Tucano elogiou presidente Lula, acusou Dilma por campanha mentirosa e reforçou que dará continuidade ao Bolsa Família

No primeiro debate do segundo turno, Aécio Neves (PSDB) tentou mostrar que a paternidade de programas sociais criados ou ampliados nos governos do PT - como o Bolsa Família e o Pronatec, de cursos técnicos - têm origem em administrações tucanas, e que serão continuados se ele vencer a eleição.

A estratégia foi casada com o argumento de que a campanha de Dilma Rousseff (PT) mente ao dizer que um eventual governo tucano significaria o fim das medidas - pelo contrário, ele os aperfeiçoaria, segundo o argumento do candidato do PSDB .

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"Os bons programas vão ser continuados. O Bolsa Família vai continuar", disse Aécio, ainda no primeiro bloco. "O Pronatec é um bom programa, mas poderia ser aperfeiçoado", afirmou, já no segundo bloco. Aécio chegou a citar três vezes o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - em nenhuma delas de forma crítica.

Veja imagens do primeiro debate do segundo turno das eleições:

"O Bolsa Familia é um avanço. Vocês aproveitaram adequadamente o início do cadastramento único [ dos beneficiários de programas sociais durante o governo Fernando Henrique Cardoso ] e avançaram. Parabéns, o presidente Lula tem esse mérito", disse Aécio, ao acusar Dilma de não reconhecer o papel do PSDB na iniciativa.

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Ainda assim, Aécio afirmou que "há medo de o PT governar os próximos quatro anos" e não poupou ataques duros à presidente Dilma, acusada diversas vezes pelo tucano de mentir durante a campanha eleitoral e fazer uso do discurso do medo.

"Não falar a verdade se tornou uma tônica da sua campanha desde o primeiro turno", disse Aécio, ainda no primeiro bloco. "Eu não sei se a senhora está enganada ou mentindo", disse, na terceira parte do debate.

Corrupção perde espaço na artilharia tucana

Arma preferida de Aécio no primeiro turno das eleições, as acusações de corrupção tiveram menor peso neste primeiro confronto. O tucano esperou o segundo turno para questionar Dilma sobre a denúncia, feita pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, de que o PT ficava com parte dos recursos de contratos sobrefaturados com fornecedores da empresa.

"Quais foram os bons serviços prestados por esse diretor?", questionou Aécio, fazendo referência aos elogios a Costa constantes da ata da reunião do conselho de administração da Petrobras em que ele foi demitido.

O ataque, entretanto, desencadeou uma reação aparente inesperada pelo tucano: Dilma Rousseff passou a elencar uma série de acusações contra Aécio - dentre as quais, a de que construiu um avião em terras desapropriadas do seu tio-avô na cidade de Cláudio, interior de Minas Gerais.

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A artilharia de Dilma obrigou Aécio gastar tempo na defensiva - em vez de permanecer no ataque. Nesse momento do debate, o secretário nacional de comunicação do PT, José Américo, comentou que o candidato do PSDB estava sendo "massacrado". O tucano não voltou de forma incisiva ao tema da corrupção durante o restante do debate.

Aécio ainda deu margem a um ataque de Dilma ao dizer que a oposição venceu o PT em Minas Gerais. De fato, Dilma teve menos votos no Estado do que a soma dos outros candidatos, mas teve mais que o tucano.

O representante do PSDB então, buscou ressaltar suas propostas na área da segurança pública - disse que, diferentemente de Dilma, não vai terceirizar os problemas para os Estados e sim assumir o comando de uma política nacional para o tema - e para a educação, prometendo criar 6 mil creches e avançar no ensino fundamental.

Ao final, o tucano buscou capitalizar os votos obtidos por Marina Silva, citando o nome da ex-senadora que ficou em terceiro lugar na disputa presidencial e o de Renata Campos, viúva do ex-governador Eduardo Campos.

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