Enquanto Dilma Rousseff e Aécio Neves buscam votos na reta final das campanhas, eleitores tentam garantir suas fotos

Debates, caminhadas, carreatas ou atos políticos. Qualquer evento que reúna os candidatos – principalmente Dilma Rousseff e Aécio Neves , que disputam o segundo turno das eleições para presidente – é motivo para levar eleitores para as ruas em busca de um contato com seu político favorito. Outros querem é aproveitar o momento e garantir a sua selfie com o candidato.

Nesta semana, a missão de Luiz Surianni era um registro ao lado de Aécio Neves. Ele tem uma coleção de fotos com políticos e se diz pé-quente. "Tirei foto com a Dilma quando ela era ministra da Casa Civil e depois ela foi eleita presidente. Na campanha do (Fernando) Haddad (à Prefeitura de São Paulo, em 2012), tirei uma foto com ele e disse: 'Você vai ganhar'", conta Surianni, que é presidente da Federação dos Centros Espíritas, Umbanda e Candomblé de São Paulo.

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O eleitor se espremeu entre as pessoas que esperavam Aécio depois de um evento e alcançou o seu objetivo. "Senti o que o povão sente para tirar uma foto. E eu ainda conhecia a turma (da campanha). Então me falaram por onde ele ia sair. Mas valeu a pena o sacrifício”, fala, exibindo a foto com o candidato. Paulo Peixoto, amigo de Suriannni, foi o fotógrafo e, depois, enfiou a cabeça no carro do tucano para garantir o seu registro.

"Candidato ganha ar de notoriedade e hoje, com o advento das redes sociais, ter uma foto com o candidato acaba virando um troféu para o cidadão comum", analisa Marco Teixeira, cientista político e professor da FGV. "A selfie virou um comportamento padrão e os candidatos à Presidência são celebridades, mesmo que momentâneas", completa Carlos Ranufo, também cientista político e professor da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

Veja selfies de eleitores e momentos ao lado dos candidatos:


Identificação histórica

Andrea Carla Bezerra é eleitora de Dilma Rousseff e mora em João Pessoa, na Paraíba. A assessora e professora universitária vai além do burburinho das eleições para justificar os registros publicados em sua página no Facebook em apoio à petista. Ela já fez selfie com a presidente e, em sua foto de capa, veste uma camisa com as cores da candidata.

“A primeira cidade que a Dilma visitou na campanha do segundo turno foi aqui e eu tive a oportunidade de ficar no palco. Ela é um referencial, pela sua história, por ter sido perseguida pela ditatura, ter sido presa. Isso para mim é que importa. Fiz o registro não por ser uma celebridade, mas pelo que ela representa para mim. Foi um registro histórico", conta.

Andréa fala ainda que Dilma foi paciente e, depois do evento, desceu do palco e caminhou lentamente pela grade, atentendo aos pedidos de fotos e conversando com quem se espremia por ali. "Teve bastante empurra-empurra e os seguranças tiveram um trabalho absurdo. As pessoas estavam enlouquecidas", relata. 

A advogada e consultora em direitos humanos Fabiana Gadelha se diz avessa aos flashes ao lado de celebridades e famosos, mas foi atrás de Dilma para atender a um pedido da filha Valentina, de sete anos.

Fabiana Gadelha com a filha Valentina (direita) em selfie com Dilma em evento em Brasília
Arquivo pessoal
Fabiana Gadelha com a filha Valentina (direita) em selfie com Dilma em evento em Brasília


“No primeiro pronunciamento de Dilma na Presidência, no Natal, a Valentina viu e perguntou quem era aquela mulher. Ela tinha de quatro para cinco anos e queria saber o que era presidente, se ela mandava muito e se era como uma rainha. Expliquei e ela disse: ‘Então posso ser presidente também?’. Desde então virou uma loucura com a Dilma”, relembra Fabiana.

Moradora de Brasília, a advogada levou a filha a um ato político da petista no final de julho. Valentina, que tinha até cortado os cabelos de uma boneca barbie e improvisado um terno do Ken para fazer a sua boneca da Dilma, sentou na primeira fileira e, depois do evento, orientada pela mãe, pediu ajuda para um segurança para se aproximar de Dilma. A tática deu certo e a garota conseguiu a foto e ainda foi surpreendida. Dilma pediu para tirar uma selfie com Valentina e sua mãe.

Desfile de candidatos

Um bom momento para garantir seu momento com o candidato é nos debates. As estudantes de jornalismo Raquel Melo e Bruna Pannunzio estavam em frente à TV Band para o primeiro encontro entre Dilma Rousseff e Aécio Neves no segundo turno das eleições com um objetivo: obter fotos, se possível selfies, com seus políticos prediletos.

Raquel exibe foto ao lado de Fernando Haddad. Veja mais imagens na galeria
Vitor Solano/iG São Paulo
Raquel exibe foto ao lado de Fernando Haddad. Veja mais imagens na galeria

Um dos selfies de Raquel foi com Fernando Haddad, prefeito de São Paulo. O motivo do clique? “Porque ele é o prefeito gato”, resume Raquel. De Dilma, ela conseguiu arrancar só um beijo lançado de longe, mas também devidamente registrado com a câmera do celular.

"Ela tem feito um plano de governo que me beneficiou. Eu tenho o Fies (Financiamento Estudantil oferecido pelo governo federal por meio de bancos públicos) para poder fazer a faculdade.", fala a estudante.

Bruna está do lado do PSDB nas eleições e buscava uma selfie com Aécio Neves. Entretanto, teve de se contentar com uma foto com Beto Albuquerque, vice na chapa de Marina Silva, que agora apoia o tucano.

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