Correligionários acreditam que senador mineiro deverá conduzir processo de estruturação nos estados e atrair novos quadros que oxigenem o partido

A virada de Aécio Neves (PSDB) sobre Marina Silva (PSB) com votação acima do que previam as pesquisas deu um novo status para o senador mineiro. Aécio entra no segundo turno muito mais forte do que quando chegou à disputa. Aliados acreditam que sua eventual eleição seria o grande galvanizador de um processo de renovação e fortalecimento do partido. Existe uma avaliação interna de que o partido precisa se fortalecer em diversos estados, principalmente da região Nordeste.

A falta de estrutura em algumas regiões é apontada como um problema sério para o partido. Para aliados, a força da estrutura em São Paulo foi o grande sustentáculo da reação de Aécio. Tucanos entendem que, se ganhar a eleição, Aécio deverá naturalmente estimular a adesão de novos quadros e também atrair o interesse dos mais jovens, o que promoveria uma necessária renovação dos quadros. O PSDB tem sofrido com a falta de renovação, o que tem comprometido a competitividade do partido em alguns estados. Ainda que não ganhe, Aécio se consolida como uma liderança de peso nacional, e poderia estimular a renovação.

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Aécio Neves (PSDB) comemora chegada ao segundo turno das eleições presidenciais em Belo Horizonte neste domingo (05)
Divulgação/PSDB
Aécio Neves (PSDB) comemora chegada ao segundo turno das eleições presidenciais em Belo Horizonte neste domingo (05)


Tucanos paulistas têm feito muitos elogios à postura de Aécio durante a disputa. Ele encantou muitos colegas de partido que no passado o viam com desconfiança. Segundo aliados, ele foi capaz de fazer algo que Geraldo Alckmin e José Serra não fizeram no passado: unir o PSDB. E é essa união que é apontada como uma dos fatores mais importantes para ultrapassar a fase mais crítica da campanha, quando o senador mineiro apareceu 20 pontos atrás de Marina.

Nessa fase, Aécio conseguiu manter o alto astral e não se deixou contaminar pelo pessimismo de alguns aliados que pareciam desanimados com a queda do senador mineiro a partir da entrada de Marina na disputa. Fez piada com as dificuldades e soube se manter como uma alternativa viável para o momento em que a candidatura de Marina ruiu. Ainda que admitam que foi o PT o grande responsável pela queda da candidata do PSB, tucanos creem que Aécio fez bem sua parte. Criticou Marina na medida certa, sem parecer arrogante ou excessivamente agressivo.

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Reestruturação

Além de contribuir com a atração de novos quadros, Aécio é apontado também como alguém capaz de promover um processo de descentralização do PSDB. O partido é considerado muito bem estruturado e forte em estados como São Paulo e Goiás, mas ainda patina no Rio de Janeiro, Minas Gerais, onde as vitórias recentes são mais atribuídas à força de determinados quadros do que à capacidade do partido em ser competitivo, e no Nordeste.

Aliados reconhecem que Aécio tem demonstrado grande interesse em promover também um “choque de gestão” interna e investir na estruturação do partido no país todo para garantir que as novas lideranças que surjam possam ter uma estrutura adequada para disputar. Ou seja, a renovação dos recursos humanos deve caminhar junto com o fortalecimento da estrutura.

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