Ex-diretor da Petrobras diz que esquema de desvios abasteceu PT, PMDB e PP

Por iG Brasília e iG São Paulo |

compartilhe

Tamanho do texto

Em áudio do depoimento à PF, Paulo Roberto Costa detalha suposto esquema de propina; PT nega acusações

como beneficiários do suposto esquema de desvios na estatal, desmantelado pela Operação Lava-Jato da Polícia Federal. Em depoimento prestado à PF na última quarta-feira, Costa afirmou que o sobrepreço em contratos da empresa abasteceram caixas do PT, PP e PMDB, em 2010, ano em que se elegeu a presidente Dilma Rousseff.

Nas gravações, Costa detalha quais contratos, de quais diretorias, teriam atendido a cada dos três partidos. "Em relação à diretoria de Serviços, todos sabiam que tinha um percentual dos contratos da área de Abastecimento, dos 3%, 2% eram para atender ao PT", diz o diretor, no que seria uma referência ao percentual de sobrepreço dos contratos da estatal. "Outras diretorias, como Gás e Energia e Exploração e Produção, também eram PT", acrescentou o diretor no depoimento.

A informação de que o dinheiro teria entrado no caixa das três legendas foi veiculada nesta quinta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo. Mais tarde, o site do jornal O Estado de S. Paulo publicou os áudios do depoimentos.

Leia mais: PT diz que acusações de ex-diretor da Petrobras são caluniosas

Reuters
Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras


Costa foi preso pela Polícia Federal durante as investigações do esquema. Ele e o doleiro Alberto Youssef fizeram acordos de delação premiada com a Justiça, segundo o qual revelariam detalhes sobre o esquema em troca de uma redução da pena.

No depoimento, Costa cita especificamente o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, que é responsável por comandar todas as finanças do partido. Diz que “dentro do PT”, o contato da diretoria de Serviços era o secretário de Finanças. “A ligação era diretamente com ele”, afirmou.

Ainda segundo os depoimentos, Costa admitiu que recebia parte do dinheiro desviado. “Sim, em valores médios o que acontecia. Do 1% para o PP, em média 60% ia para o partido, 20% para despesas às vezes de emissão de nota fiscal e para envio e 20% restantes eram repassados assim, 70% para mim e 30% para o Janene ou Alberto Youssef.”

Ao mencionar a propina que supostamente era repassada ao PMDB, Costa disse que a diretoria que atendia ao partido era a área Internacional. “O nome é Fernando Soares, o Fernando Baiano, ele fazia a articulação.”

Veja também: Tesoureiro do PT nega envolvimento com ex-diretor da Petrobras

Após a divulgação do áudio dos depoimentos do ex-diretor, o PT divulgou nota oficial em classificou as acusações como “caluniosas”. “O PT repudia com veemência e indignação as declarações caluniosas do réu Paulo Roberto Costa”, diz a nota. “O PT desmente a totalidade das ilações de que o partido teria recebido repasses financeiros originados de contratos com a Petrobras.”

Em seguida, a Secretaria de Finanças divulgou outra nota, na qual afirma que Vaccari nunca tratou de “contribuições financeiras do partido, ou de qualquer outro assunto, com o sr. Paulo Roberto Costa”. “O depoimento prestado por ele à Justiça está carregado de afirmações distorcidas e mentirosas”, diz o texto. Vaccari informou que vai processar civil e criminalmente “aqueles que têm investido contra sua honra e reputação”.

O PP informou apenas que “desconhece as denúncias, mas está à disposição para colaborar com todas as investigações”. Até o fim da tarde, o PMDB não havia se pronunciado sobre as denúncias.

Nomeação

Além de Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef também fez acordo de delação premiada com a Polícia Federal. De acordo com informações veiculadas pela Folha de S. Paulo, Youssef teria dito que Paulo Roberto Costa foi empossado no cargo, em 2004, após o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter cedido às pressões de políticos ligados ao esquema.

"Na época o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou louco, teve que ceder e realmente empossar o Paulo Roberto Costa", completou o doleiro.

Trechos do depoimento de Paulo Roberto Costa já haviam vazado anteriormente. A revista Veja publicou há um mês reportagem alegando que o ex-diretor da Petrobras citou em outro depoimento o nome de vários políticos supostamente beneficiados pelo esquema.

Na ocasião, foram citados os nomes de vários políticos, entre eles o próprio Vaccari, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão; o presidente do Senado, Renan Calheiros; o da Câmara, Henrique Eduardo Alves; o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos; o governador do Ceará, Cid Gomes; a governadora do Maranhão, Roseana Sarney; entre outros.

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas