Campanhas avaliam que quem conquistar população que ganha entre dois e cinco salários mínimos terá mais chances de vencer

Na reta final da disputa presidencial, as campanhas de Dilma Rousseff e Aécio Neves procuram focar na conquista do chamado eleitor “remediado”, cuja faixa de renda varia entre dois e cinco salários mínimos. Mais dependente das ações do Estado, este eleitor era considerado natural do PT, por ter se beneficiado, ao longo dos governos de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de diversos programas sociais, entre eles o Bolsa Família, a maior ação de distribuição de renda dos governos petistas. No entanto, nesta faixa de renda, Dilma tem disputado, com desvantagem em relação ao tucano. Aécio tem investido neste eleitorado com principalmente com o discurso de alta inflação.

“Este eleitor depende muito de seu salário. Ele tem sentido que ele nunca pagou tanto imposto e tem sofrido com a inflação em alta que consome sua renda antes que o mês acabe. Ou seja, sobra mês. É para essas pessoas que o nosso candidato tem falado”, observou Duarte Nogueira, presidente do diretório de São Paulo do PSDB e integrante da coordenação de campanha do tucano.

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Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB): quem conquistar quem ganha entre dois e cinco salários mínimos terá mais chances de vencer
Divulgação
Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB): quem conquistar quem ganha entre dois e cinco salários mínimos terá mais chances de vencer


Já a campanha de Dilma tenta manter os “remediados” com promessas de melhor prestação de serviços nas áreas de Saúde, Educação e, principalmente, mobilidade urbana, uma das áreas consideradas de maior impacto.

O diagnóstico feito pela campanha petista é de que para as pessoas com renda entre dois a cinco salários mínimos, a vida melhorou “para dentro de casa” e agora ele quer ver melhorias nas redondezas.

“Muitos moram em favelas, mas da porta de casa para dentro, passaram a ter televisão de tela plana, acesso a planos populares de internet. O que falta é melhoria da porta de casa para fora”, diagnosticou Alberto Cantalice, vice-presidente do PT e integrante da campanha de Dilma.

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“Geralmente o eleitor que ganha de dois a cinco salários mínimos não tem carro, não tem plano de saúde e não tem acesso a escola particular, ou seja, depende de transporte público, de atendimento de qualidade nas unidades de saúde e de escola para colocar dos filhos”, detalhou.

A estratégia é “alimentar o sonho” deste eleitor por metrô, ônibus, serviços médicos e escola em tempo integral. “Não basta mostrar o que já deu certo. Nossa estratégia é falar do que já foi feito e precisa manter e mostrar que vamos melhorar. É claro que a gente sabe que sobre nós a cobrança é maior”, analisou Cantalice.

As duas campanhas sabem quem souber melhor traduzir os anseios desta população terá mais chances de vencer as eleições.

A campanha de Aécio já havia identificado entre 2013 e 2014 uma acentuada queda de aprovação do governo de Dilma. Em março do ano passado, antes das manifestações, levantamento do Datafolha apontava que 63% desta população definia o governo como ótimo ou bom. Este percentual experimentou uma linha decrescente e no último levantamento somente 35% desses eleitores mantiveram esta mesma avaliação.

Veja imagens da campanha presidencial: 

Ao direcionar a campanha para esta parcela do eleitorado, Aécio conseguiu angariar 56% das intenções e voto, de acordo com pesquisa divulgada pelo Datafolha na semana passada. Já Dilma, conta com 44% das intenções de votos.

Na avaliação dos tucanos, embora as pesquisas não demonstrem, é nesta faixa do eleitorado que se concentram boa parte dos indecisos a serem conquistados nesta reta final.

“É o eleitor que tem se identificado com a propaganda do PT, que não acha que sua vida está a mil maravilhas como prega o programa de Dilma, mas que ainda está em dúvida se tentará outro caminho, se votará na oposição, Como ele depende muito das ações do Estado, quem está no governo sempre se beneficia deste voto. Fizemos de tudo para vencer isso”, disse Nogueira.

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