Reeleição faz Alckmin ir de "picolé de chuchu" a "virado à paulista apimentado"

Por Vasconcelo Quadros , iG São Paulo |

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Mudança no perfil e na imagem política ajudou governador a se firmar como líder tucano no maior colégio eleitoral do País

Reeleito com 57, 31% dos votos válidos, o governador Geraldo Alckmin desembarca do primeiro turno como um dos grandes vitoriosos das eleições de 2014 e dono de espaço confortável no ninho tucano. A consagradora vitória ajuda Alckmin a deixar para trás o apelido de “picolé de chuchu”, que já o persegue há anos, dando a ele a condição de protagonista no PSDB de São Paulo.

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Alckmin e Serra posam para fotos depois de votação em São Paulo (5/10). Foto: Vanderlei Preite Sobrinho/iGAcompanhado pela mulher, familiares e partidários, Geraldo Alckmin chega para votar no colégio Santo Américo, em São Paulo (5/10). Foto: Vitor Sorano/iGAlckmin contou com Sergio Reis, candidato a deputado federal pelo PRB-SP e de José Serra, candidato do Senado pelo PSDB, no último dia de campanha (4/10). Foto: Alckmin 45Alckmin visita a Escola Estadual Alfredo Paulino, em São Paulo (1/10). Foto: Marcelo Ribeiro/ Alckmin 45Ronaldo ataca mais uma vez de cabo eleitoral de Aécio Neves em caminhada em Osasco ao lado de Geraldo Alckmin, candidato à reeleição ao governo de SP (27/9). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilAo lado de Geraldo Alckmin, Aécio Neves faz caminhada em São Bernardo do Campo, no ABC paulista (29/9). Foto: Marcelo Ribeiro/ Alckmin 45Ao lado de Geraldo Alckmin, Aécio Neves faz caminhada em São Bernardo do Campo, no ABC paulista (29/9). Foto: Marcelo Ribeiro/ Alckmin 45Governador e candidato à reeleição pelo PSDB, Geraldo Alckmin planta árvore em visita a obras do parque Várzea do Tietê (25/9). Foto: Alckmin 45Alckmin solta peixe na estação de tratamento de esgoto de Várzea Paulista (22/9). Foto: Alckmin 45Alckmin faz caminhada pela cidades do ABC paulista no final de semana (21/9). Foto: Twitter/Geraldo AlckminAlckmin visita obras da maternidade de Santa Izabel, em Bauru, interior de São Paulo (18/9). Foto: Twitter/Geraldo AlckminSorriso aberto de Alckmin na visita aofuturo Hospital Especializado em Trauma, em São Paulo (158/9). Foto: Marcelo Ribeiro/ Alckmin 45Alckmin visita as obras da Linha 5 do Metrô e a Linha 17 do Monotrilho (19/9). Foto: Alckmin 45Ao lado de Geraldo Alckmin, Aécio Neves faz caminhada em Santos com direito a pausa para um pastel (2/9). Foto: Igo Estrela/ObritoNewsGeraldo Alckmin faz campanha para José Serra, candidato do PSDB ao Senado em São Paulo (6/9). Foto: Facebook/Geraldo AlckminGeraldo Alckmin faz caminhada em Santos e ganha beijo de eleitora (2/9). Foto: Facebook/Geraldo AlckminAlckmin, candidato a reeleição ao governo de São Paulo, e o presidenciável Aécio Neves conversam em visita a estação do monotrilho (29/8). Foto: Ana Flavia Oliveira/iGAlckmin acompanha o presidenciável Aécio Neves em café da manhã com operários da construção civil em São Paulo (28/8). Foto: Marcus Fernandes/Coligação Muda BrasilGovernador Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição visita a Etec Santa Ifigênia, em São Paulo (27/8). Foto: Alckmin 45Alckmin acompanha missa em Pirapora do Bom Jesus, no interior de São Paulo, no aniversário da cidade (7/8). Foto: Twitter/@geraldoalckimin_Tucanos Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra fazem selfie na fábrica Wurth, em São Paulo (7/8). Foto: Divulgação/PSDBAlckmin visita Mercado Municipal de São José dos Campos, interior de São Paulo, ao lado de José Serra e do presidenciável Aécio Neves (3/8). Foto: Twitter/@geraldoalckimin_Alckmin comparece a inauguração do Templo de Salomão em São Paulo e cumprimenta bispo Edir Macedo (31/7). Foto: Divulgação/Igreja Universal Ao lado de Aécio Neves e José Anibal, Geraldo Alckmin visita 3ª Feira Tecnológica da Zona Leste, em São Paulo (27/7). Foto: Twitter/@geraldoalckimin_Aécio Neves, Geraldo Alckmin e o padre Rosalvino, fundador da Obra Social Dom Bosco, visitam a Feira Tecnológica da Zona Leste de São Paulo (26/7). Foto: Facebook/Aécio NevesJosé Serra, Aécio Neve e Geraldo Alckmin visitam Parque da Juventude (26/7). Foto: Marcos Fernandes/ObritoNewsAlckmin acompanha Aécio Neves, candidato à Presidência, em visita ao projeto Mananciais, em São Paulo (19/7). Foto: Marcos Fernandes/PSDBAlckmin visita obra de recuperação da estrada SP 247 (19/7). Foto: Reprodução/Facebook oficial Geraldo AlckminCandidato em São Paulo, Alckmin visita obras de Fatec de Cruzeiro prevista para ser entregue em dezembro (19/7). Foto: Reprodução/Facebook oficial Geraldo AlckminCandidato visita Centro Dia do Idoso de Espírito Santo do Pinhal (17/7). Foto: Reprodução/Twitter @geraldoalckmin_Além de passear pela 29ª Festa da Cerejeira, em Suzano, Alckmin rasga elogios ao yakissoba que do local (14/7). Foto: Reprodução/Facebook oficial Geraldo AlckminGovernador e candidato à reeleição almoça em restaurante do programa Bom Prato em São Paulo (11/7). Foto: Reprodução/Facebook oficial Geraldo AlckminAo lado de Aécio Neves e José Serra, Geraldo Alckmin veste  kimono para visitar festival japonês em São Paulo (6/6). Foto: Reprodução/Twitter @geraldoalckmin_Geraldo Alckmin durante convenção que o oficializa candidato ao governo do Estado de SP (29/6). Foto: Futura PressDiscurso durante a convenção do PSDB em São Paulo (29/6). Foto: Reprodução/Twitter @geraldoalckmin_Alckmin recebe apoio da mulher e de Aécio Neves, candidato do partido à Presidência, durante convenção do PSDB (29/6). Foto: Reprodução/Twitter @geraldoalckmin_

