Em debate, Aécio ataca Petrobras e mensalão e Dilma cita Cláudio e nepotismo

Por iG São Paulo |

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No segundo confronto entre petista e tucano, realizado no SBT, sobram acusações e faltam propostas concretas ao País

Dilma Rousseff (PT), presidente e candidata à reeleição, e o tucano Aécio Neves (PSDB), participaram na noite desta quinta-feira (16) do segundo debate presidencial, realizado pelo SBT. Os temas corrupção, aeroporto de Claúdio, nepotismo e mensalão dominaram o embate entre os presidenciáveis, que mais uma vez foi agressivo e acalorado, pontuado por uma série de acusações.   

Com a agressiva troca de acusações entre os dois, as propostas para o País nos próximos quatro anos ficaram mais uma vez de lado. Em nenhum momento do debate, Aécio e Dilma apontaram algum projeto que pensam desenvolver. Mesmo quando deixaram de falar de corrupção e desvios éticos e focaram em educação, saúde e segurança, o tucano e a petista apenas falaram mal um do outro, assim como das passagens de seus partidos pela Presidência.  

Da mesma forma, Dilma e Aécio não se constrangeram em chamar um ao outro de mentiroso, tornando o debate ainda mais pobre de propostas. A impressão é que ambos os candidatos apostaram na ideia de que o eleitor iria escolher o presidenciável que tivesse menos acusações sobre si.

Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) participam do segundo debate presidencial do segundo turno, realizado pelo SBT na noite desta quinta-feira (16). Foto: AP Photo/Andre PennerAécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) participam do segundo debate presidencial do segundo turno, realizado pelo SBT na noite desta quinta-feira (16). Foto: AP Photo/Andre PennerAécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) participam do segundo debate presidencial do segundo turno, realizado pelo SBT na noite desta quinta-feira (16). Foto: ReproduçãoAécio teve uma postura mais agressiva em relação ao debate anterior, apontados denúncias de corrupção na Petrobras. Foto: AP Photo/Andre PennerAécio teve uma postura mais agressiva em relação ao debate anterior, apontados denúncias de corrupção na Petrobras . Foto: ReproduçãoDilma voltou a dizer que o adversário empregou parentes quando governava Minas Gerais . Foto: Reprodução

Logo no início do debate, os dois candidatos trouxeram a corrupção para confronto apontado casos de desvios nos governos do PT e do PSDB na Presidência da República. "De quem é a responsabilidade por tantos desvios de dinheiro público da Petrobras?", questionou Aécio para a adversária, abrindo as perguntas do debate.

Dilma respondeu dizendo que, ao contrário dos governos do PSDB, os do PT investiguem e punem os culpados. "O Brasil vai ter pela primeira vez o combate sistemático à corrupção. No debate passado, eu perguntei onde estão os corruptos do Metrô de São Paulo, da Pasta Rosa ou da Privataria Tucana? Todos soltos. Eu tenho um compromisso diferente, investigar e punir", retrucou a petista.

Ibope: Em empate técnico, Aécio Neves marca 45% e Dilma Rousseff, 43 %
Datafolha: Aécio tem 45 % e Dilma, 43%, e estão em empate técnico 

"Ou a senhora foi conivente ou incompetente ao administrar a estatal Petrobras", acusou Aécio em sua tréplica. Na sua vez de perguntar, Dilma devolveu acusando o tucano de ter empregado a irmã Andrea Neves, tios e primos em suas duas administrações do governo de Minas Gerais. “Candidato, eu nunca nomeei parentes para o meu governo, eu gostaria de saber se o senhor nunca fez a mesma coisa?”, perguntou a petista.

Em sua resposta, Aécio disse que o irmão da petista, Igor Rousseff, foi empregado no governo de Belo Horizonte, na administração de Fernando Pimentel, mas não trabalhava. Ele disse ainda que a sua irmã trabalhou de forma voluntária no Estado de Minas.

“Candidata, a senhora conhece Igor Rousseff, seu irmão foi nomeado pelo prefeito Fernando Pimentel no dia 20 de setembro de 2003, e nunca apareceu para trabalhar, candidata. Essa é a grande verdade, lamento ter que trazer esse tema aqui”, acusou Aécio.

Dilma negou que o caso de seu irmão se tratasse de nepotismo. “A sua irmã e o meu irmão têm que ser regidos pela mesma, eles não podem estar no governo que nós estamos. O nepotismo, candidato, eu não criei. O nepotismo é uma decisão do Supremo Tribunal Federal.”

Divulgação/PSDB
O debate foi apresentado jornalista Carlos Nascimento


Lei seca eleva tensão 

Um dos momentos mais tensos do debate foi quando Dilma citou em uma pergunta a Lei Seca, legislação que pune motoristas que dirigem sob o efeito de álcool e drogas. Visivelmente incomodado com o tema, Aécio acusou a adversária de lhe fazer um ataque pessoal.

“Candidata, tenha coragem de fazer a pergunta direta. É claro que essa é uma iniciativa extraordinária”, afirmou Aécio, começando a responder a pergunta. “A senhora traz nesse debate, talvez pelo desespero, e tenta deturpar um tema que tem de ser colocado com absoluta clareza. Eu tive um episódio sim, e reconheci, candidata, eu tenho uma capacidade que a senhora não tem. Eu tive um episódio que parei numa Lei Seca porque minha carteira estava vencida e ali naquele momento inadvertidamente não fiz o exame e me desculpei disso”, completou o tucano.

A petista acusou o candidato de tentar diminuir uma questão importante. “Candidato, não é uma coisa que o senhor, porque passou por uma experiência pessoalíssima e tanto. Acredito que ninguém pode [sair] sem sofrer as consequências, dirigir nem drogado nem bêbado. Eu, candidato, não dirijo sob álcool e droga. E isso é uma questão que não é afeta só a mim, eu acho que deve ser afeta a todos os brasileiros.”

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