Mesmo vivendo a pior crise hídrica em décadas e o aumento de índices de violência, tucano deve permanecer mais quatro anos no governo de São Paulo, como apontam pesquisas

Como indicam os principais institutos de pesquisa, o atual governador  e candidato do PSDB à reeleição, Geraldo Alckmi n, deve confirmar neste domingo (05) o favoritismo que o manteve liderando a corrida ao Palácio dos Bandeirantes durante toda a campanha, ganhando o governo de São Paulo já no primeiro turno. Mesmo que o embate vá para uma improvável segunda etapa, o tucano será novamente franco favorito.

A eventual vitória dará ao atual governador mais quatro anos a frente do governo do maior Estado do País, confirmando mais uma vez a supremacia que o PSDB tem entre os eleitores paulistas há duas décadas. Com isso, o partido conquistará o seu sexto mandato seguido no comando de um colégio eleitoral com 32 milhões de votos.

Alckmin deve continuar mais quatro anos no governo de São Paulo, indicam institutos de pesquisa
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Alckmin deve continuar mais quatro anos no governo de São Paulo, indicam institutos de pesquisa

Os principais adversários - Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT) - não chegaram em nenhum momento a ameaçar a liderança de Alckmin. As pesquisas de intenção de votos, em maior ou menor grau, sempre indicaram provavel vitória do tucano já no primeiro turno.

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Os primeiros levantamentos do Datafolha após a consolidação dos concorrentes (divulgadas entre 17/07 e 15/08) indicavam Alckmin oscilando entre 55 e 53% das intenções de voto. Enquanto Skaf batia em 16% e Padilha patinava em 5%. Com o início da campanha eleitoral gratuita (19/08) no rádio e na TV, os adversários começaram a subir e o tucano chegou a perder quatro pontos percentuais, segundo pesquisa Datafolha de 10 de setembro, e foi a 49%. Skaf, neste período, saltou para 22%, patamar em que permaneceu até o levantamento do dia 1º de outubro, quando ganhou um ponto percentual.

Já o candidato do PT ganhou cinco pontos percentuais ao longo da campanha, mas só conseguiu atingir 10% das intenções de voto nas pesquisas de 1º de outubro.

Atualmente, como mostrou o instituto Datafolha, na útlima quinta-feira (02), o atual governador tem 50% das intenções de voto, com Skaf, em segundo, com 22% e Padilha, alcançando 11%.

Ameaças

Para tentar derrubar o tucano, os oponentes apostaram nos calcanhares de aquiles do governador, como histórica crise hídrica, os problemas da segurança pública e as denúncias de formação de cartel para compra e reformas de trens do Metrô e na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Todos essas questões se mostraram inócuas para atingir o poderoso capital eleitoral tucano. 

Quando se viu ameaçado com a perda de pontos importantes, a campanha de Alckmin atacou Skaf, aliando-o a nomes como o do ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho, que comandou o Estado entre 1990 e 1994 e é um dos coordenadores da campanha peemedebista, o ex-prefeito da capital e candidato ao Senado do PSD, Gilberto Kassab, e também ao deputado-federal Paulo Maluf, acusado de corrupção e improbidade administrativa. A estratégia funcionou e freiou o crescimento do peemedebista, que estacionou na casa dos 22%.

Já o petista, que foi ministro da Saúde, mas era completo desconhecido da maioria dos paulistas, também não conseguiu decolar e nem se tornar uma ameaça real ao tucano, mesmo com cabos eleitorais de peso, como o ex-presidente Lula e a atual chefe do executivo nacional, Dilma Rousseff, que também tenta a reeleição.

Histórico

Hoje com 61 anos, Alckmin nasceu em 7 de novembro de 1952. O tucano começou sua trajetória política como vereador em Pindamonhagaba, em 1973. Ele foi prefeito da cidade e depois foi eleito deputado estadual e federal, em 1987.

Depois de ser presidente estadual do PSDB, ele foi convidado por Mário Covas para ser vice em sua chapa. Covas foi eleito e ele exerceu a função até 2001, quando assumiu o governo pela primeira vez quando Covas deixou o cargo devido a um câncer. No mesmo ano, ele tentou a reeleição e ganhou. Ele ficou no governo até 2006, quando saiu para concorrer à Presidência da República, sendo derrotado pelo ex-presidente Lula (PT).

Alckmin voltou a comandar o Estado de São Paulo em 2001, após receber 11.519.314 votos, equivalente a 50,63% do total de votos válidos no primeiro turno e derrotar o atual ministro chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

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O atual mandato dele foi marcado por críticas a gestão da segurança pública, com sua atuação sendo contestada até mesmo por policiais militares e civis. O número de roubos e assaltos aumentou no Estado.

Violento, o ano de 2012 foi marcado por uma guerra entre PCC e políciais e terminou com saldo de 4.836 pessoas assassinadas (15% a mais que no ano anterior). Deste total, 106 eram policiais. Neste ano, as críticas também se voltaram para a Polícia Militar. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, 323 pessoas foram mortas em confronto com a polícia - aumento de 40% em relação ao ano anterior. As mortes leveram o governador a demitir o secretário da pasta Antonio Ferreira Pinto e nomear o atual, o promotor Fernando Grella.

Acusações de truculência da Polícia Militar também tomou conta dos noticiários durante as manifestaçoes de junho do ano passado, pela revogação da tarifas. Em diversas ocasiões, policiais foram acusados de uso excessivo da força para conter os manifestantes. As jornadas de junho terminaram com a regovação do aumento das tarifas de R$ 3,20 para R$ 3. Apesar de a imagem dos prefeitos das principais capitais e de governos estaduais e federal terem sido afetadas, Alckmin passou ileso pelo episódio.

O governador também passou incólume por problemas de falta d'água e uma crise hidríca histórica, com baixos níveis dos reservatórios, que abastecem a Grande São Paulo. Repetidamente, Alckmin tem culpado a falta de chuvas pela crise e para evitar o desabastecimento real autorizou obras, que permitiram o uso da reserva técnica, o chamado volume morto do Sistema Cantareira.

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Outra crise que marcou a sua gestão foram as denúncias de formação de cartel em concorrência para compras e reformas de trens do Metrô e da CPTM, praticadas a partir de 1995. A Polícia Federal indiciou 17 pessoas, entre elas o vereador tucano Andrea Matarazzo, que foi secretário Estadual de Energia. Pedidos para abertura diversas CPIs (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre o tema nunca foram para frente, sendo barradas pela forte base aliada do governo na Assembleia Legislativa.

Desta maneira, Alckmin construiu sua base eleitoral forte no Estado, capaz de elegê-lo logo no primeiro turno no principal colégio eleitoral do País, o encorajando a alcançar voos mais altos nos próximos pleitos. 

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