Na região Nordeste, situação pode perder em sete dos nove Estados

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo |

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Pesquisas de Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Bahia apontam apostas em mudanças

As intenções de voto dos eleitores do Nordeste, segundo dados divulgados pelo Ibope, mostram que o comando de sete entre nove Estados pode ser trocado neste domingo (5). A região tem o PMDB com maior influência. A candidatura da situação pode perder nos seguintes locais: Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Bahia. Somente em Pernambuco e Sergipe os candidatos favoritos são apoiados pelo atual governo.

Reprodução
Nordeste: previsão de mudança em 2015

No Maranhão, Lobão Filho (PMDB), candidato da correligionária e atual governadora Roseana Sarney, está em segundo lugar, com 38% das intenções de voto, 21 pontos percentuais atrás de Flavio Dino (PCdoB), com 59%. Em um hipotético segundo turno, o comunista venceria o peemedebista por 50% a 33%. 

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Embora possa vencer até no primeiro tuno, Flavio Dino chegou a ter 38 pontos de vantagem em relação ao rival na amostragem do dia 25 de junho. O comunista acabou mal depois de ser acusado de ser o nome por trás de uma denúncia anônima que acusava Lobão de transportar dinheiro ilegal em seu avião de campanha. Por outro lado, Dino acusa o adversário de "baixaria" no Dia dos Pais. Perfis fakes de apoio a Lobão no Twitter fizeram piada com a morte do filho de Flavio Dino, vítima de erro médico. "Feliz Dia dos... #SQN", dizia um tuite.

No Estado, o PMDB é favorito a ficar com a vaga no Senado: Gastão Vieira recebe 51% das menções, bem a frente de Roberto Rocha (PSB), com 40%.

Piauí

Atual governador do Estado, o peemedebista Zé Filho está com 31% das intenções de voto. A diferença para Wellington Dias (PT), com 57%, é tamanha que o Ibope nem simulou segundo turno, uma vez que o terceiro colocado, Maklandel (PSOL), está longe, com 4%.

A campanha no Estado começou confusa. O PMDB lançou o deputado federal Marcelo Castro, que acabou abandonando a disputa em nome do governador, que assumiu o comando do Estado depois que o titular Wilson Martins (PSB) renunciou ao cargo para disputar o Senado. Durante a campanha, Zé Filho acabou rompendo com a presidente Dilma Rousseff e declarando voto em Aécio Neves (PSDB).

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Além de colocar Zé Filho na segunda colocação, a má avaliação do governo também atingiu o antigo governador, em segundo na disputa pelo Senado, com 31T. A corrida é liderada por Elmano, do PTB, hoje com 46% da preferência.

Ceará

A situação também pode perder no Ceará, onde o petista Camilo Santana - apadrinhado pelo governador Cid Gomes (PROS) - marca 38% das intenções de voto, atrás do peemedebista Eunício Oliveira, que surge com 43%. Se o segundo turno fosse disputado hoje, o líder nas pesquisas venceria por 46% a 40%.

Durante a campanha, Eunício ajudou a desidratar Camilo ao acusá-lo de participar do desvio de verba que seria destinada à construção de kits sanitários para a população carente. A curva atual, porém, é de crescimento para Camilo.

A família Gomes também pode sofrer derrota na disputa pela cadeira cearense no Senado. O candidato de Cid e Ciro Gomes, Mauro Filho (PROS), tem 24% das intenções de voto, longe do ex-governador tucano Tasso Jereissati, hoje com 57%.

Rio Grande do Norte

A atual governadora do Estado, Rosalba Ciarlini Rosado (DEM), não conseguiu alavancar a candidatura de seu vice, Robinson Faria (PSD), no momento com 31% das menções. Quem lidera é o atual presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB), com 38% das intenções. Em caso de segundo turno, no entanto, o resultado é incerto: ambos aparecem empatados com 40%.

Henrique chegou rápido ao patamar de 40%, mas Robinson começou a crescer nas pesquisas depois que o presidente da Câmara foi citado no escândalo da Petrobras. O candidato da situação também cresceu depois que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estreou em sua campanha na televisão.

É no Rio Grande do Norte que se trava a disputa mais acirrada pelo Senado: Vilma Maria de Faria (PSB) e Fátima (PT) aparecem empatadas. As duas têm 35% das intenções de voto cada, enquanto os demais candidatos têm até 1%.

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Paraíba

O senador Cassio Cunha Lima (PSDB) é o favorito ao governo da Paraíba. Com 42% das intenções de voto, ele deixa o governador Ricardo Coutinho (PSB) em segundo lugar, com 37% das citações. Apesar disso, o peessebista vem crescendo. O tucano perdeu cinco pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, enquanto Coutinho cresceu quatro pontos.

