Derrota de Padilha na eleição em São Paulo reacende guerra interna no PT

Por Clarissa Oliveira - iG Brasília | - Atualizada às

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Derrota no maior colégio eleitoral do país acirrou os ânimos na legenda e deu origem a um jogo de culpa, apontando para um prejuízo ainda maior para a campanha de Dilma

A derrota do ex-ministro Alexandre Padilha em São Paulo acirrou os ânimos dentro do PT e reacendeu uma disputa interna que custou para ser mantida sob controle nos últimos anos. Desta vez, o embate envolve não só os quadros que comandaram historicamente a legenda no maior colégio eleitoral do país, mas também integrantes dos grupos que emergiram da estratégia de renovação liderada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ana Flavia Oliveira/iG
Padilha, que concorria ao governo de SP pelo PT, faz pose para fotos após votação (5/10)

Na disputa, formou-se um jogo de culpa sobre as dificuldades enfrentadas no estado, que aponta ainda para o risco de um prejuízo ainda maior à campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff. São Paulo é tido como peça-chave na estratégia para garantir ao PT mais quatro anos no Palácio do Planalto e o mau desempenho nas urnas no estado superou de longe as expectativas do comando partidário. A “surra”, como descrevem alguns dirigentes, atingiu todas as esferas.

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Dentro da equipe de Padilha, grande parte da responsabilidade pelo desempenho do ex-ministro é jogada sobre o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad. As sucessivas declarações nesse sentido feitas nos bastidores por integrantes da campanha irritaram o prefeito, que já se manifestou mais de uma vez aos colegas sobre o assunto. Nas conversas que mantém sobre o tema, Haddad costuma repetir que falta à campanha de Padilha assumir a responsabilidade pelos erros que cometeu. E lembra que, quando ele próprio custava a decolar nas pesquisas, não jogava a culpa em ninguém.

Mas muitas das queixas de aliados do ex-ministro da Saúde versam também sobre a falta de um engajamento do próprio PT na campanha, principalmente de quadros que poderiam ter contribuído para transferir votos conquistados em eleições passadas. A tese é um recado direto ao ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que disputou as duas últimas eleições no estado e chegou a ter 35% dos votos nas urnas em 2010.

Mercadante tem divergências antigas com Padilha e, de acordo com integrantes da campanha paulista, mostrou-se muito pouco disposto a colaborar. O atual ministro disputou internamente a indicação no PT para concorrer ao governo paulista neste ano. Perdeu o páreo, não pela falta de apoio do partido, mas pela interferência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pressionou para que Padilha fosse o escolhido para a corrida.

Relembre: PT já busca culpados para mau desempenho de Padilha em SP

Em geral, o argumento usado pelo grupo de Mercadante para justificar sua distância da campanha paulista é o fato de ele estar envolvido na campanha de Dilma – ontem, a presidente anunciou que ele irá se licenciar para cuidar exclusivamente de eleição neste segundo turno. Ainda assim, petistas relatam que o ministro encontrou tempo na agenda para se oferecer para pedir votos aos fins de semana para mais de um aliado, nas disputas por vagas na Câmara dos Deputados e assembleias legislativas. O envolvimento de Mercadante, reclamou um petista próximo a Padilha, foi “quase nulo”.

A lista inclui ainda a ex-prefeita Marta Suplicy. A ministra da Cultura chegou a participar ativamente da campanha em alguns momentos. O problema, segundo interlocutores, é que ela abandonou o barco na reta final, justamente quando o reforço se fazia mais necessário. O motivo seria o incômodo de Marta com o tratamento que recebeu em uma agenda de campanha das quais participou. Marta teria ficado irritada com o fato de ser vetada da lista de petistas que acompanharam a presidente Dilma Rousseff em um carro aberto durante uma atividade da campanha.

Veja fotos da Padilha na corrida eleitoral:

