Dilma compara falta de água em SP ao apagão de energia no governo FHC

Por Anderson Passos - iG São Paulo |

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Em ato de apoio de artistas e intelectuais, Lula criticou Aécio Neves por chamar presidente de mentirosa e leviana

A presidente e candidata à reeleição PT, Dilma Rousseff, recebeu na noite desta segunda-feira (20), em São Paulo, o apoio de artistas e intelectuais no teatro da PUC-SP, o Tuca. Diante de uma plateia lotada, a petista aproveitou o evento para comparar a atual crise de abastecimento de água no Estado ao apagão energético no final do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso (FHC) na Presidência da República, em 2001.

“Quando eles foram governo, eles deixaram o País às escuras”, criticou a presidente, se referindo aos tucanos, que há 20 anos estão no comando do governo do Estado, inclusive tendo reeleito Geraldo Alckmin para governar São Paulo por mais quatro anos. Dilma ainda alfinetou a imprensa, insinuando que a cobertura da crise hídrica foi aquém do devido. “Não há porque ficar surpreso pós-eleitoralmente”, afirmou Dilma.

Reforçando a ligação do seu adversário no segundo turno, Aécio Neves (PSDB), com os governos FHC, Dilma lembrou a plateia que em 2002 que o Brasil tinha a segunda taxa de desemprego do mundo, com 11,4 milhões de desempregados, de acordo com a presidente.

Leia mais: Dilma diz que alertou Alckmin sobre obras para conter falta de água

Na noite desta segunda-feira (20), em São Paulo, a presidente Dilma Rousseff (PT) recebeu apoio de artistas e intelectuais no Tuca, teatro da PUC-SP. Foto: Alice Vergueiro/Futura PressAntes, ao lado do ex-presidente Lula, Dilma Rousseff recebeu apoio de artistas em Itaquera . Foto: Divulgação/PTDilma posa com o ator Henri Castelli no evento 'Encontro Cultura e Juventude: Periferia com Dilma'. Foto: Divulgação/PTA cantora Negra Li também prestigiou o evento . Foto: Divulgação/PTAssim como deputado federal reeleito pelo PSOL-RJ, Jean Wyllys. Foto: Divulgação/PTO evento foi realizado em Itaquera, bairro da zona leste de São Paulo . Foto: Divulgação/PTOs cantores  Lirinha e Tulipa Ruiz também participaram . Foto: Divulgação/PT

Para Dilma, o segundo turno se faz importante por justamente reforçar as diferenças entre as propostas das duas candidaturas. Ela convocou a militância do PT no Estado a deixar claro essa ideia para reverter o resultado do primeiro turno em São Paulo, onde a petista ficou atrás de Aécio.

Antes de Dilma, quem falou foi o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Daqui para frente não tem chorumela, é voto na Dilma”, defendeu o líder petista. Lula pediu que militantes rebatam ataques pessoais que a presidente estaria recebendo.

“Jamais tive coragem de chamar uma mulher de leviana ou mentirosa. Ela estudou na Unicamp (Universidade de Campinas). Ela merece ser respeitada”, discursou Lula, lembrando de termos usados por Aécio nos últimos debates presidenciais. O ex-presidente admitiu ainda que não tinha ideia da ojeriza ao PT de parte da população. Segundo ele, por evitar ler jornais e revistas quando estava na Presidência.

Mais: Dilma explora crise de abastecimento de água em São Paulo em programa de TV

No entanto, Lula disse que hoje é obrigado a ler jornais e revista e se deparar com ataques contra sua ex-ministra da Casa Civil e agora presidente. Em seguida, ele voltou a criticar o presidenciável tucano. “Ele fala que vai acabar com a Dilma, é inacreditável o ódio.”

Bresser e Amaral

Além da plateia, os arredores do Tuca ficaram tomados por militantes do PT. No palco do teatro, Dilma recebeu o apoio do de artistas e intelectuais como os escritores Raduan Nassar e Fernando Morais, os cineastas Laís Bodansky e Toni Venturi, o filósofo Mario Sergio Cortella e o jurista Márcio Thomaz Bastos, ex-ministro da Justiça no governo Lula. O evento foi comandado pelo ator Sérgio Mamberti, militante histórico do partido.

Dois depoimentos de apoiadores renderam muitos aplausos da plateia. Um deles foi do economista Luiz Carlos Bresser Pereira, um antigo aliado tucano que foi ministro de FHC em dois mandatos.

Alice Vergueiro/Futura Press
Os arredores do teatro da PUC-SP, o Tuca, ficaram tomados de militantes petistas


“Estou aqui para declarar no meu voto para o candidato que está do lado dos pobres e não dos ricos. Estou do lado dos desenvolvimentistas, contra os conservadores. Estou do lado do progresso. Estou do lado que vai avançar nas conquistas sociais”, declarou ele. “O neoliberalismo aprofunda as desigualdades, leva ao baixo crescimento e a crise financeira. Os rentistas estão ressentidos, 12 anos de governo popular já basta para eles”, completou Bresser.

Dissidente e ex-presidente do PSB, partido que apoia Aécio, Roberto Amaral também foi bastante aplaudido, citando em sua fala o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, avô de Eduardo Campos, ex-presidenciável socialista morto em acidente aéreo em agosto. Antes de Amaral discursar, a plateia gritou em coro: “Arraes presente, Dilma presidente”

“O Arraes está presente aqui e ausente do meu partido. Represento não o PSB, mas a militância do PSB. Nós não mudamos de campo político”, defendeu Amaral.

Antes do evento do Tuca, Dilma participou do encontro “Cultura e Juventude: Periferia com Dilma”, em Itaquera, na zona leste paulistana. Lá, mais uma vez ao lado de Lula, ela recebeu o apoio de outros artistas, como o ator Henri Castelli e a cantora Negra Li, além do deputado federal reeleito Jean Wyllys (PSOL-RJ).

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