Dilma: prova de fogo para sair da sombra de Lula e garantir mais 4 anos ao PT

Por Clarissa Oliveira e Luciana Lima - iG Brasília |

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Presidente ainda busca se validar junto ao seu próprio partido como ‘presidente capaz de andar com as próprias pernas’

Famosa pelas frases tortas e broncas memoráveis que costuma distribuir aos auxiliares, a presidente Dilma Rousseff passou os últimos dias esforçando-se para aliviar o clima de tensão ao seu redor. Desde que as pesquisas de intenção de voto começaram a mostrar uma queda acentuada da ex-senadora Marina Silva (PSB), a petista vem se mostrando aliviada e até chegou fazer algumas piadas durante as longas reuniões da coordenação da campanha presidencial petista, realizadas no Palácio da Alvorada. Quem acompanha de perto o dia-a-dia da presidente chega a descrevê-la como “curiosamente bem-humorada e espirituosa” nesta reta final do primeiro turno.

AP Photo/Felipe Dana
Presidente Dilma, candidata à reeleição, evitou perguntas a Marina em último debate

É uma Dilma diferente de semanas atrás, quando a presidente se mostrava tensa nas reuniões de campanha. Depois de uma largada em que se falava até mesmo na possibilidade de vitória no primeiro turno, a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos jogou a corrida para um cenário inimaginável. Por pelo menos alguns dias, dirigentes petistas chegaram a tratar a derrota para a ex-senadora Marina Silva como uma realidade. Faziam conjecturas sobre como seria a volta do PT para a oposição e o lançamento de uma candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2018.

Marina Silva provocou o que nem mesmo casos graves conseguiram, como as denúncias de corrupção na Petrobras e o escândalo envolvendo o ex-diretor Paulo Roberto Costa, que o adversário Aécio Neves (PSDB) batizou de “novo mensalão” – termo que não pegou na campanha. Passado o susto, porém, a campanha de Dilma reformulou a estratégia para enfrentar a candidata do PSDB e retomou aos poucos o clima de tranquilidade.

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A Dilma que se fez ver nesta semana é também diferente daquela que saiu vitoriosa das urnas em 2010. Mas foram necessários quatro anos de ajustes e acertos na relação com o PT e com sua própria equipe de governo para que ela pudesse ser vista numa mesa rodeada de líderes petistas, encaixando gracinhas e risadas entre análises de pesquisas e exposições do marqueteiro João Santana.

De lá para cá, contam aliados mais próximas, Dilma passou a se sentir mais confortável no papel de chefe de Estado e aprendeu a lidar melhor com as frustrações de não ver as coisas saírem como esperado. Embora ainda esteja longe do “ideal”, segundo os colegas, ela também melhorou na maneira de “fazer política”, principalmente na hora de lidar com outros partidos que integram a base aliada. A petista nunca escondeu a irritação em ter que abrir a agenda para esse tipo de aproximação. Mas, aos poucos, conformou-se com a necessidade de melhorar o diálogo – já prometeu publicamente, inclusive ao iG, que num eventual segundo mandato, esta será uma de suas mudanças pessoais mais significativas.

Veja imagens de Dilma Rousseff durante a campanha:

Dilma Rousseff faz carreata em São Paulo ao lado de Lula, Suplicy, Fernando Haddad e Alexandre Padilha (3/10). Foto: Ricardo Stuckert/PRPadilha, candidato ao governo de São Paulo pelo PT, acompanha Dilma em manhã de campanha em São José dos Campos (3/10). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma tira foto ao lado de Marcelo Negrão, medalhista de ouro com o vôlei nas Olimpíadas de Barcelona, em 1992, em encontro com atletas no Rio (30/9). Foto: Ichiro Guerra/PTDilma tem encontro com atletas no Rio de Janeiro (30/9). Foto: Ichiro Guerra/PTDilma faz campanha em Santos e na Baixada (30/9). Foto: Ichiro Guerra/PTDilma Rousseff (PT) faz campanha no bairro paulista do Campo Limpo com Alexandre Padilha, candidato petista ao governo de SP, e com o ex-presidente Lula (29/09). Foto: Divulgação/PTDilma Rousseff recebe apoio de eleitor durante caminhada e carreata em Belo Horizonte (29/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma elegeu Marina como seu alvo principal no debate, mas também atacou Aécio (28/9) . Foto: ReutersAo lado de Agnelo Queiroz, Dilma anda de BRT Expresso em Brasília e conversa com eleitores (27/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma recebe uma flor durante carreata em Feira da Santana, na Bahia (25/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma Rousseff,  candidata à reeleição  pelo PT, durante dia de campanha em Ribeirão das Neves, em Minas Gerais (22/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma Rousseff faz campanha em São Paulo ao lado dos petistas Alexandre Padilha, candidato ao governo, e Eduardo Suplicy, candidato ao Senado (20/9). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaDilma faz campanha ao lado de Marcelo Crivella, candidato ao governo do Rio de Janeiro pelo PRB, em Duque de Caxias (19/9)
. Foto: Ichiro Guerra/PTDilma posa para fotos durante campanha em Campinas, em São Paulo (17/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma tem dia de campanha em Campinas, interior de São Paulo, com carreata e encontro com intelectuais (17/9). Foto: Ichiro Guerra/PTDilma Rousseff, ao lado de Marina Silva e Aécio Neves, no debate na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, na cidade paulista de Aparecida (16/09). Foto: DIVULGAção/PSBEvento no Rio de Janeiro reúne artistas e intelectuais em apoio a Dilma Rousseff (16/9). Foto: Tasso Marcelo/Fotos PúblicasCantora Alcione cumprimenta Dilma no evento 'artistas de coração valente' (16/9). Foto: Tasso Marcelo/Fotos PúblicasAtor Chico Diaz também apoia a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição (16/9). Foto: Tasso Marcelo/Fotos PúblicasTeólogo Leonardo Boff, Dilma, Lula e a economista Maria da Conceição Tavares em ato de apoio à Presidente (16/9). Foto: Tasso Marcelo/Fotos PúblicasDilma faz discurso diante de artistas em evento no Rio de Janeiro (15/9). Foto: Tasso Marcelo/Fotos PúblicasLindberg Farias, candidato do PT ao governo do Rio, também participa de encontro com artistas a favor de Dilma (16/9). Foto: Tasso Marcelo/Fotos PúblicasDilma vai ao lançamento do Livro “Um país chamado favela”, no Rio de Janeiro, e arrisca passos de funk com membros da comunidade (15/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma também acompanhou apresentação de capoeira na comunidade carioca (15/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma Rousseff posa ao lado de jovens no lançamento do Livro “Um país chamado favela”, no Rio de Janeiro (15/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma tem encontro com juventude em Belo Horizonte, Minas Gerais (13/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma Rousseff participa de ato Público com Movimentos Negros, em Nova Lima, em Minas Gerais (13/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma Rousseff sai em carreata em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, ao lado de Lindgerb Farias, candidato ao governo do estado pelo PT (12/9). Foto: Tasso Marcelo/Fotos PúblicasDilma Rousseff (PT) é entrevistada por Tales Faria, publisher e vice-presidente editoral do iG, e Amanda Klein, apresentadora do RedeTV! News (11/09). Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaDilma tratou das denúncias sobre um suposto esquema de pagamento de propina na Petrobras. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaPresidente atribuiu à adversária Marina Silva (PSB) problemas no andamento de usinas de Jirau e Santo Antonio . Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaCartazes para Dilma Rousseff são exibidos durante comício em Belém, no Pará (10/9). Foto: Ricardo Stuckert/Instituto LulaLula participa de comício de Dilma Rousseff em Belém, no Pará (10/9). Foto: Ricardo Stuckert/Instituto LulaDepois do desfile de 7 de setembro, Dilma se reúne com juventude no Palácio da Alvorada (7/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Presidente Dilma Rousseff chega para o início do desfile pelo dia 7 de Setembro no DF (7/9). