Ex-candidato disse que PT e PSDB são similares na causa social e defendeu pautas do aborto e LGBT ao lado de Everaldo

Eduardo Jorge fez o mais longo discurso no ato de apoio a Aécio Neves (PSDB) realizado em Brasília. Ao longo de 12 minutos, Jorge falou a respeito da opção do PV em apoiar Aécio Neves e elencou quatro eixos de sustentação da tese de apoio ao PSDB. Só que ao longo dessa fala, que chamou a atenção pela discrepância com discursos que não passavam de um minuto, o Verde foi alvo de gritos que pediam o fim de sua fala. O próprio Aécio chegou a gesticular de forma constrangida solicitando que os presentes parassem de interromper a fala do neo aliado.

“A primeira discussão que um partido como o nosso, que é um partido independente, tinha de tomar é se teríamos posição ou não no segundo turno”, afirmou Jorge. “Muito cômodo é se omitir e se refugiar numa posição dogmática de omissão e não tomar posição. É um egoísmo partidário. É um patriotismo de partido”, criticou o Verde, no que foi considerado por parte dos presente como uma crítica velada a Marina Silva.

Leia mais: No PSB, Aécio promete honrar legado de Eduardo Campos

Eduardo Jorge:  “Nós do PV consideramos que a Social Democracia, o PSB e o PT são partidos da família socialista”
Allan Sampaio/iG Brasília
Eduardo Jorge: “Nós do PV consideramos que a Social Democracia, o PSB e o PT são partidos da família socialista”

Em seguida, Jorge ironizou de forma bem humorada o fato de Aécio ter demorado a lançar um plano de governo. “Temos de comparar, de analisar. Tivemos uma dificuldade, confesso para vocês, porque o PV, muito previdente, tem um programa desde março de 2014. O do Aécio demorou, mas saiu”, declarou. A plateia aplaudiu, mas no palco os sorrisos foram amarelados. Só respiraram aliviados quando Jorge disse que não se podia comparar plataforma com Dilma Rousseff porque ela não tem programa.

“Por uma questão de honestidade intelectual, tínhamos de procurar uma outra base aonde comparar. O que falou durante a campanha, o que fez ou não durante quatro anos. E aí nos esforçamos para fazer essa comparação”, explicou o ex-candidato a presidente da República, que foi um dos fundadores do PT, partido pelo qual militou até 2003, e mais recentemente atuou como secretário do Verde e Meio Ambiente na gestão de José Serra (PSDB) quando o tucano foi prefeito da capital paulista, em 2005.

Constrangimentos

Ao elencar os quatro eixos que levaram o PV a decidir pelo apoio a Aécio, surgiram os constrangimentos com a plateia e líderes políticos ali presentes. Ele defendeu uma reforma política que institua o voto distrital misto, voto facultativo, fim do financiamento privado feito por empresas para campanhas eleitorais e a suspensão do pagamento de salários para vereadores.

Leia mais: Aécio agradece apoio de PPS, PV e PSC e diz aguardar Marina “no seu tempo”

“Para começarmos a atrair pessoas que querem servir ao povo e não se servir da política como é no Brasil”, criticou ele. Disse que o programa de Aécio não contempla tudo que o PV defende, mas que na comparação com Dilma, a plataforma do tucano é mais próxima. “Portanto, um a zero para ele (Aécio)”, decretou Jorge.

Com já sete minutos ao microfone, Jorge falou do segundo elemento, o da inclusão social. E foi aí o momento de maior constrangimento para os tucanos ali presentes, já que Jorge colocou o PT e o PSDB no mesmo balaio. “Nós do PV consideramos que a Social Democracia, o PSB e o PT são partidos da família socialista”, defendeu o Verde.

“Nesse ponto, a visão do PV é que o diálogo entre as ideias do PV, do PSDB e da própria Dilma é plenamente possível. Não há uma grande divisão neste aspecto entre vocês e o governo da Dilma e as nossas ideias. Na questão da inclusão social, é possível sim conciliar essas três visões. Então deu empate”, disse Jorge. A plateia não reagiu.

Jorge passou a falar do terceiro eixo, “a cultura de paz” enquanto a plateia não perdoava a demorada fala do ex-candidato a presidente. Gritos de “chega” ecoaram pelo auditório. Aécio constrangido, gesticulava para que as pessoas parassem de pedir o fim do discurso do aliado.

Veja mais: PSOL anuncia neutralidade no segundo turno, mas desaconselha voto em Aécio

“E aí estão as bandeiras que o PV defendeu sozinho nessa campanha. Temos a consciência de que nem a campanha da Dilma nem a campanha do Aécio assumiram nossas bandeiras”, afirmou Jorge, que enumerou alguns itens rejeitados pelos aliados. “Não acompanhou numa nova política em relação às drogas, não acompanhou na revogação da lei cruel contra as mulheres, no caso do aborto, não acompanhou totalmente na questão LGBT e outras questões desse tipo”, acrescentou ele, para desespero de Pastor Everaldo, que fechou apoio ao PSDB e acompanhava ao lados dos tucanos a fala do Verde.

Ele quase não pode falar do último eixo, do desenvolvimento sustentável, já que a plateia não conseguia disfarçar a impaciência com o discurso do Verde. “Nesse ponto, nossa proximidade é com vocês do PSDB”, disse ele para aplausos intensos que mais pareciam pedir o fim da fala do que manifestar apoio ao que o Verde dizia. Deixou o microfone sob gritos de “Dudu! Dudu! Dudu!”.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.