Dilma e Aécio se lançam na corrida pelos votos de Marina Silva

Por Luciana Lima, Marcel Frota e Vasconcelo Quadros - iG Brasília e iG São Paulo |

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Mesmo com possibilidade de Marina permanecer neutra, tucanos e petistas buscam caminhos para atrair eleitores dela

Embora evitem alimentar a esperança por uma declaração formal de apoio, as campanhas da presidente Dilma Rousseff e do senador Aécio Neves não esperaram as urnas esfriarem para correr atrás dos votos da ex-senadora Marina Silva. Na noite de ontem, as duas campanhas iniciaram uma movimentação em busca dos eleitores que endossaram a candidata do PSB. Do lado petista, o discurso é o de que Marina tem origem no PT e afinidade programática com a atual administração, por isso deveria apoiar Dilma. Do lado tucano, a tese é que Marina compartilha da ideia de uma mudança no comando do Palácio do Planalto e, por isso, seus eleitores devem aderir ao projeto de Aécio.

Cientes de que Marina pode repetir o gesto de 2010 e optar pela neutralidade, as duas campanhas apoiam em parte suas estratégias no assédio direto ao PSB. Interlocutores de Dilma telefonaram ontem mesmo ao presidente do partido, Roberto Amaral, na esperança de abrir as conversas. “Sempre estivemos juntos, temos uma relação próxima. É um contato feito de pessoas do PT com o PSB”, disse o ministro de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, ao justificar a aproximação.

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Vagner Campos/ MSILVA Online
Dilma Rousseff e Aécio Neves estão de olhos nos 22 milhões que Marina Silva teve no primeiro turno


O PSDB de Aécio usa o mesmo raciocínio para justificar a decisão de abordar o PSB. Só que, nesse caso, a prioridade é fazer essa aproximação em São Paulo, onde os socialistas não só mantêm uma relação próxima com os tucanos, como indicaram o vice na chapa de reeleição do governador Geraldo Alckmin. O deputado Márcio França, escolhido companheiro de chapa de Alckmin a contragosto de Marina, será peça-chave da estratégia de Aécio.

O plano da campanha tucana é montar uma frente anti-PT. Nas palavras do coordenador da campanha de Aécio, José Agripino Maia (DEM-RN), é “buscar o apoio de todos aqueles que se posicionam contra o petismo”.

Nessa conta, o PSDB pode buscar ainda um reforço em nomes como o candidato derrotado do PV, Eduardo Jorge, que virou estrela da campanha nas redes sociais e já foi secretário do Verde e Meio Ambiente na administração do tucano José Serra em São Paulo. Só que Jorge também foi integrante da administração de Marta Suplicy (PT), também na capital paulista.

Veja como foi o dia de votoção do primeiro turno no Brasil: 

