Dilma reduz ataques e aposta em propostas em debate

Por Anderson Passos - iG São Paulo |

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Petista apresentou projetos nas áreas de segurança, saúde e ensino técnico, mas não deixou de atacar governos tucanos

A repercussão negativa do debate do SBT, tido como o mais agressivo do segundo turno da eleição presidencial, parece ter feito a presidente e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) adotar uma estratégia mais propositiva, com uma consequente diminuição da intensidade dos ataques a Aécio Neves (PSDB) no debate entre os presidenciáveis, promovido na noite deste domingo (19), na Rede Record. No confronto, a presidente destacou ações em estímulo a micro-empresários, segurança pública, saúde e educação, em especial no ensino técnico.

O debate: Dilma e Aécio trocam agressividade por guerra de números

A candidata à reeleição abriu o debate destacando suas ações em relação aos micro empresários individuais, em especial à legislação do Super Simples, enquanto o tucano propôs a simplificação do sistema tributário. Ao retomar a palavra, a candidata à reeleição destacou que o Simples cresceu 111%, gerando 9 milhões de empregos.

Mais tarde, instada pelo tucano a comentar o financiamento da segurança pública, Dilma destacou a questão não é federal, mas que assim mesmo seu governo investiu mais. Nas palavras de Dilma, enquanto o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) investia R$ 1,2 bilhões por ano enquanto seu governo investiu R$ 4,4 bilhões anuais nesse item. Mais tarde, destacou ainda que o governo federal investiu mais de R$ 17 bilhões em postos de integração das policias e que, se eleita, manterá essa política, inclusive atuando para mudar a Constituição, que retira do governo federal a responsabilidade de financiamento da área.

Aécio Neves: Tucano adota tom suave para atacar Dilma sem ser agressivo

A presidente também questionou o adversário sobre a flexibilização de leis trabalhistas sustentando que em 2001, os tucanos tentaram levar um projeto de lei nesse sentido, mas que este foi sufocado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Veja fotos do debate da Record:

Candidatos Dilma Rousseff e Aécio Neves a postos para o debate da Rede Record na noite deste domingo (19/10). Foto: Nacho Doce/ ReutersDilma foi a primeira a fazer perguntas no debate da noite deste domingo na Record (19/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Reação de Aécio Neves durante terceiro debate entre os candidatos à Presidência no segundo turno das eleições (19/10). Foto: Andre Penner/APReação de Dilma Rousseff durante o terceiro debate do segundo turno das eleições presidenciais (19/10). Foto: Andre Penner/APA Rede Record realizou na noite deste domingo (19) o terceiro debate presidencial do segundo turno da eleições . Foto: ReproduçãoTrabalho de câmera durante debate da Record (19/10). Foto: Nacho Doce/ReutersDilma Rousseff, presidente e candidata à reeleição pelo PT, participa do debate presidencial da Rede Record . Foto: ReproduçãoAécio Neves, candidato à Presidência pelo PSDB,  no debate promovido pela Rede Record  . Foto: ReproduçãoNo início do debate, Dilma e Aécio mostraram uma postura menos beligerante dos últimos anos . Foto: Vitor SoranoDilma chega para o debate da Record, o terceiro encontro com Aécio no segundo turno das eleições (19/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Aécio Neves conversa com jornalista na chegada aos estúdios da Record para o debate da noite deste domingo (19/10). Foto: Andre Penner/APOs partidos de Dilma ocuparam a outra metade da plateia . Foto: Vitor SoranoPlateia ocupada pelos tucanos no debate Record . Foto: Vitor Sorano


Inflação e Petrobras

Quando perguntada sobre inflação pelo tucano Aécio, Dilma declarou que tem o compromisso com o combate a ela. "Não está descontrolada como querem vocês, que jogam no quanto pior melhor". A petista sugeriu que para se chegar a 3% de inflação ao ano, será preciso demitir e que o autor da receita. "o cozinheiro, é o mesmo: Armínio Fraga", atacou a petista, ao falar do ex-presidente do Banco Central no governo FHC, que deve ser ministro da Fazenda num eventual governo tucano. "Vocês sempre gostaram de plantar inflação e colher juros", arrematou ela.

Dilma também exaltou o fato de o País ter saído do "mapa da fome" e exaltou o fato de a classe média ter crescido durante os governos petistas, enquanto o tucano creditou ao governo FHC o Plano Real e projetos sociais embrionários como o Bolsa Gás e o Bolsa Escola. A petista sublinhou que o Plano Real era obra do governo Itamar Franco. FHC era o ministro da Fazenda na ocasião.

Leia mais: Agressividade no debate foi rejeitada pelos eleitores, sugere petista

As denúncias de desvios na Petrobras esquentaram o debate quando Aécio questionou a presidente se ela confiava no tesoureiro do PT, João Vacccari Neto, que supostamente estaria envolvido em arrecadação de recursos para sua campanha em 2010 oriundos pela Petrobras. Dilma voltou a dizer que seu governo apoia as investigações enquanto os governos tucanos teriam deixado de investigar casos como as denúncias de irregularidades do Sivam, da Pasta Rosa, processos ligados ao metrô de São Paulo.

Num tom mais ofensivo, a presidente também destacou que o ex-presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, teria recebido propina para sufocar a CPI da Petrobras. O tucano, por sua vez, reclamou que a petista acredita no delator quando a denúncias se refere a um tucano, mas ignora as denúncias do envolvimento de petistas.

Mais propostas

No capítulo saúde, a petista destacou que os governos do PT receberam o governo sem a CPMF para financiar a área, mas que assim mesmo o governo federal criou o Mais Médicos, criou o Samu (Serviço de Atendimento Médico de Emergência) e não perdeu a oportunidade de atacar Aécio, dizendo que o programa não foi implantado na sua plenitude em Minas, reforçando que o governo mineiro teria desviado R$ 7,6 bilhões de verbas para a saúde e não teria cumprido o repasse do mínimo constitucional.

Dilma também exaltou que seu governo construiu 422 escolas técnicas enquanto os tucanos construíram apenas oito. A petista insistiu na tese de que os governos tucanos vetaram a possibilidade de o governo federal construir escolas de ensino técnico.

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