Seguidores de Marina na Rede preferem a neutralidade no segundo turno

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento* |

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Argumento é que PT e PSDB não representam ideais do grupo, que deve oficializar sua decisão em uma reunião na quarta

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A tendência hoje dentro da Rede, grupo liderado pela presidenciável Marina Silva (PSB), é pela neutralidade no segundo turno da eleição presidencial. O argumento é que nenhum dos dois partidos que se enfrentam nesta fase da disputa representa os ideais do grupo, que deve oficializar sua decisão em uma reunião por teleconferência na proxima quarta-feira (08). Um de seus integrantes destaca a questão ambiental como um dos motivos para a decisão de não apoiar o candidato do PSDB.

Minas, governada por Aécio Neves e seus aliados há mais de uma década, concentra os piores índices do País no tema. Segundo o aliado de Marina, os dados de desmatamento mineiros chegam a ser mais graves até do que nos estados amazônicos. São Paulo, governado por tucanos há pelo menos duas décadas, sofre com a grave crise de abastecimento de água.

Mais: Aécio pode alterar programa de governo para garantir o apoio de Marina

Divulgação
Entrevista de Marina Silva, em 2013, na sede da Rede Sustentabilidade, em Brasília,


Para a Rede, os resultados da eleição deste ano demonstram que o grupo tem razão ao apontar um desapontamento da população com a política tradicional, mesmo com os resultados positivos que alguns líderes conservadores conseguiram. Para um de seus integrantes, o descontentamento pode ser constatado pelo alto índice de abstenções e votos brancos e nulos. Avaliam que, ao se juntar a Aécio ou Dilma, a Rede perderia interlocução com esse eleitorado. Redistas citam como exemplo o Podemos, partido político formado neste ano na Espanha, que obteve cinco cadeiras no Parlamento Europeu, quatro meses depois de ser criado. Em 2011, o conservador PP, do primeiro-ministro Mariano Rajoy, conseguiu vencer uma eleição com alta abstenção. A avaliação foi que a descrença com o discurso político tirou mais votos da esquerda do que dos políticos de direita naquela disputa.

Veja também: Marina sinaliza apoio a Aécio, mas diz que decisão ainda será discutida

Petistas desconfiados de pesquisas

A campanha derrotada do petista Alexandre Padilha ao governo de São Paulo listou cinco eleições seguidas em que institutos de pesquisa deram índices de voto divergentes ao PT entre a última pesquisa, a boca de urna e o resultado final. Líderes do partido disseram estranhar, agora, o fato de Padilha aparecer no último levantamento, às vésperas da eleição, com 13%, alcançar 20% na boca de urna e, ao final, ter 18%. Em média, o PT teria tido entre cinco e oito pontos a menos nas últimas pesquisas - em relação às votações finais -, de acordo com dirigentes do partido. Padilha disse não acreditar em má-fé, mas acha que algo precisa “ser revisto”.

Pai e filho influentes

Eleito vice-governador de São Paulo, o deputado Márcio França (PSB) usou a proximidade com a próxima equipe do Palácio dos Bandeirantes para ajudar a eleger o filho Caio França deputado estadual. Em material enviado a eleitores, lembrava que o jovem terá um canal direto com o governador Geraldo Alckmin (PSDB). Segundo ele, com isso, poderá conseguir mais benefícios para São Vicente, cidade no litoral paulista que é reduto dos França.

Marineiros comemoram derrota de Penna

Apesar da tristeza com a derrota de Marina Silva (PSB) no primeiro turno das eleições presidenciais, militantes da Rede arrumaram um motivo para comemorar o resultado da disputa de domingo. O deputado federal José Luiz Penna (PV-SP) não foi reeleito. Presidente nacional do partido, ele é apontado como o principal responsável pela saída de Marina do PV, após a eleição de 2010.

Psol perto da meta

O PSOL conseguiu chegar bem próximo de sua meta na eleição deste ano para o Congresso Nacional. Pretendia dobrar o número de deputados federais. Atualmente, são três. Chegou a cinco. Reelegeu os dois do Rio (Chico Alencar e Jean Wyllys) e o de São Paulo (Ivan Valente). E conseguiu ainda mais um no Rio (Cabo Daciolo) e outro no Pará (o ex-prefeito de Belém Edmílson Rodrigues). O PSOL não estavam lá muito preocupado coma eleição para o Senado. Já considerava a única candidata filiada ao partido que tinha alguma chance, a ex-senadora Heloísa Helena, como integrante da Rede. Assim como o atual senador Randolfe Rodrigues (AP).

“É quem em Minas o Aécio é bem conhecido'' - Roberto Amaral, presidente do PSB, ao brincar com o vereador Andrea Matarazzo, no programa Canal Livre, sobre Aécio Neves não ter ido bem em Minas Gerais

*Com Leonardo Fuhrmann

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