Padilha faz uma pequena caminhada ao lado da esposa e de Suplicy, candidato ao Senado pelo PT, depois de votar nas eleições (5/10). Foto: Ana Flavia Oliveira/iGPadilha, que concorre ao governo de São Paulo pelo PT, faz pose para fotos depois da votação (5/10). Foto: Ana Flavia Oliveira/iGAlexandre Padilha, candidato do PT ao governo de São Paulo, vota no colégio Caetano de Campos, na praça Roosevelt, na capital paulista (5/10). Foto: Alex Falcão/Futura PressPadilha, candidato ao governo de São Paulo pelo PT, se reúne com cúpula do partido para café da manhã no Hotel Braston antes da votação (5/10). Foto: Bruno Winckler/iGPadilha tem o apoio de Lula em caminhada em São Bernardo do Campo, em são Paulo, na véspera da eleição (4/10). Foto: Ricardo Stuckert/Instituto LulaEleições 2014. Foto: DivulgaçãoPadilha, candidato ao governo de São Paulo pelo PT, acompanha Dilma em manhã de campanha em São José dos Campos (3/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma Rousseff faz carreata em São Paulo ao lado de Lula, Suplicy, Fernando Haddad e Alexandre Padilha (3/10). Foto: Ricardo Stuckert/PRPausa para um pastel na carreata de Padilha por Diadema (2/10). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaO debate da TV Globo foi último antes do primeiro turno das eleições, que acontecem no próximo domingo (05). Foto: Divulgação/PTDilma Rousseff (PT) faz campanha no bairro paulista do Campo Limpo com Alexandre Padilha, candidato petista ao governo de SP, e com o ex-presidente Lula (29/09). Foto: Divulgação/PTPadilha passeia de bicicleta pela ciclofaixa na Avenida Paulista (28/9). Foto: Paulo Pinto/ AnalíticaAlexandre Padilha, candidato do PT ao governo de São Paulo, participa de ato “Nem que a Vaca Tussa”, em defesa dos direitos trabalhistas, no centro da cidade (26/9). Foto: Paulo Pinto/ AnalíticaPausa para pastel durante caminhada de Padilha em Guaianazes (25/9). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaPadilha conta com apoio de Lula em carreata e comício em Guarulhos (24/9). Foto: Ricardo Stuckert/PRPadilha usa megafone em dia de campanha em Jaú, no interior de São Paulo (22/9). Foto: Paulo Pinto/ AnalíticaPadilha vesta camisa a favor de Dilma e anda de bicicleta ao lado de Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, na capital paulista (21/9). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaPadilha faz campanha em feira na zona norte de São Paulo (21/9). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaDilma Rousseff faz campanha em São Paulo ao lado dos petistas Alexandre Padilha, candidato ao governo, e Eduardo Suplicy, candidato ao Senado (20/9). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaPadilha faz campanha em Birigui, no interior de São Paulo, e conhece fábrica de sapatos (18/9). Foto: Paulo Pinto/Fotos PúblicasPadilha posa com crianças e adolescentes da Associação Capão Cidadão e Bloco do Beco, em Capão Redondo (18/9). Foto: Paulo Pinto/Fotos PúblicasAlexandre Padilha joga futebol durante visita à escola em caminhada em Araras, no interior de São Paulo (10/9). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaPadilha e Lula em evento do diretório nacional do PT, em São Paulo. Ex-presidente também faz campanha com o candidato ao governo paulista (5/9). Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula Padilha faz campanha e caminhada com mulheres em São Paulo (13/9). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaPrefeito Fernando Haddad, candidato ao governo Alexandre Padilha, ex-presidente Lula e candidato ao senado Eduardo Suplicy em carreata petista em SP (13/9). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaEduardo Suplicy faz campanha em Parelheiros com Ministra Marta Suplicy e o candidato do PT ao governo São Paulo, Alexandre Padilha . Foto: Divulgação/PTPadilha é abraçado por eleitores durante caminhada Heliópolis, na periferia de São Paulo (30/8). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaDilma e Padilha, candidato ao governo de São Paulo, fazem encontro com juventude na capital paulista (11/8). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Comitiva do PT em carreata por Osasco. Na foto aparecem Dilma, Padilha, Marta e Eduardo Suplicy (9/8). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaCandidato do PT ao governo de São Paulo, ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, acompanha encontro de centrais sindicais com Dilma e Lula (7/8). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGAlexandre Padilha, candidato do PT ao governo paulista, durante sabatina no jornal O Estado de S.Paulo (7/8). Foto: Paulo Pinto/ AnalíticaAlexandre Padilha, na companhia de Lula, acompanha troca de turno da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo (5/8). Foto: Ricardo Stuckert/Instituto LulaEduardo Suplicy, candidato ao Senado por SP, e Alexandre Padilha, candidato ao governo do Estado pelo PT, são vistos antes de sabatina (7/8). Foto: Vitor SoranoAo lado do prefeito Fernando Haddad, Alexandre Padilha faz caminhada pelo Grajaú (3/8). Foto: Twitter/@PadilhandoMarta Suplicy ataca de fotógrafa durante caminha com Padilha em São Matheus (2/8). Foto: Twitter/@PadilhandoPadilha visita Mercado de Paranapiacaba durante Festival de Inverno (27/7). Foto: Twitter/@PadilhandoNa chuva, Padilha faz campanha pelas ruas de Franco da Rocha (24/7). Foto: Twitter/@PadilhandoPetista Alexandre Padilha faz discurso nas ruas de São Bernardo, região do Grande ABC (21/7). Foto: Twitter/@Padilha13SPPadilha se encontra com arquiteto Ruy Ohtake durante a Festa das Nações, em São Paulo (20/7). Foto: Twitter/@Padilha13SPPadilha tocou violão ao lado de Nivaldo Santana, seu vice, durante caminhadas pelos bairros M’Boi Mirim, Jardim Ângela e Piraporinha (19/7). Foto: Georgia BrancoMais um momento da caminhada de Alexandre Padilha por M’Boi Mirim, Jardim Ângela, Piraporinha (19/7). Foto: George BrancoAlexandre Padilha faz caminhada pelo centro de São Paulo para lançar sua candidatura ao governo. Lula marcou presença no evento (18/7). Foto: PAULO PINTOPadilha discursa para população na Praça da Sé, em São Paulo, ao lado de Emidio de Souza, presidente do PT em São Paulo. Foto: PAULO PINTOAlencar, deputado estadual do PT, e o senador Eduardo Suplicy também participaram da caminhada em São Paulo (18/7). Foto: Twitter/@Padilha13SPPadilha conversa com militantes do PT em auditório de faculdade em São Paulo (16/7). Foto: Georgia BrancoFernando Haddad, prefeito de São Paulo, apoia Alexandre Padilha em evento em São Paulo (16/7). Foto: Georgia BrancoMomento selfie de Padilha com militantes do PT em auditório de faculdade em São Paulo (16/7). Foto: Georgia BrancoAlexandre Padilha caminha pela represa Jaguarí, parte do Sistema Cantareira, em São Paulo. Represa está parcialmente seca (11/7). Foto: Emiliano CapozoliEncontro entre Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, e Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo de São Paulo (10/7). Foto: Twitter/@PadilhandoPadilha vibra com classificação da seleção brasileira para a semifinal da Copa do Mundo em bar em São Paulo (4/7). Foto: Twitter/@PadilhandoPadilha recebe o título de cidadão de Carapicuíba (4/7). Foto: Twitter/@PadilhandoConvenção do PT oficializa Alexandre Padilha como candidato do partido ao governo de São Paulo (15/6). Foto: Futura PressPadilha, ex-ministro de Lula e de Dilma, carrega bandeira de São Paulo durante evento do PT na capital (15/6). Foto: Futura Press18º Encontro Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) de São Paulo, no Ginásio do Canindé, em São Paulo (15/6). Foto: Futura PressEleitores se reúnem para convenção do partido em São Paulo (15/6). Foto: Futura Press


