Questionada sobre quem prefere enfrentar depois de votar no Rio Grande do Sul, a então presidente e candidata à reeleição respondeu: "Quem tem que preferir é o povo"

Reuters

Os três principais candidatos à Presidência, Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB), votaram na manhã deste domingo (5) em uma eleição marcada pela indefinição do adversário da atual presidente em um eventual segundo turno, depois que as últimas pesquisas mostraram o tucano e a ex-senadora em empate técnico em segundo lugar, com Dilma em primeiro.

Dilma foi a primeira dos três a votar, em Porto Alegre, mostrando bom humor e chegando a fazer o sinal de vitória. A presidente e candidata à reeleição reconheceu que trabalha com a definição da disputa presidencial em dois turnos.

"A hipótese que eu tenho trabalhado desde o início da eleição é de dois turnos. O resto, só as urnas vão definir o que acontecerá", disse Dilma, que votou vestida de vermelho e acompanhada do candidato à reeleição ao governo do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT).

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Questionada sobre qual candidato prefere enfrentar na segunda rodada de votação, Dilma afirmou que "quem tem que preferir é o povo". Depois de votar na capital gaúcha, Dilma seguiu para Brasília, onde vai acompanhar o desenrolar da eleição.

Aécio votou em Belo Horizonte, também sorridente, e vestido de camisa azul. O ex-governador de Minas Gerais demonstrou confiança e posou para fotos fazendo sinais de positivo e de vitória, e declarou nunca ter deixado de acreditar que estaria no segundo turno.

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"Eu nunca perdi a confiança, porque sempre compreendi que temos o melhor projeto para o Brasil, porque o sentimento de mudança que permeia a sociedade brasileira --e ele é amplo-- na verdade pressupõe não apenas a derrota do PT, que é essencial, mas a introdução de um projeto capaz de permitir o Brasil voltar a crescer", afirmou Aécio em entrevista coletiva.

Também pela manhã, Marina votou em Rio Branco, no Acre, ao lado de familiares. Vestida de amarelo, a candidata estava bastante sorridente, fazendo o sinal de vitória mesmo antes de votar. Ela chegou à sala por volta de 10h35 no horário de Brasília, 8h35 no Acre, portanto, logo após abertura das urnas no Estado.

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A ex-ministra do Meio Ambiente usou o cadastramento biométrico. A primeira tentativa não funcionou, mas na segunda, com o dedo indicador, não teve problemas.

Marina, terceira colocada na disputa presidencial de 2010, demonstrou confiança que dessa vez estará no segundo turno. "Estou confiante de que estaremos no segundo turno, se Deus quiser, e o povo brasileiro", disse ela em entrevista coletiva.

Questionada por jornalistas sobre eventuais alianças no segundo turno, a candidata limitou-se a responder que "segundo turno se discute no segundo turno".

Reviravoltas

Quase 143 milhões de brasileiros estão habilitados a votar neste domingo para escolher o próximo presidente, na eleição mais acirrada dos últimos tempos, marcada por duas grandes reviravoltas.

A primeira ocorreu em meados de agosto com a trágica morte de Eduardo Campos, então candidato do PSB à Presidência, e a entrada como um furacão de Marina em seu lugar. Em poucos dias, a ambientalista encostou em Dilma nas intenções de voto e jogou Aécio para um distante terceiro lugar.

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A segunda grande virada desta campanha, que precisa ser confirmada pelas urnas, é a volta de Aécio ao segundo lugar, ultrapassando Marina na reta final na briga por uma vaga na segunda rodada de votação contra Dilma.

Pesquisas Datafolha e Ibope divulgadas na véspera da eleição mostraram que, embora a situação ainda seja de empate técnico entre Marina e Aécio, houve uma inversão na disputa pelo segundo lugar no primeiro turno, e o candidato tucano passou a ter vantagem numérica sobre a ex-ministra.

Após votar em São Bernardo do Campo (SP), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse acreditar que a disputa no segundo turno será mesmo entre Dilma e Aécio, repetindo a polarização entre PT e PSDB das últimas eleições presidenciais.

"O Aécio acho que vai (para o segundo turno)", disse Lula a jornalistas. "Porque são duas forças políticas muito fortes, você não inventa candidatura de última hora... Quando começa o jogo para valer tem que ter time para colocar em campo."

O também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que as chances de o candidato tucano passar para o segundo turno "são enormes", após registrar seu voto em São Paulo.

Votação tranquila

A reeleição de Dilma representaria um quarto mandato consecutivo do PT na Presidência, após dois governos de Lula, o que torna a votação uma espécie de referendo sobre a continuidade ou não do partido no poder.

"Eu pensei bem sobre os candidatos e queria alguém que pudesse resolver o problema da violência. Votei na Marina. Acho que a Dilma já deu. As coisas que prometeu, não fez", disse a baiana Rosilene Silva de Jesus, de 29 anos, moradora da favela Paraisópolis, em São Paulo.

Eleitores que disseram votar em Dilma apontaram benefícios do governo nos últimos anos.

"Vou votar na Dilma. Acho que o voto não é apenas individual, é coletivo, e muitas pessoas tiveram benefícios no governo dela", disse a estudante carioca Agatha Mandarino, de 17 anos, que vai votar pela primeira vez.

"Me incomoda saber que tem muita enganação no país, mas de certa forma o Brasil funcionou nos últimos 10 anos. Espero que no próximo governo o Brasil ingresse de vez nessa história de que somos a bola da vez", acrescentou.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que o primeiro turno das eleições teve um início tranquilo e sem maiores problemas, embora tenham sido registradas ocorrências isoladas.

De acordo balanço do tribunal, três candidatos e 11 pessoas foram presas em flagrante comprando votos, o que configura crime eleitoral. Ao todo, 226 pessoas e 22 candidatos foram presos sob acusações de crime eleitoral, prática que também inclui boca de urna, fornecimento ilegal de alimentos, transporte ilegal de eleitores, entre outros.

De acordo com o presidente do TSE, Dias Toffoli, as filas que se formaram em algumas seções ao redor do país, em parte por problemas na identificação biométrica dos eleitores, não devem atrasar a apuração dos votos.

Toffoli descreveu a votação deste domingo como a "mais tranquila desde a redemocratização", em 1989.

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