Marcos Pereira promete ofensiva nas eleições de 2016. Com votação recorde, Russomano é candidato provável em SP

As eleições de 2014 fizeram bem ao PRB de Russomano e Marcelo Crivella. E não apenas em São Paulo ou no Rio de Janeiro. Em Brasília, a sigla elegeu 21 deputados federais, mais do que dobrando sua representação em relação ao processo eleitoral de 2010, quando tinha oito cadeiras na Casa. Isso significa que o tempo de TV da legenda no horário eleitoral também irá mais do que dobrar.

Presidente nacional do PRB afirma que partido passará a ser protagonista a partir de 2015
Divulgação/PRB
Presidente nacional do PRB afirma que partido passará a ser protagonista a partir de 2015

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“Deixamos o ‘nanismo partidário’ para nos tornarmos a 10ª força política no País, à frente de partidos tradicionais como PV, PDT, PPS e PCdoB. Elegemos ainda 32 deputados estaduais. A médio prazo temos como meta eleger o maior número de prefeitos e vereadores em 2016”, diz o presidente nacional do PRB, Marcos Pereira.

Em meio ao tiroteio entre PT e PSDB na corrida eleitoral ao Palácio do Planalto, o presidente nacional da sigla afirma que seu partido firmará apoio ou não ao novo governo em reunião a ser agendada após o final do pleito.

“Vamos aguardar o resultado da eleição presidencial para reunir a bancada de deputados eleita e discutir nosso posicionamento no Congresso Nacional. A certeza que tenho nesse momento é que o PRB passa de coadjuvante para protagonista nas discussões de interesse do Brasil. Vamos nos posicionar com firmeza”, sinaliza.

Já sobre um eventual projeto de lançar um nome próprio ao Planalto, o dirigente prefere a cautela. “Todo partido político tem interesse de lançar candidato à Presidência da República. O tema da eleição de 2018 tem que ser discutido mais para frente. Nem terminamos a eleição de 2014. E entre 2014 e 2018 teremos 2016."

Arrancada no RJ

No Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral do País, o PRB conseguiu uma arrancada na reta final do primeiro turno e colocou o pastor licenciado e senador Marcelo Crivella no segundo turno contra o peemedebista Luiz Fernando Pezão.

“A chance de vencer no Rio é grande, tendo em vista que Crivella é a renovação com qualidade se comparado a seu adversário, herdeiro de Sérgio Cabral, representante de um governo repleto de escândalos como guardanapos na cabeça em Paris, helicóptero para o cachorro, etc. Como se não bastassem tantos escândalos, a saúde, a educação e a segurança no Rio vão de mal a pior. Não houve avanços significativos. Por que continuar com um governo que não funciona?”, diz.

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Para atingir o objetivo de eleger o novo governador fluminense, Marcos Pereira tem permanecido em campanha no Estado ao lado de Crivella ao longo de todo o segundo turno.

As ligações de Marcelo Crivella com a Igreja Universal do Reino de Deus – ele é sobrinho do fundador, bispo Edir Macedo – tem sido alvo de ataques tanto do adversário direto Fernando Pezão como de aliados de outros tempos, caso do pastor Silas Malafaia.

Questionado se o partido tem feito uma ofensiva para desvincular o PRB da Universal, o presidente nacional da sigla rechaça. “Não há nenhuma ofensiva para desvincular. O que há é uma forte ofensiva da parte de adversários e setores da imprensa justamente para vincular a imagem do partido à igreja. Já respondi inúmeras vezes e torno a dizer: não há nenhuma interferência de qualquer grupo religioso nas decisões do PRB. Sobre Silas Malafaia em especial, é estranho vê-lo fazendo tantas críticas a Crivella, tendo em vista os diversos depoimentos dele gravados em favor do senador, inclusive elogiando sua conduta ética e sua história de realizações tanto nos 12 anos que viveu na África e na sua atuação parlamentar em favor do Rio. É uma mudança brusca de opinião sem motivo aparente”, justifica.

Assista ao ataque de Malafaia a Crivella:

Sobre o episódio do bate boca com o ex-aliado, Crivella lamentou o episódio e mostrou arrependimento. “Se tem uma coisa que me lamento nessa campanha foi a discussão que tive com Pastor Malafaia. Nada tenho a ver com a Igreja Universal, assim como ela nada tem a ver com meu mandato. Se eu tivesse que me desculpar sobre alguma coisa que eu tenha feito nessa campanha, acho que seria aquela discussão. Eu tinha que ter uma palavra branda que desviasse esse rancor. Não fui à igreja nenhum dia dessa campanha, estive na rua todos os dias apresentando minhas propostas para o Estado”, pondera.

São Paulo

No maior colégio eleitoral do País, o PRB conseguiu uma proeza: a volta do ex-deputado federal Celso Russomanno à Câmara com mais de 1,5 milhão de votos, a maior votação do país.

Deputado federal mais votado do País Celso Russomanno volta à Câmara em 2015
Divulgação/PRB
Deputado federal mais votado do País Celso Russomanno volta à Câmara em 2015

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Candidato derrotado à Prefeitura de São Paulo em 2012, Russomanno já se colocou à disposição do partido para disputar novamente o cargo em 2016. “Nunca escondi nem antes e nem durante a campanha, muito pelo contrário. Fiz esta afirmação [de que disputaria a prefeitura em 2016] durante todo o tempo. Que meu nome está à disposição do PRB como pré-candidato à Prefeitura de São Paulo para 2016. Mesmo logo depois das eleições de 2012, fiz essa afirmação, que nós não tínhamos desistido da ideia de disputar a prefeitura de São Paulo e continuamos afirmando isso”, disse o parlamentar eleito ao iG .

O deputado federal atribui a ascensão do PRB à gestão do presidente Marcos Pereira, que assumiu o cargo máximo na legenda em 2011.

“Todo o planejamento que fizemos ao longo desses dois anos se concretizou. É mérito do Marcos Pereira que soube articular esse crescimento. Nós pretendemos fazer a mesma coisa nas eleições para prefeito e termos nas grandes cidades e nas capitais nossos candidatos. Partido que disputa a eleição cresce, partido que não disputa a eleição não cresce”, filosofa Russomanno.

O deputado que retorna à Câmara em 2015 levou consigo mais cinco integrantes da sigla. Um deles incômodo, ao menos pelo contraste: o deputado Fausto Pinatto, que teve 22 mil votos, teve o apoio de um dos líderes da polêmica Telexfree e defende a regulamentação do marketing multinível, enquanto Russomanno pautou sua campanha em torno dos direitos do consumidor.

Para o presidente nacional do PRB, não há contradição entre os projetos dos dois eleitos. “Qual é a contradição? Existem milhares de pessoas em todo o Brasil que querem a regulamentação do marketing multinível. Nem todos são contra, nem todos são a favor. Há 513 deputados na Câmara Federal. Cada um deles eleito por meio de um segmento social, categoria trabalhista, entidade de classe. É natural e faz parte da democracia representativa que haja esse tipo de discussão. Vencerá a maioria, como determina nosso sistema”, ponderou.

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