Presidente declarou neste sábado que pode pedir ressarcimento dos recursos da Estatal após as investigações

A presidente e candidata a reeleição Dilma Rousseff (PT) admitiu neste sábado (18), em entrevista coletiva, que houve desvio de dinheiro público na Petrobras e fala agora em pedir ressarcimento dos cofres públicos. É a primeira vez que a presidente reconhece desvios na Estatal.

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O esquema de corrupção na Petrobras tem sido revelado pelo ex-diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef, presos durante a Operação Lava Jato da Polícia Federal. Entre várias informações, os dois declararam que havia um esquema de cartel e de superfaturamento de contratos da Petrobras. Eles também revelaram que PP, PMDB e PT recebiam 3% dos contratos superfaturados como propina.

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Na coletiva, Dilma Rousseff disse que pretende pedir ressarcimento aos cofres públicos de valores desviados da Petrobras. Até o momento, nem mesmo o Ministério Público sabem ao certo quanto foi desviado da Estatal.

“Eu tomarei todas as medidas para ressarcir tudo e todos. A chamada delação premiada, onde tem os dados mais importantes, ainda não foi entregue a nós”, disse a presidente. “Eu farei todo o meu possível para ressarcir o País. Se houve o desvio de dinheiro público, nós queremos ele de volta. Se houve [desvio], não. Houve, viu?”, disse, taxativa, a presidente.

A declaração vai de encontro à postura presidencial das últimas semanas quando ela criticava os chamados “vazamentos seletivos” das investigações da Operação Lava Jato ou colocava em dúvida os depoimentos de Paulo Roberto Costa. Na semana passada, por exemplo, Dilma chegou a classificar como “golpe” as informações prestadas pelo ex-diretor de refino da Petrobras.

Entretanto, desde quinta-feira, Dilma passou a defender as investigações da Lava Jato após as revelações que o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra teria recebido propina de Costa para esvaziar uma CPI que apurava a Petrobras.

Processo

Dilma Rousseff também criticou o senador e candidato à presidência da república Aécio Neves pela maneira como ele se referiu à ela, nos debates do segundo turno, e à candidata Luciana Genro (Psol), nos debates do primeiro turno. Em ambos os debates, Aécio classificou tanto Dilma, quanto Genro como “levianas” após ouvir críticas sobre o PSDB.

“Aí, é obvio que tem que ter uma discussão e quando começa a discussão o candidato adversário não gosta e ele parte para algumas atitudes um tanto quanto desrespeitosas. Foi desrespeitosa comigo, foi desrespeitoso com a Luciana Genro...”, disse a presidente. “Ele nos chamou de leviana. Não acho uma fala correta para mulher”, disse a presidente.

Neste sábado, Aécio Neves disse que iria interpelar judicialmente Dilma pela condução de seus programas eleitorais afirmando que a presidente “baixou o nível da campanha”. A presidente, do outro lado, rebateu as críticas do tucano. “Ele pode querer processar, mas quem deveria processar somos nós (Dilma e Luciana Genro)”, declarou a petista.

“Eu acredito que o que é baixo nível é algo que deve ser completamente superado. Acontece é que nós temos propostas”, sinalizou Dilma.

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