Dilma Rousseff, presidente e candidata à reeleição pelo PT, vota na manhã deste domingo em Porto Alegre. Ela foi a primeira presidenciável a votar (5/10). Foto: Felipe Dana/APV da vitória de Dilma Rousseff na urna em Porto Alegre (5/10). Foto: Paulo Whitaker/ReutersDilma exibe comprovante de votação (5/10). Foto: Paulo Whitaker/ReutersTarso Genro, candidato do governo do Rio Grande do Sul pelo PT, acompanhou Dilma Rousseff na votação (5/10). Foto: Paulo Whitaker/ReutersDilma, na companhia do neto Gabriel, pega voo para Brasília depois de votar em Porto Alegre (5/10). Foto: Paulo Whitaker/ReutersAécio Neves, presidenciável pelo PSDB, acompanha Antonio Anastasia e Pimenta da Veiga, candidatos ao senado e ao governo de Minas o mesmo partido (5/10). Foto: Leo Lara/Coligação Todos por MinasAécio Neves, candidato à Presidência pelo PSDB, vota ao lado da mulher Letícia em Belo Horizonte (5/10). Foto: Washington Alves/ReutersAécio Neves, candidato à Presidência pelo PSDB, em votação em Belo Horizonte (5/10). Foto: Agência BrasilDepois de votar, Aécio Neves posa para fotos no Colégio Estadual Central, em Belo Horizonte (5/10). Foto: Alberto Wu/Futura PressMarina Silva posta foto em sua página no Facebook a caminho da votação em Rio Branco, no Acre (5/10). Foto: Facebook/Marina SilvaMarina Silva, candidata à Presidência pelo PSB, posa para fotos depois de votar em Rio Branco, no Acre (5/10). Foto: Sergio Moraes/ReutersMarina Silva dá beijo no pai, Pedro Augusto Silva, em seu colégio eleitoral em Rio Branco (5/10). Foto: Sergio Moraes/ReutersMarina Silva está acompanhada pelo pai e pelo marido Fabio Vaz na votação (5/10). Foto: Sergio Moraes/ReutersMarina Silva e seu já tradicional coraçãozinho depois de votação na sede do Incra, em Rio Branco, no Acre (5/10). Foto: Andre Penner/APNo dia da eleição, presidente e candidata à reeleição pelo PT Dilma Rousseff toma café da manhã com políticos em Porto Alegre (5/10). Foto: Fernando Teixeira/Futura PressEduardo Jorge vai de bicicleta até o seu colégio eleitoral. Ele concorre à Presidência pelo PV (5/10). Foto: Reprodução/TwitterLuciana Genro, candidata à Presidência pelo PSOL, vota na Escola Estadual Apeles, no bairro Santana, em Porto Alegre (5/10). Foto: Jovanir Medeiros/Futura PressLula chega ao seu colégio eleitoral para votação em São Bernardo do Campo, na Grande ABC, ao lado de Padilha, petista candidato ao governo do estado (5/10). Foto: Ana Flavia Oliveira/iGEx-presidente Lula faz sinal de positivo depois de votar em São Bernardo do Campo (5/10). Foto: Nelson Antoine/APFernando Pimentel, candidato ao governo de Minas Gerais pelo PT, faz tradicional V da vitória depois de votar nesta manhã (5/10). Foto: Facebook/Fernando PimentelPaulo Câmara, candidato do governo de Pernambuco pelo PSB, vota na companhia de família de Eduardo Campos (João, filho de Campos é visto ao fundo) (5/10). Foto: Agência BrasilAcompanhado pela mulher, familiares e partidários, Geraldo Alckmin chega para votar no colégio Santo Américo, em São Paulo (5/10). Foto: Vitor Sorano/iGJosé Serra, candidato do Senado pelo PSDB, vota em São Paulo (5/10). Foto: Carolina Garcia / iG Serra, candidato do senado pelo PSDB em São Paulo, com a neta Gabriela em seu local de votação (5/10). Foto: Carolina Garcia / iG Serra recebe o carinho de eleitora depois de votar na manhã deste domingo (5/10). Foto: Carolina Garcia / iG Alckmin e Serra posam para fotos depois de votação em São Paulo (5/10). Foto: Vanderlei Preite Sobrinho/iGFamília de Skaf reunida na votação do candidato do governo de São Paulo pelo PMDB (5/10). Foto: Vitor Sorano/iGSkaf oferece pipoca para garoto que declarou apoio ao candidato do PMDB e arrancou risos ao dizer que votaria nele (5/10). Foto: Vitor Sorano/iGAo lado da família, Skaf segue para a escola Britânica, no Jardim Paulistano, seu local de votação (5/10). Foto: Vitor Sorano/iGSkaf, candidato ao governo de São Paulo pelo PMDB, também tem a companhia do neto no dia de votação (5/10). Foto: Vitor Sorano/iGAlexandre Padilha, candidato do PT ao governo de São Paulo, vota no colégio Caetano de Campos, na praça Roosevelt, na capital paulista (5/10). Foto: Alex Falcão/Futura PressPadilha, que concorre ao governo de São Paulo pelo PT, faz pose para fotos depois da votação (5/10). Foto: Ana Flavia Oliveira/iGDepois de votar, Padilha faz uma pequena caminhada ao lado da esposa e de Suplicy, candidato ao Senado pelo PT (5/10). Foto: Ana Flavia Oliveira/iGPadilha, candidato ao governo de São Paulo pelo PT, se reúne com cúpula do partido para café da manhã no Hotel Braston antes da votação (5/10). Foto: Bruno Winckler/iGLuiz Fernando Pezão, governador e candidato à reeleição pelo PMDB no Rio de Janeiro, vota no bairro de Ribeirão das Lajes, em Piraí, no Sul Fluminense (5/10). Foto: Lucas Figueiredo/Pezao 15Lindberg Farias, candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PT, vota ao lado da família (5/10). Foto: Tasso Marcelo/Fotos PúblicasGarotinho, candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PR, vota na cidade de Campos por volta das 10h (5/10). Foto: Inácio Teixeira/ CoperphotoMarcelo Crviella, que concorre ao governo do Rio de Janeiro pelo PRB, vota no Clube Marimbás, junto ao Forte de Copacabana (5/10). Foto: Murilo Rezende/Futura PressPrefeito do Rio de Janeiro conversa com mesário antes de votar na capital fluminense (5/10). Foto: Thiago Mattos/AgNewsEduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, faz pose depois de votar (5/10). Foto: Thiago Mattos/AgNewsRomário, candidato ao senado no Rio de Janeiro pelo PSB, vota no Colégio Joseph Bloch, em Parada de Lucas (5/10). Foto: Jadson Marques/Futura PressSuplicy, candidato ao senado em São Paulo, em sua seção eleitoral no Jardim Paulistano, na capital paulista (5/10). Foto: Bruno Winckler/iGKassab, candidato do Senado em São Paulo pelo PSD, vota na capital paulista (5/10). Foto: André Lucas Almeida/Futura PressPaulo Skaf, candidato ao governo de SP pelo PMDB, e Michel Temmer, vice presidente, acompanham Kassab, que concorre ao Senado, em seu local de votação (5/10). Foto: Vitor Sorano/iGVice-presidente Michel Temmer vota em São Paulo (5/10). Foto: Vitor Sorano/iGCandidato do PMDB ao governo de Goiás,  Iris Rezende vota às 10h10 deste domingo no Colégio Marista, no Setor Marista, em Goiânia (5/10). Foto: Leandro Vieira/Coligação Amor Por GoiásGleisi  Hoffmann, candidata do governo do Paraná pelo PT, vota em Curitiba na manhã deste domingo (5/10). Foto: Wilson Pedrosa/Fotos PúblicasCesar Maia, candidato ao senado no Rio de Janeiro, em seu local de votação (5/10). Foto: Carlos Monteiro/Futura PressPaulo Souto, candidato a governador da Bahia pelo DEM, esquece documento na hora da votação. Ele buscou o documento e votou meia hora depois (5/10). Foto: Romildo de Jesus/iG Bahia

