Serra ao iG: ‘Por mim, fim da reeleição deveria valer após 1° mandato de Aécio’

Por Clarissa Oliveira - iG São Paulo |

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Senador eleito argumenta que mecanismo não funcionou no Brasil, afirma que agenda agora é eleger o colega mineiro e culpa São Pedro pela crise de água em São Paulo

Eleito senador no último dia 5, o ex-governador de São Paulo José Serra diz que o Brasil precisa acabar com o mecanismo da reeleição e que, em sua opinião, seria bom que a mudança tivesse validade para a próxima eleição presidencial. Em entrevista ao iG, o tucano pondera que, para isso, seria necessário alterar formalmente as normas para todas as esferas do Executivo e assegurar um mandato maior para o próximo presidente. De qualquer forma, diz ele, a experiência mostrou que a reeleição não funcionou no Brasil.

“Eu quero acabar com a reeleição. Eu fui, talvez, ainda em 2002, quando Fernando Henrique ainda era presidente, eu disse que não estava dando certo. No caso dele, deu certo. Mas a maioria do Brasil não estava. Porque o prefeito começa o mandato de olho na reeleição, governador também. Não faz aquilo que tem que fazer”, afirma Serra.


“Existe um panorama complexo do ponto de vista político e jurídico. Mas o que importa é o princípio. Por mim, deveria valer para logo depois do mandato de Aécio. Do primeiro mandato”, acrescenta, ao falar sobre a possibilidade de o PSDB eleger o colega mineiro Aécio Neves presidente, que também defende a extinção do mecanismo.

O programa de Aécio prevê o fim da reeleição e um mandato de cinco anos, com validade em 2022. Serra, entretanto, não avaliou se o colega deveria abrir mão espontaneamente de concorrer a um segundo mandato. “Ele não é obrigado a disputar, mas, por outro lado, o ideal, realmente, seria que ele tivesse um mandato de cinco anos”, emenda.

Serra evita dizer se ele próprio planeja disputar novamente a Presidência no futuro. Diz estar comprometido em eleger o colega. “Isso não está na minha agenda. Minha agenda agora é eleger o Aécio”, diz ele. Ainda assim, ele ri da tese de que estaria velho demais para concorrer nas próximas eleições. “Minha preocupação com a idade não é com a política, é geral. Você sempre quer estar jovem.”

Serra minimiza as preocupações com um acirramento da disputa interna no PSDB. Diz estar bem com Aécio e com o governador Geraldo Alckmin. E sai em defesa do colega paulista em relação à crise de água que atinge o estado. “É a natureza. O que a gente vai fazer”, afirma Serra. Questionado se, então, a culpa é de São Pedro, ele emenda: “Basicamente, é. Não tenho dúvida”.

Ministério

O tucano também desvia de perguntas sobre a possibilidade de integrar um eventual ministério de Aécio. Mas reage quando o assunto é a tese de que virar ministro significaria abandonar seu mandato de senador. Até porque, segundo ele, o fato de estar no governo permite dar andamento a projetos estratégicos. “Modéstia à parte, não quero aqui ficar contando vantagem, sou um ótimo legislador, dentro ou fora (do Congresso), quando estou acompanhando os projeto.”

Ao comentar a onda de preconceito contra nordestinos que marcou a corrida presidencial e nega que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tenha alimentado esse debate ao declarar que o eleitorado mais pobre apoia o PT por ser menos informado. “A fala dele foi deturpada”, afirmou, acrescentando que o partido da presidente Dilma Rousseff “é Prêmio Nobel em inventar preconceito”.

Serra voltou a afirmar que o PT transformou o exercício de cargos públicos em “curso de graduação” ao lotear a máquina pública. Não se trata, segundo ele, do presidente da República, mas de toda a equipe montada pelas adminitrações petistas. E emendou: “Você não precisa ser um gênio para ser um bom presidente. Não quero diminuir a figura individual de ninguém. Mas veja o Itamar Franco. Ele não era um gênio. Era um homem correto, trabalhador. Virou um grande presidente na ótica da história.”

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