o mesmo percentual da primeira pesquisa: 47%. Dilma também melhorou a avaliação ao seu governo: subiram de 39% para 42% os índices de ótimo e bom. Regular foi de 35% para 37% e ruim e péssimo, caíram de 26% para 20%.

Duas pesquisas

Enquanto os petistas comemoravam ontem a pesquisa Datafolha, que colocava a presidenta Dilma pela primeira vez no segundo turno a frente de Aécio Neves, os tucanos não deixavam por menos. Divulgavam a pesquisa do Instituto Veritá, na qual o presidenciável do PSDB seguia na primeira colocação, em Minas e no Brasil.

Alguns ex que nunca foram

Apresentado pela campanha do PSDB como um manifesto de ex-petistas, o texto “Esquerda Democrática com Aécio Neves” tem causado polêmicas. Entre outras, porque muitos dos signatários nunca foram simpatizantes do partido da presidenta Dilma, como o ex-presidente do IBGE Sérgio Besserman. Entre eles, estão tucanos históricos conhecidos por ter uma posição mais à esquerda. Alguns vieram do antigo Partidão, como o cineasta Zelito Vianna.Também assinam acadêmicos ligados a partidos que já deram apoio a Aécio, além de, é claro, alguns “ex-simpatizantes” do PT, como José Alvaro Moisés e Luiz Eduardo Soares.

‘Esquerdista democrático’, diz que não assinou

O historiador Marco Mondaini, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), divulgou uma carta contra a inclusão de seu nome do documento pró-Aécio Neves. Disse que só soube do manifesto por meio de alunos e amigos que lhe questionavam o voto e afirmou não autorizou ninguém a assinar por ele. Ressalta que declarou apoio a Luciana Genro (Psol) no primeiro turno e agora defende a reeleição de Dilma.

“Político não tem que saber ler nem escrever. Basta saber contar dinheiro” - Pedro da Lua (PSC), deputado estadual eleito pelo Amapá, no Twitter

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