Tucano defende fim da reeleição mas não para ele mesmo, e adota termos do programa de Marina como "nova política"

No primeiro comício da campanha do segundo turno, nesta terça-feira (7) em São Paulo, Aécio Neves (PSDB) se disse contra a reeleição, mas não para ele. Perguntado se ficará apenas um mandato caso eleito presidente, o tucano desconversou.

Aécio Neves visitou obras na Chácara Santo Antônio, em São Paulo nesta terça-feira (7)
Vitor Sorano/iG
Aécio Neves visitou obras na Chácara Santo Antônio, em São Paulo nesta terça-feira (7)

"É uma questão para ser discutida. Eu não morro de amores pela reeleição. Agora, nós estamos falando em tese, estamos falando em projetos para o Brasil."

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Aécio pode alterar programa de governo para garantir o apoio de Marina

No programa de governo publicado em seu site oficial, o tucano se diz defensor do fim da reeleição e do mandato de cinco anos. Ele tem subido o tom em favor da tese numa tentativa de se aproximar de Marina Silva, terceira colocada no primeiro turno eleição presidencial e que ainda não declarou apoio ao tucano nem à presidente Dilma Rousseff (PT).

A reeleição foi aprovada durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1994-2002), em meio a denúncias de compra de votos no Congresso. Desde então, FHC e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tiveram dois mandatos cada um - Dilma será a terceira a fazê-lo se vencer o segundo turno das eleições 2014.

"A Dilma acabou por desmoralizar a reeleição", atacou o tucano.

Veja galeria com imagens da campanha do senador mineiro:

Nova política

Aécio também adotou três outros temas-chave da campanha de Marina Silva (PSB), apresentando-se como alguém pronto para liderar um projeto "em favor de uma nova política" e se comprometendo com avanços "no campo da sustentabilidade" e em "direção à escola de tempo integral" - essa última, a principal promessa da socialista no segmento educação.

O tucano também reiterou que está disposto a alterar o seu programa de governo para adequá-lo às propostas de Marina.

"Estou pronto para liderar um projeto em favor do Brasil, em favor de uma nova política, em favor de uma construção coletiva e e, para isso (...) a nossa proposta de governo é uma proposta sempre aberta a novas contribuições. Até por que um programa de governo é uma obra que não termina nunca, é uma construção permanente sempre aberta a aprimoramentos."

O candidato do PSDB reuniu cerca de 100 a 150 pessoas - entre correligionários e assessores do tucano, além de trabalhadores da construção civil - no primeiro comício do segndo turno, realizado junto a uma obra da construtora Odebrecht na Chácara Santo Antônio, em São Paulo. 

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