Erros

Mas a ala mais “tradicional” do PT tem um discurso bem diferente. Quem é próximo a nomes como Marta e Mercadante diz entender que Padilha cometeu uma erros graves desde o início da campanha, que levaram a um desempenho nas urnas aquém do patamar histórico do PT no estado. Historicamente, o partido costuma alcançar ao menos algo em torno de 30% dos votos. Até agora, esses eleitores eram descritos como aqueles que “votavam no PT de qualquer jeito, independentemente do candidato”.

Na avaliação de um integrante da cúpula petista, um dos maiores erros de Padilha teria sido apresentar-se com um “discurso de classe média”. O ex-ministro, afirma o dirigente, foi orientado mais de uma vez a “duelar” com o governador Geraldo Alckmin e endurecer o tom sobre os problemas da administração tucana. E resistiu. As mudanças, argumenta, só vieram na reta final da campanha, quando já era tarde demais para uma virada sobre o peemedebista Paulo Skaf.

Paulo Pinto/Analitica
Padilha é carregado por Eduardo Suplicy durante caminhada em Carapicuíba (30/7)

Outro problema apontado como motivo da fragilidade de Padilha é o enfraquecimento da Alckmin na Assembleia Legislativa. Nesse caso, parte da conta vai para a campanha da presidente Dilma Rousseff, que trouxe para sua coordenação o presidente nacional do PT, Rui Falcão. Deputado estadual, Falcão já foi líder da bancada petista na assembleia e era tido como um dos mais atuantes na oposição a Alckmin na Casa.

Passada a eleição, Padilha também virou alvo de críticas pelo tom da campanha na TV, cujo desenho foi supervisionado pelo marqueteiro João Santana. Na visão dos colegas do ex-ministro da Saúde, a campanha falhou ao apresenta-lo como “um bom moço”, num momento em que se desenhava a necessidade de um nome capaz de fazer o enfrentamento duro com o PSDB no estado.

Acirramento

Coordenador da campanha de Padilha, o presidente do PT paulista, Emidio de Souza, evita alimentar a disputa interna. Ele diz ter proibido que a direção partidária faça qualquer balanço da campanha neste momento, até para não prejudicar a campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff. “Este não é o momento para fazer diagnósticos. Temos uma eleição para ganhar. Agora, nós queremos fazer campanha para Dilma. Só isso”, afirmou.

Pensando mais adiante, petistas avaliam que a disputa interna tende a se acirrar no futuro próximo. Isso porque a movimentação dos grupos que compõem o partido deve começar em breve a ser pautada pelos preparativos das próximas corridas eleitorais. Mercadante e até mesmo Marta podem pleitear a candidatura ao governo do estado, embora esta última possa optar por renovar seu mandato de senadora.

Há no PT uma ala que defende que o partido continue investindo no nome de Padilha, apesar da derrota. Por isso, Padilha poderia voltar a integrar o governo, caso Dilma consiga se eleger. Além de ter passado pelo Ministério da Saúde, ele já comandou também a pasta de Relações Institucionais durante o governo Lula.

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