Direção do PT paulista critica Eduardo Suplicy

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento* |

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Comando do partido evita responder oficialmente às reclamações de aliados do senador não reeleito

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A direção do PT de São Paulo não quer polemizar com Eduardo Suplicy – derrotado na disputa pela reeleição ao Senado – e evitou responder oficialmente às reclamações de seus aliados sobre o fato de o partido não destinar recursos para a sua campanha. Reservadamente, um dirigente do PT disse que ninguém fará balanço da campanha agora, justificando que o momento “exige a união de forças para eleger Dilma”. Somente após o dia 30 de outubro, eventuais problemas na campanha serão analisados, informou o dirigente. Petistas próximos a Suplicy disseram que não houve qualquer repasse de recursos ao candidato, que perdeu a disputa com o ex-governador José Serra (PSDB). O senador teve de buscar doações sozinho.

Reprodução/TV iG
O senador Eduardo Suplicy não conseguiu se reeleger em São Paulo


Ainda foi obrigado a dividir com o partido gastos da campanha ao governo. O custo total da campanha petista ao Senado foi R$ 3 milhões. E houve um déficit de R$ 560 mil. O PT ofereceu apenas um aparelho celular ao candidato. Para a direção petista, Suplicy errou ao não ter aceito a proposta de concorrer à Câmara dos Deputados e ajudar a puxar votos para a bancada petista.

Vídeo: "Tenho muita coisa por fazer", diz Suplicy, fora do Senado após 24 anos

Dirigentes reclamaram ainda de assessores do senador não serem filiados nem contribuírem com o PT. Afirmaram que Suplicy não é um petista orgânico, “não ajuda nem obedece ninguém e age por conta própria”. Há reclamações de que ele frequentemente coloca o partido em situações delicadas, como ao trazer ao Brasil a blogueira cubana Yoani Sanchez e ao defender que o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, fosse depor no caso Celso Daniel.

Defensor de Marina

Dirigentes do PT também reclamam de Suplicy por não criticar o adversário José Serra e pedir para que o partido não atacasse a então presidenciável Marina Silva (PSB), alegando que ela pediria votos para ele. Na campanha, Marina apoiou Serra, lembram petistas.

Sobrou para Dilma e Lula

Nas avaliações sobre a derrota de Alexandre Padilha na disputa ao governo de São Paulo sobraram críticas também à presidenta Dilma e a Lula, por terem deixado escapar o apoio do PP para Skaf (PMDB). Lula e Dilma teriam liberado a ida dos pepistas, a fim de agradar o vice-presidente Michel Temer.

Conservadorismo em alta

O cientista social Wagner Iglecias, professor da USP, diz que o conservadorismo se manifesta mais em São Paulo do que em outros lugares porque no Estado “há uma ideia meio generalizada de que as pessoas dependem pouco do Estado e das políticas sociais”. Segundo Iglecias, há avaliação também de que “o Poder Público mais atrapalha do que ajuda os indivíduos em suas iniciativas de empreender algo”.

Rede propõe “sabedoria e análise” para escolha

Integrantes da Rede Sustentabilidade, de Marina Silva, esperam que o grupo tome uma decisão com “sabedoria” sobre apoiar ou não Aécio Neves no segundo turno da disputa presidencial. Avaliam que será necessária também uma correta avaliação política na busca de solução que não crie mágoas e frustrações dentro do partido, ainda nem constituído oficialmente. Os ânimos entre os aecistas e os contrários aos tucanos ficaram exaltados durante as conversas iniciais.

Líderes do PSB temem o poder dos pernambucanos

Alguns líderes do PSB já temem o poder dos pernambucanos dentro do partido, independentemente da posição deles mais próxima do PT ou do PSDB. Argumentam que o partido foi presidido durante mais de 20 anos por Eduardo Campos e seu avô Miguel Arraes, líderes de relevância nacional. Agora, não há nenhum nome no Estado com tal característica. Assim como falta um líder nacional incontestável. Por isso, defendem a manutenção do veterano Roberto Amaral no comando.

“O senador tem que tomar cuidado com essa convivência com Garotinho. Ele vai fazer o senhor mentir também” -  Pezão (PMDB), candidato a governador do Rio, ao se referir ao adversário Marcelo Crivella, em debate ontem no Rio

*Com Leonardo Fuhrmann

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