Dilma aponta aparelhamento da PF por parte do PSDB e intenções políticas na divulgação dos áudios de Costa

A presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, disse nesta sexta-feira (10) que o governo foi surpreendido com a divulgação dos áudios dos depoimentos prestados pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa e reafirmou que tem “tolerância zero” com atos de corrupção.

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“O país todo foi surpreendido com gravações dos depoimentos obtidos pela polícia, de dois indivíduos presos pela Polícia Federal por atos de corrupção. Queria reafirmar que eu tenho tolerância zero com a corrupção ou com qualquer outro tipo irregularidade”, disse Dilma, em entrevista no Palácio da Alvorada.

Para a presidente, o vazamento do depoimento em plena campanha eleitoral teve razões políticas. “Acho questionável apresentar parte da prova, parte do depoimento”, cobrou Dilma, ao lembrar que ela pediu conhecimento da integralidade do processo, acesso negado pelo Procuradoria Geral da República (PGR) e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

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A presidente apontou que houve um “aparelhamento” de parte da Polícia Federal pelos tucanos. “Quero dizer, que eu tomei, como Presidente da República, medidas para que nem a Polícia Federal, nem tampouco o Ministério Público, tivessem aparelhamentos e fossem induzidos nesta ou naquela direção. Quero lembrar que nem sempre foi assim no Brasil. A PF foi aparelhada sim. Foi dirigida, durante algum tempo, vocês sabem perfeitamente bem, por pessoas que tinham inclusive filiação no PSDB”, acusou a presidente.

"Jamais investigaram, jamais puniram, jamais procuraram acabar com esse crime horrível que é a corrupção", prosseguiu Dilma. "Agora, na véspera eleitoral, eles sempre querem dar um golpe, estão dando um golpe e esse golpe nós não podemos concordar com ele", completou a petista. 

Instituições e pessoas

A ser questionada se o PT errou ao se envolver no esquema de corrupção na Petrobras, Dilma ponderou que não se pode condenar uma instituição e sim pessoas que fazem parte desta instituição e que cometem atos ilícitos. “Aí é aquela coisa do doa a quem doer. Não se condena uma instituição. Se alguém errou tem que pagar”, disse a presidente.

Dilma disse ainda que determinou ao ministro de Minas e Energia, Edison Lobão que apure internamento e envolvimento do presidente da Transpetro, Sérgio Machado, com o esquema.

“Estamos conversando com o servidor da Petrobras, o ministro Lobão está fazendo isso, no sentido de esclarecer, de fato, o que há e o que não há. Não basta só alguém falar que ouviu dizer, não lembra quando e aí você condena a pessoa”, disse a presidente. “Não se pode cometer injustiça e não se pode ser resiliente com mal feitos, ou com atividades que não fiquem claras”, ponderou Dilma.

*Com Reuters 


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