Força de Lula em reduto pró-Marina ilustra divisão em Pernambuco

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No município de Ipojuca, a 56 km de Recife, a maioria da população (54,2%) votou pela reeleição de Dilma Rousseff

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Com expressiva votação em Marina Silva, as cidades de Recife e arredores ajudaram a candidata do PSB a vencer no Estado de Pernambuco no primeiro turno da corrida presidencial. Em diversos pequenos municípios da região, a ex-senadora obteve mais de 50% ou 60% dos votos válidos; na capital pernambucana ela foi escolhida por 63,33% dos eleitores. No Estado, 48,05% votaram em Marina e 44,22% votaram na presidente Dilma Rousseff (PT). Aécio Neves (PSDB) chegou em terceiro com 5,92%.

Mas mesmo nesse "bolsão" de votos pró-Marina, há exceções: no município de Ipojuca, a 56 km de Recife, a maioria da população (54,2%) votou pela reeleição de Dilma.

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Moradores creditam melhorias em Ipojuca, a 56 km de Recife, à gestão do PT, iniciada com Lula


E, por trás disso, está, segundo moradores consultados pela BBC Brasil, a força do antecessor de Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva.

"A realidade é que aqui estava ao Deus-dará. De Lula para cá, foi o melhor para a região", argumenta Ricardo Agostinho Lins, 48, que trabalhou por 16 anos em usinas de cana-de-açúcar e há oito é dono de uma loja de doces no centro de Ipojuca. Ele votou em Dilma e pretende repetir o voto no segundo turno.

Leia também: Cidade mais 'marinista' do Brasil se divide e aguarda definição de apoio

"Para a gente daqui foi um salto: o comércio era precário, só tinha trabalho no campo. Muita gente trabalhava só para comer. Daí vieram empresas, refinarias, estaleiros, e cresceram as oportunidades de emprego."

Ipojuca é uma cidade de 90 mil habitantes que fica próxima ao Porto de Suape, cujo complexo industrial virou um importante polo empregador na região.

Segundo Lins, o movimentado comércio popular no centro da cidade, com pequenos mercados, lojas de roupas e eletrônicos, vem perdendo força recentemente, com o fim de muitas obras próximas que haviam trazido um fluxo extra de clientes. Mesmo assim, ele acha que a situação melhorou.

"Hoje o pessoal tem casa e carro, tem crédito para comprar."

Ipojuca também tem um conhecido ponto turístico – a praia de Porto de Galinhas -, que apesar de gerar empregos e fama na região, ficou muito caro para ser aproveitado pela população local, diz o taxista Ivaldir da Silva, 44. Quando vão à praia, moradores preferem locais mais baratos, como Gaibu, ali perto.

Mas Silva também optou por Dilma por achar que "se mudar de governo vai mexer em tudo por aqui".

Para William Alves da Silva, que nasceu em São Paulo, mora há 25 anos em Pernambuco e tem um restaurante de comida a quilo em Ipojuca, "o Nordeste antes estava acostumado a mandar gente para o Sul. Isso mudou com Lula e Dilma. Hoje vem gente do Sul para trabalhar nos nossos estaleiros. E o Bolsa Família tirou muitas crianças da lavoura".

Ele diz que a trágica morte do ex-governador Eduardo Campos, em agosto, seguida pela candidatura de Marina Silva, fez com que a população pernambucana – que votou em sua maioria em Dilma em 2010 – se dividisse.

Tanto que Marina acabou sendo a mais votada no Estado no último domingo (5), com 48,05% dos votos.

Um dos votos para Marina veio de Marcos de Matos Magalhães, proprietário de uma papelaria de Ipojuca que se diz "cansado da corrupção" que vê na gestão petista.

Ele afirma que nunca foi eleitor de Lula e se queixa dos ataques da campanha de Dilma a Marina no horário eleitoral gratuito ("a Marina mal tinha tempo para se defender"). Agora, "vou votar no Aécio [Neves, candidato do PSDB], e quem eu conheço também vai."

Ali perto, num bar do centro, Lucivaldo da Silva, um dos clientes, diz ter votado em Marina Silva e vai aguardar a oficialização de seu apoio para definir seu voto de segundo turno.

Do seu lado, o pintor Mario Gerônimo de Oliveira Filho responde que, entre filhos e sobrinhos, 14 pessoas em sua casa repetirão o voto no PT. "Porque aqui, antes, só tinha mangue e cana", argumenta.

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