Vitória de Dilma é a menor de um candidato no 1º turno desde Collor

Por BBC Brasil - Rafael Barifouse, em São Paulo | - Atualizada às

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Desempenho econômico do País e adesão de última hora ao candidato Aécio Neves atrapalharam resultado da petista

BBC

Ichiro Guerra/Dilma 13/Divulgação
Dilma Rousseff participa do último debate antes do primeiro turno, na TV Globo

Com os resultados divulgados neste domingo (5), Dilma Rouseff (PT) se tornou, com 41,6% dos votos, a candidata à Presidência que venceu o primeiro turno com a menor votação já registrada no Brasil desde 1989.

Naquela época, Fernando Collor, agora reeleito senador pelo PTB de Alagoas, ganhou o primeiro turno com 28,52% dos votos – depois, acabaria eleito com 53,03%, no segundo turno.

Desde então, todos os outros vencedores do primeiro turno das eleições presidenciais obtiveram uma votação mais expressiva do que os 41,58% conseguidos por Dilma na votação deste domingo.

Em 1994, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) se elegeu no primeiro turno com 54,28%. Quatro anos depois, venceu novamente em turno único com 53,06%.

Em 2002, Lula (PT) ganhou o primeiro turno com 46,44% – e, depois, se elegeria Presidente no segundo com 61,27% dos votos.

Lula voltou a vencer o primeiro turno em 2006, com 48,61%, e se reelegeu com 60,83% dos votos no segundo turno.

Há quatro anos, Dilma chegou à Presidência depois de vencer o primeiro turno com 46,91% e o segundo turno com 56,05%.

Aprovação e economia

Para o cientista político David Fleischer, da Universidade de Brasília (UnB), dois fatores foram decisivos para este resultado de Dilma, que representa uma diferença de cinco pontos percentuais entre suas votações no primeiro turno de 2010 e de 2014.

"A situação de antes e de hoje é bem diferente. O Brasil estava crescendo a 7%, e o presidente Lula tinha uma aprovação muito alta. Agora, a economia está patinando, e isso se reflete na aprovação da própria Dilma", diz Fleischer.

Orlando Brito/Coligação Muda Brasil/Divulgação - 2.10.2014
Aécio Neves participa do último debate, na TV GLobo, antes do primeiro turno

Já para Carlos Pereira, cientista político da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro, o que mais teve impacto neste resultado foi a votação recebida pelo candidato Aécio Neves (PSDB), que teve 33,5%, acima tanto das previsões das pesquisas realizadas durante a campanha do primeiro turno quanto da pesquisa de boca de urna do Ibope.

"As pesquisas não detectaram esse crescimento do Aécio, que conseguiu capturar o eleitor que estava indeciso, e isso o coloca como uma alternativa crível", afirma Pereira.

Segundo o analista, a votação mais baixa de Dilma, juntamente com um desempenho acima das expectativas de Aécio e o grande percentual de votos obtido por Marina Silva (PSB), de 21,3%, cria uma possibilidade de vitória para o candidato tucano.

"Agora, Aécio precisa convencer Marina Silva a fazer parte não só de seu governo, mas de um projeto de poder. Se conseguir isso, se tornará uma real ameaça ao PT."

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