Ele melhorou na corrida depois de colocar em dúvida os gastos de R$ 11 milhões do tucano com aluguel de jatinhos e pagamento de passagens aéreas, assunto explorado no programa eleitoral e nos debates. Já o senador tenta frear o avanço do rival dizendo que o atual ocupante do cargo tem "estilo autoritário" e pouco democrático.

"Como o candidato do PSDB tem 42% das intenções de voto, contra 43% da soma das menções dos demais candidatos, não é possível afirmar se a eleição vai para o segundo turno", justifica o Ibope para não fazer a simulação.

Pela cadeira no Senado, o favorito é do PMDB: o ex-governador José Maranhão tem 35% das intenções de voto, distante de Wilson Santiago (PTB), com 17%, e Lucélio Cartaxo (PT), com 15%.

Alagoas

Destino similar pode ter a campanha ao governo de Alagoas, onde o candidato do governador Teotônio Vilela Filho (PSDB), o também tucano Julio Cezar, tem apenas 3% das menções do eleitorado. Quem lidera no Estado, com 43% das intenções de voto, é Renan Filho (PMDB), à frente de Biu Benedito de Lira (PP), hoje com 26%. Nesse cenário, Renan Filho sairia vitorioso com 47% no segundo turno, contra 29% das menções a Lira.

Renan pulou na frente da disputa logo cedo. Com 34 anos, foi exibido como gestor jovem e eficiente e conta com toda a estrutura preparada pelo pai, o presidente do Senado, Renan Calheiros. Com helicópteros, trios elétricos, militantes e o apoio de quase todos os prefeitos do Estado, Renan Filho caminha tranquilo para vencer. Biu tentou contar com o apoio de Marina Silva (PSB), mas a futura dona da Rede decidiu que não subiria na campanha do PP, cujo apoio foi costurado por Eduardo Campos quando ainda estava vivo.

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Caminhada parecida com a de Renan percorre o ex-presidente e senador Fernando Collor de Mello (PTB), que lidera a disputa para continuar representando Alagoas no Congresso. Com 41% das intenções, ele deixa para trás Heloísa Helena (PSOL) e seus 24% de menções.

Bahia

Outro Estado em que o governo pode perder é a Bahia. O candidato do governador Jaques Wagner (PT), o petista Rui Costa, permanece na segunda colocação ao avançar de 24% para 27% das menções desde o último levantamento do Ibope. Paulo Souto (DEM) mantém-se na liderança, com 43% das intenções – três pontos percentuais a menos que na pesquisa anterior.

Para liquidar a eleição no primeiro turno, Souto intensificou em sua campanha a utilização de uma denúncia de suposto esquema de desvios de recursos públicos de casas populares para o financiamento de candidaturas do PT no Estado.

O chamado “mensalinho baiano” deu o tom da campanha, mas perdeu força na reta final. Mesmo assim, o instituto prevê vitória do candidato do DEM no segundo turno: 46% a 31%.

A disputa será mais apertada pelo Senado. Os baianos dão 33% das suas intenções a Geddel Vieira Lima, do PMDB, enquanto Otto Alencar, do PSD, tirou cinco pontos em relação ao levantamento anterior e no momento é citado por 29% dos eleitores.

Sergipe

O atual governador Jackson Barreto (PMDB) tem 41% das intenções de voto, abrindo vantagem de oito pontos percentuais sobre o candidato Eduardo Amorim (PSC), que manteve 33% das menções. Na rodada anterior, ambos estavam empatados com 33% das citações. No segundo turno, o primeiro é citado por 42% dos eleitores, ao passo que o segundo é mencionado por 33%.

Com mais tempo de televisão, o governador mostrou realizações e caprichou no chamado "discurso do medo", ao insinuar que Amorin é o caminho "do ódio, desespero e desrespeito às famílias".

A campanha pelo Senado colocou a candidata à reeleição Maria do Carmo (DEM) em franco favoritismo. Na última pesquisa ela manteve o mesmo patamar de intenções de voto da rodada anterior, com 41%, mais do que o dobro das intenções do segundo colocado: o petista Rogério pulou de 13% para 20% das menções de uma pesquisa para outra.

Pernambuco

Reprodução/Facebook
João Campos participa de comício para o governo do Estado

Em Pernambuco, a situação quase se repetiu. Até a morte do ex-governador Eduardo Campos, em agosto, o líder nas pesquisas era o petebista Armando Monteiro. O avião em que Campos viajava caiu, o Estado entrou em comoção e o candidato do governo, Paulo Câmara (PSB), começou a subir. Com Marina Silva, a viúva e o filho de Campos no palanque, o cenário se consolidou.

Na última pesquisa, Câmara tinha variado positivamente três pontos percentuais e tem 42% das intenções de voto, enquanto Monteiro está com 34%. O candidato do PSB venceria com 43% das intenções de voto na simulação de segundo turno contra 34% do petebista.

Já para o senado o favorito é o petita João Paulo. Ele marca 36% das intenções de voto, pouco a frente do pessebista Fernando Bezerra Coelho, no momento com 30%.

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