FHC foi o grande avalista de Aécio, afirma jornalista Jorge da Cunha Lima

Por Vasconcelo Quadros , iG São Paulo |

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Para o escritor e ex-secretário de Cultura de São Paulo, senador mineiro acertou ao não esconder o ex-presidente, como fizeram outros tucanos em eleições passadas

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O jornalista Jorge da Cunha Lima

O ex-secretário de Cultura de São Paulo, jornalista, escritor e blogueiro do iG, Jorge da Cunha Lima, disse que o grande avalista da candidatura e da campanha do senador Aécio Neves no primeiro turno foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Segundo ele, FHC não só articulou nos bastidores os palanques para Aécio no País como teve papel fundamental no empenho do PSDB de São Paulo – maior colégio eleitoral do país – para que Aécio fosse assimilado pelos paulistas.

“O papel relevante na campanha do Aécio foi do Fernando Henrique Cardoso. Ele esteve presente, confiante (no sucesso do candidato tucano) e dando diretrizes à campanha. E Aécio não caiu na bobagem de ‘aposentar’ o Fernando Henrique. Ao contrário: aproveitou os valores e usou o ex-presidente como alicerce”, disse Cunha Lima.

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Aécio, segundo Cunha Lima, retribuiu, ouvindo os conselhos do ex-presidente que, em três eleições anteriores (2002, 2006 e 2010), foi praticamente escondido por José Serra e pelo governador Geraldo Alckmin. Os dois acabaram permitindo as vitórias do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por duas vezes e, depois, de Dilma Rousseff.

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O grande legado de FHC – estabilidade econômica, controle da inflação, lei de responsabilidade fiscal e os programas sociais que o PT ampliaria, como o Bolsa Família –, segundo o ex-secretário de Cultura do governo paulista, foi ignorado pelos ex-candidatos tucanos.

Fernando Henrique deverá ter um papel importante nas articulações de segundo turno, travando com Lula uma batalha paralela, nos bastidores, em busca dos apoios aos candidatos do PSDB e PT nesse segundo turno. Nas disputas presidenciais, Lula perdeu duas vezes para FHC, que em 1998 foi reeleito no primeiro turno, feito jamais repetido nos últimos quatro pleitos.

Ao lado de Aécio no último debate presidencial, o da TV Globo, na quinta-feira que antecedeu ao pleito, Fernando Henrique disse em entrevista não ter dúvida de que, se eleito, o candidato tucano levará em conta seus conselhos. Aécio retribuiu agradecendo, ao vivo, a presença do ex-presidente, para quem pediu aplausos da plateia, mesmo sabendo que receberia – como recebeu – um pito do apresentador e mediador William Bonner.

Fernando Henrique já “cobrou” de Marina Silva, do PSB, a reciprocidade ao que os tucanos fariam caso ela fosse vitoriosa na disputa pelo segundo lugar. Durante a campanha, ele fez questão de frisar que, se a candidata do PSB vencesse, o PSDB, em peso, deveria apoiá-la. Aécio, entretanto, chegou a declarar publicamente que o caminho do PSDB seria a oposição.

“Ele (FHC) sempre pediu reciprocidade entre os dois (Aécio e Marina)”, disse Cunha Lima. Ele acha que o eleitor de Marina migrará em massa para o candidato tucano, embora não descarte que setores importantes do partido, como o liderado pelo presidente da legenda, Roberto Amaral, tenham compromisso com Lula.

“Acho que o eleitor de Marina irá com Aécio”, disse Cunha Lima. Ele lembrou que, se Marina tivesse chegado ao segundo turno, ao PSDB não restaria outro caminho senão apoiá-la.

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