Campanha de Suplicy não teve ajuda financeira do PT

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento* | - Atualizada às

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Segundo a campanha, o petista recebeu um celular e ainda teve de contribuir com outros gastos da campanha ao governo

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Bruno Winckler/iG
Suplicy, candidato ao senado em São Paulo, em sua seção eleitoral no Jardim Paulistano, na capital paulista (5/10)

A direção do PT paulista avalia que Eduardo Suplicy foi um dos próprios responsáveis por sua derrota na campanha ao Senado em São Paulo. Dirigentes petistas queriam que ele fosse candidato à Câmara dos Deputados - pois ali teria uma vitória assegurada -, e se tornasse o principal puxador de votos no partido. Mas a campanha à reeleição do senador atribui a derrota a outros fatores. O principal foi a falta de recursos. O candidato petista, segundo aliados, não recebeu qualquer ajuda do partido. A direção avaliou que ele teria meios próprios de conseguir recursos. Os únicos repasses feitos à campanha teriam sido de doações que ele próprio obteve, mas as empresas exigiram que fossem feitas por meio do partido.

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Um integrante da campanha afirmou que Suplicy recebeu apenas um aparelho celular do partido. A campanha fechou com um saldo negativo de R$ 560 mil. Os gastos totalizaram R$ 3 milhões, valor considerado ínfimo. O candidato vitorioso ao final da disputa, José Serra (PSDB), teria gasto muito mais, somente numa fase preliminar. Além de não contar com recursos do partido, Suplicy ainda teve de dividir com a direção petista outros gastos da campanha ao governo. Ele foi criticado porque não estaria ajudando o candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, e por ter se ausentado de eventos da campanha. Aliados do senador argumentaram que ele deixou de participar de um ou outro compromisso justamente para dedicar parte de seu tempo à busca de doações, pois, em alguns casos, tinha de fazer os pedidos pessoalmente.

Resultado: José Serra desbanca Eduardo Suplicy após 24 anos no Senado

Deputados petistas perderam votos

Todos os deputados federais reeleitos pelo PT paulista perderam um grande número de votos nesta eleição. O mais prejudicado, proporcionalmente, foi José Mentor, que teve 57 mil votos a menos (41%) em relação a 2010. O deputado Paulo Teixeira foi o que perdeu menos, 23 mil votos (17%). Na lista, Carlos Zarattini perdeu 78 mil votos (36%); Arlindo Chinaglia, 71 mil (34%); e Vicentinho, 42 mil (26%). Da atual bancada, Candido Vaccarezza, Devanir Ribeiro, Newton Lima e Janete Pietá não foram reeleitos. O PT não conseguiu eleger nenhum deputado federal nos estados do Amazonas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rondonia, Roraima e Tocantins. A bancada petista ainda é a maior na Câmara, mas foi reduzida de 88 para 70 deputados.

Herdeiros de Campos

O PSB de Pernambuco esperou a eleição de Paulo Câmara ao governo para mostrar força e indicar o prefeito de Recife, Geraldo Júlio, para concorrer à presidência nacional do partido. A eleição acontecerá na próxima semana. “Temos representatividade”, disse Câmara, o governador eleito.

Erundina prevê dificuldades

Com a eleição de um Congresso Nacional mais conservador e o aumento da chamada “bancada da bala” (formada por militares e policiais), a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) prevê muitas dificuldades para a atuação dos parlamentares considerados progressistas. Ela acredita que a maioria das pautas relacionadas a direitos humanos e minorias dependerá da pressão da sociedade civil para avançar na nova legislatura. E defendeu a necessidade “dessa democracia mais participativa e direta” como forma de pressão.

Deputada considera mandato “uma briga boa”

Eleita para seu quinto mandato consecutivo, Erundina está perto de completar 80 anos. A ex-prefeita de São Paulo prevê “tempos difíceis” nos próximos quatro anos e considera sua atuação no Parlamento uma “briga boa”. Na opinião da deputada, a sociedade civil deve se tornar “um terceiro elemento no tensionamento natural entre o Executivo e o Legislativo”.

“Gaúchos me querem no Senado”

Ana Amélia, senadora do PP, após ficar de fora na disputa do segundo turno ao governo do Rio Grande do Sul

*Com Leonardo Fuhrmann

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