Socialistas acreditam que, após anúncio de apoio, caminho natural é gravar para o horário eleitoral e subir em palanque

A ex-senadora Marina Silva (PSB) deve se encontrar nas próximas horas com o senador mineiro Aécio Neves para definir os moldes da participação dela na campanha do PSDB. Enquanto a definição desse cronograma não é anunciada, aliados de Marina defendem que ela entre de cabeça na campanha de Aécio. “Não adianta fazer as coisas timidamente”, disse o vice-governador eleito de São Paulo, deputado Márcio França, que é o presidente do PSB paulista.

Marina Silva, que firmou apoio a Aécio
Vagner Campos/ MSILVA Online
Marina Silva, que firmou apoio a Aécio

Segundo o vice-governador eleito, “quem não gostou do gesto de Marina (em apoiar Aécio), já não gostou”. Perguntado se Marina deveria entrar de corpo e alma na campanha do PSB ele defendeu: “Se puder, seria bom. Quanto mais (participar da campanha), melhor”, afirmou França, que foi um dos maiores defensores da tese de apoio do PSB ao PSDB em São Paulo. Em 2012, França também defendeu que o partido apoiasse José Serra na disputa municipal de São Paulo contra Fernando Haddad (PT). Na ocasião, o PSB optou pelo apoio ao petista.

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Vice na chapa de Marina, o deputado gaúcho Beto Albuquerque também demonstrou entusiasmo com a possibilidade da aliada se engajar vigorosamente no esforço eleitoral de Aécio. “Estamos apoiando. Tanto eu quanto ela vamos participar, subir no palanque e gravar programa de TV. Não há como ser diferente”, afirmou Albuquerque ao ser perguntado como acha que deveria ser a participação de Marina na campanha do PSDB.

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Ultimamente, Albuquerque se aproximou muito de Marina e é considerado um dos mais próximos interlocutores da ex-candidata a presidente dentro do PSB. Foi ele quem intermediou a conversa que Marina teve com Carlos Siqueira, na semana passada. Durante o encontro, os dois lavaram a roupa suja que gerou mal estar entre ambos depois da morte de Eduardo Campos. Irritado, Siqueira deixou a coordenação da campanha dizendo que Marina não representava o legado de Campos e que não passava de uma hospedeira dentro do PSB.

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Na Rede, o tema sobre como deveria ser o apoio de Marina para Aécio ainda é tratado com bastante cautela por alguns membros. O porta-voz da Rede e um dos mais próximos aliados de Marina, o ex-deputado Walter Feldman, se esquiva de opinar sobre como acha que Marina deveria defender o voto em Aécio nos próximos dias. “Eles vão conversar em algum momento para tratar disso. Acho que ela deve fazer o que achar melhor. Não quero opinar sobre isso”, disse Feldman.

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Enquanto o ex-deputado adota o tom cuidadoso, o carioca Alfredo Sirkis, militante da Rede, é defensor declarado da da tese de que Marina entre com tudo na campanha tucana. “Palanque num segundo turno é algo meio virtual, mas acho que ela deve participar dos programas de TV”, disse o deputado, que recentemente deixou o PV rumo ao PSB.

Ao ser questionado se isso não faria mal ao discurso de nova política da Rede, Sirkis retrucou que Marina já havia explicado tudo e que sua adesão à campanha de Aécio é justificada pela necessidade de alternância de poder. “Isso (nova política) já está mais do que explicado por ela”, declarou ele. “Marina, como eleitora, defende a alternância de poder. Isso é simples, está mais do que explicado”, disse Sirkis, sem esconder irritação com a pergunta.

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