Depois de anunciada a vitória – que disse ter aguardado com “humildade, respeito e serenidade” – prometeu corrigir o que está errado no atual governo e melhorar as políticas públicas que mereçam reparos. Alckmin prometeu ainda que cerrará fileiras, ao lado do agora senador eleito José Serra, para tentar eleger Aécio Neves presidente.

Especialistas ouvidos pelo iG apontam que o desempenho de Alckmin, que contribuiu para alavancar Aécio e Serra na votação de ontem, é resultado, em parte, de uma mudança radical no perfil e na imagem política do governador, que abandonou o estilo insosso para atuar com mais energia.

Mais: Dilma Rousseff enfrenta Aécio Neves no 2º turno das eleições

“O apelido de picolé de chuchu já não cabe mais no Alckmin. Virado à paulista apimentado é mais apropriado”, diz a jornalista Katia Siai, especialista em marketing eleitoral e professora da Universidade de São Paulo (USP). Segundo ela, o governador paulista tornou-se mais carismático, se desviou com habilidade de temas que representaram seu Calcanhar de Aquiles e poderiam ter gerado desgaste, demonstrou afabilidade com o eleitor e determinação em momentos cruciais, como no acidente que matou Eduardo Campos cuja ação dos órgãos de segurança comandou pessoalmente no local do desastre.

Antes de iniciar a campanha, com uma boa dose de maldade, Alckmin ordenou sua assessoria de comunicação divulgasse detalhes da operação que flagrou o deputado petista Luiz Moura numa reunião com integrantes da quadrilha, na Zona Leste da capital. Foi o suficiente para calar o candidato do PT, Alexandre Padilha, que tocou de longe na questão prisional e de segurança pública.

O episódio virou um abacaxi para o PT, que negou legenda ao parlamentar, mas perdeu o maior potencial de desgaste a Alckmin, que é a perda de controle, pelo governo, das prisões cuja seara pertence ao Primeiro Comando da Capital (PCC), detentor também da hegemonia sobre o tráfico de drogas e cos crimes contra o patrimônio.

Poucos especialistas acreditavam numa reeleição fácil. Pesava também contra Alckmin a fadiga de 20 anos do PSDB como inquilino do Palácio dos Bandeirantes _ o maior período contínuo de um único grupo político na história estadual. Tido pelos adversários como um político sem brilho, Alckmin revelou-se um competente articulador e, no palanque ou em palestras, transformou-se num contador de histórias em que mesclava personagens como Napoleão Bonaparte a Monteiro Lobato. Num dos encontros, na Câmara Portuguesa, arrancou sonoras gargalhadas ao ensinar a língua pátria com piadas e pitadas de erudição.

O grande mérito de Alckmin foi encarar de frente os temas mais problemáticos de seu governo, sem fugir dos debates, mesmo com larga vantagem nas pesquisas. A crise hídrica, através da qual a oposição esperava “racionar” os votos do tucano, foi tratada com realismo e, diante da incredulidade até de seus assessores técnicos, mostrou números e projetos para sustentar que não faltará água e que nem haverá racionamento – pelo menos até que os votos sejam contados.

As denúncias de formação de cartel e as suspeitas de corrupção que rondam os tucanos nas complicadas relações com as empresas multinacionais – Siemens e Alstom à frente – também não surtiram efeito.

Alckmin firmou-se como líder do tucanato paulista, com um desempenho que foi além de simplesmente vencer a eleição: ele aglutinou as oposições e fez de São Paulo uma trincheira contra Dilma, Marina e Padilha, evitando que este último fosse impulsionado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a ponto de forçar um segundo turno.

Alckmin sai da eleição de 2014 empanturrado de votos, parte conquistada, ironicamente, nos históricos redutos petistas, como a Zona Leste da capital, onde sua campanha serpenteou por um monotrilho de 26 quilômetros, mas com menos de três – apenas duas estações – concluídos.

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