Acenos

Ontem, o discurso dos dois presidenciáveis diante do resultado deu o tom que será seguido nos próximos dias por seus interlocutores. “Convido partidos, lideranças, mulheres, jovens, negros, todos os brasileiros e brasileiras a estarem conosco”, afirmou Dilma. “Esses que historicamente sempre estiveram conosco e que, por qualquer motivo, nos últimos 12 anos ganharam forca e representatividade, porque ganharam direitos, renda e novas oportunidades, que se juntem a nós nesta caminha que já começou”, emendou.

Aécio, por sua vez, ressuscitou o “legado” de Eduardo Campos e do PSB. Disse claramente que quer o apoio dos socialistas e prometeu resgatar os “ideais e sonhos” do ex-governador de Pernambuco. Ele lembrou a famosa frase do avô, Tancredo Neves, que logo depois da campanha das Diretas-já, com uma frase emblemática _ “Não vamos nos dispersar!” – exortou os partidos e a população a caminharem a seu lado para derrotar o candidato do regime militar no Colégio Eleitoral e assim – como de fato aconteceu – por fim a ditadura.

Veja também: Marina sinaliza apoio a Aécio, mas diz que decisão ainda será discutida

A expectativa é que ele e outros partidos pequenos anunciem apoios a partir de hoje. Especialistas especulam que, entre os que têm representação no Congresso, PSC e PRTB, podem fechar com Aécio; PSOL deve ficar neutro; e, o PV poderia apoiar Dilma. Entre os que só tiveram acesso ao horário eleitoral gratuito, o PCO poderia ficar neutro, PCB, e PSTU podem aliar-se ao PT.

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