Durante ato de campanha em Brasília, candidato tucano destacou diversos líderes do NE em sua coligação

A polêmica gerada nas redes sociais por eleitores anti-Dilma que desencadearam uma onda discriminatória com nordestinos parece ter mobilizado o comando da campanha tucana. Em ato organizado pelo senador potiguar José Agripino, presidente nacional do DEM e coordenador da campanha de Aécio Neves, líderes nordestinos tiveram espaço destacado sobe a regência de Aécio.

Fazendo o papel de mestre de cerimônias, Aécio comandou quem falaria ou não. E suas escolhas demonstram claramente uma preocupação em abrir diálogo com a região Nordeste em busca de conquistar os votos de quem tem sido discriminado por uma parcela de eleitores que defendem a candidatura do PSDB nas redes sociais. Como informou o iG, um grupo de médicos chegou a criar uma página numa rede social com o título de "Dignidade Médica", com postagens que pregam "castrações químicas" contra nordestinos.

"Estamos apenas no meio da travessia. É preciso que avancemos ainda mais para chegarmos ao outro lado da margem. Da margem da decência, do progresso e da diminuição das diferenças regionais. E não por acaso, esse ato ocorre, companheiro ACM Neto, no dia do Nordeste. E ao Nordeste vou dedicar parcela extremamente importante da nossa proposta e de nossa ação de governo", disse Aécio em seu discurso de encerramento do ato.

Presidente Nacional do PPS, o pernambucano Roberto Freire endossou o apoio de seu partido à candidatura do PSDB com uma fala recheada de críticas ao PT. “O PPS tinha um objetivo muito claro. Tínhamos presente que em função de respeitar a democracia e garantir correção de rumo para o Brasil, tínhamos de ter segundo turno. Estamos no momento decisivo e por isso o PPS não podia deixar de emprestar o seu apoio a Aécio Neves”, disse Freire. “Estamos lutando contra um governo que não tem limites, que vai fazer campanha suja”, criticou o presidente do PPS.

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Em seguida, Aécio cederia a palavra a outros cinco aliados nordestinos para falar em seu ato. O prefeito de Salvador, ACM Neto foi o primeiro deles e foi direto ao ponto ao discursar. “Não existe o Brasil do Sul e do Sudeste de um lado e do Norte e Nordeste de outro. Todos estarão unidos para eleger Aécio presidente”, afirmou Neto, que foi um do alicerces da articulação entre DEM, PSDB e PMDB que acabou derrotado na Bahia no enfrentamento ao PT.

O candidato do PSDB ao governo paraibano, senador Cassio Cunha Lima, buscou reforçar a identidade de parte dos eleitores de seu estado com a candidatura tucana. “O governo da presidente Dilma já foi rejeitado pelo povo brasileiro”, disse ele. “Venho da Paraíba, do Nordeste, e para minha alegria, (palco da) maior vitória que Aécio teve em toda a região. Vamos fazer a mudança que o Brasil precisa”, discursou o candidato tucano que disputará o segundo turno contra Ricardo Coutinho, do PSB. De fato, proporcionalmente, foi na Paraíba que Aécio teve o melhor desempenho na Região Nordeste, obteve 23,38% dos votos válidos. No mesmo estado, Dilma abocanhou 55,61% dos votos válidos.

O senador eleito pelo Ceará, Tasso Jereissati, também falou atendendo ao chamado do mestre de cerimônias de luxo. “Não estamos decidindo eleição de presidente. Queremos tirar o Brasil do hall dos países atrasados e entregá-lo definitivamente ao mundo moderno, industrializado e educado”, disse o tucano cearense que regressa à vida política depois de um período afastado das urnas. “O Ceará e o Nordeste não são conformados com essa situação de atraso e pobreza”, acrescentou ele.

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, também fez uma fala rápida a pedido de Aécio. Estados da Região Norte também tem sido alvo de preconceito de internautas nas redes sociais. “O país disse claramente não ao governo da corrupção”, criticou o tucano. O potiguar José Agripino engrossou o coro dos nordestinos que apoiam Aécio e dirigindo-se a pastor Everaldo, que pouco antes confirmara o apoio do PSC ao PSDB no segundo turno, disse “se Deus quiser, essa vitória é nossa, pastor (Everaldo)”.

A lista de nordestinos que discursaram em favor de Aécio teve também a presença de um rebelde, o senador pernambucano Jarbas Vasconcelos. Apesar de ser do PMDB, o senador é um dos muitos correligionários do vice-presidente Michel Temer, que decidiu não apoiar o PT. Ao falar sobre a decisão de apoiar Aécio, Vasconcelos, que tem amizade pessoal com muitos tucanos, como por exemplo com o ex-governador de São Paulo José Serra, citou Marina Silva (PSB). “Votei em Marina. Eu a ajudei a ganhar em Pernambuco nesse primeiro turno. Estou do lado da ética, da decência e da correção”, afirmou ele. Em Pernambuco, Marina foi a mais votada, com 48,05% dos votos para presidente, ficando à frente de Dilma, que teve 44,22% dos votos válidos.

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