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIADilma Rousseff posa para fotos visita o Residencial Cidade Jardim, construído pelo Minha Casa Minha Vida, em Fortaleza (6/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma ganha miniatura de taxi em encontro com taxistas em São Paulo (6/9). Foto: Ichiro Guerra/PTOs candidatos Dilma Rousseff e Alexandre Padilha participam de encontro com mulheres em São Paulo (6/9). Foto: Paulo Pinto/ AnalíticaLula coloca chapéu em Dilma durante comício no Recife (4/9). Foto: Ricardo Stuckert/Instituto LulaAo lado do ex-presidente Lula, a candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) participou de carreata em São Bernardo do Campo, em São Paulo (02/09). Foto: Divulgação/PTAmbos com o chapéu do Corinthians, Dilma e Lula fazem carreata em São Bernardo do Campo, nesta terça-feira (02). Foto: Divulgação/PTDilma Rousseff participa de encontro com prefeitos paulistas em Jales, no interior de São Paulo (30/8). Foto: Ichiro Guerra/PTDilma Rousseff visita a Casa de Cultura do Pelourinho, em Salvador, e se arrisca ao lado de ritmistas (29/8). Foto: Ichiro Guerra/PTCandidata do PT à reeleição para a Presidência da república, Dilma Rousseff, visita a escola Senai Simatec, em Salvador (29/8). Foto: Ichiro Guerra/PTDilma Rousseff participa de encontro com trabalhadores da agricultura, em Brasília, nesta quinta-feira (28). Foto: Divulgação/PTDilma Rousseff chega para debate TV Band, o primeiro dos presidenciáveis nestas eleições (22/08). Foto: Marcos Bezerra/Futura PressAo lado de Aécio Neves, Dilma cumprimenta Marina Silva no debate da TV Band (26/8). Foto: Marcos Bezerra/Futura PressCandidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff visita vistoria obras da transposição do Rio São Francisco com ex-presidente Lula (21/08). Foto: Divulgação/PTDilma faz uma refeição durante visita à Usina Hidroelétrica Santo Antônio, em Porto Velho (19/8). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13No Palácio da Alvorada,  Dilma Rousseff é entrevistada por Willian Bonner e Patrícia Poeta para o Jornal Nacional (18/08). Foto:  Globo/ Gabriel SoutoPresidente Dilma Roussef, Lula e outros políticos vão ao velório de Eduardo Campos e vítimas de acidente aéreo (17/8). Foto: Ricardo Moraes/ReutersDilma Rousseff cumprimenta Marina Silva, que era candidata à vice na chapa de Eduardo Campos (17/8). Foto: Ricardo Moraes/ReutersDilma Rousseff cumprimenta o presidenciável pelo PSDB Aécio Neves no velório de Eduardo Campos e vítimas do acidente aéreo (17/8). Foto: Paulo Whitaker/ReutersPresidente Dilma Rousseff conforta filhos de Eduardo Campos durante velório na manhã deste domingo na sede do governo de Pernambuco (17/8). Foto: Ricardo Moraes/ReutersDilma Rousseff faz pronunciamento sobre a morte de Eduardo Campos em Brasília, nesta quarta-feira (13). Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom /Agência Brasil)Presidente e candidata à releição Dilma Rousseff visita trecho da Ferrovia Norte-Sul, na cidade goiana de Anápolis (11/08). Foto: Divulgação/PTDilma e Padilha, candidato ao governo de São Paulo, fazem encontro com juventude na capital paulista (11/8). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Presidente Dilma Rousseff durante entrevista para RBS (11/8). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma Rousseff conversa com jornalistas em Brasília no Palácio da Alvorada (10/8). Foto: ALAN SAMPAIO/iG BRASILIADilma faz carreata ao lado de Padilha, candidato ao governo de São Paulo, pelas ruas de Osasco e aproveita para comer um cachorro-quente (9/8). Foto: Ichiro Guerra/PTComitiva do PT em carreata por Osasco. Na foto aparecem Dilma, Padilha, Marta e Eduardo Suplicy (9/8). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaDilma visita ferrovia em Iturama, Minas Gerais (8/8). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma Rousseff participa de ato de sindicalistas em apoio a sua candidatura, em São Paulo (7/8). Foto: Futura PressDilma durante ato com sindicalistas da CUT, UGT, CTB, NCST, CSB e Força Sindical (7/8). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma Rousseff participa de encontro e sabatina da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (6/8). Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaDilma Rousseff visita sas obras da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, em Altamira (PA)em semana se campanha (5/8). Foto: Ichiro Guerra/Fotos PúblicasDilma almoça na Usina de Belo Monte (5/8). Foto: Ichiro Guerra/Fotos PúblicasEm campanha pela reeleição à Presidência, Dilma visita obra em Belo Monte e posa para fotos e as tradicionais selfies com operários (5/8). Foto: Ichiro Guerra/Fotos PúblicasPresidente Dilma Rousseff é vista durante visita à Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Jardim Jacy, em Guarulhos (4/8). Foto: Ichiro Guerra/PTPerfil de Dilma Rousseff no Instagram. Foto: Instagram/dilmarousseffDilma Rousseff usa suas contas em outras redes sociais, como o Facebook, para anunciar a entrada no Instragram (4/8). Foto: Facebook/Dilma RousseffAo lado de Lula, Dilma participa do lançamento da campanha de Josué Alencar, candidato ao Senado Federal pelo PT (1/8). Foto: Ichiro Guerra/PTPose para foto ao lado de eleitores no lançamento da campanha de Josué Alencar ao Senado. Foto: Ichiro Guerra/ PTCom candidato do PT em São Paulo, Alexandre Padilha (D), presidente Dilma Rousseff, participa da 14ª Plenária da CUT, em Guarulhos (31/7). Foto: Futura PressA presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, participa da 14ª Plenária Nacional da Central Única dos Trabalhadores (31/7). Foto: Futura PressPresidente Dilma Rousseff é vista em palco durante evento da CUT em Guarulhos (31/7). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGPresidente Dilma Rousseff sorri durante encontro com empresários promovido pela CNI em Brasília (30/7). Foto: Ichiro Guerra/PTPresidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, participa de encontro com empresários na CNI (30/7)
. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaDilma tem encontro com prefeitos em churrascaria em São João de Miriti, no Rio de Janeiro (24/7). Foto: Ichiro Guerra/PTDilma presta homenagem a Neymar, que sofreu uma fratura na 3ª vértebra lombar e acabou fora da Copa do Mundo (7/7). Foto: Reprodução/InstagramAo lado de Lula, Dilma participa da convenção estadual do PT no Paraná. Evento lança a candidatura de Gleisi Hoffmann no Estado (3/7). Foto: Heinrich Aikawa/Instituto LulaDilma Rousseff discursa na convenção estadual do PT do Paraná, em Curitiba (3/7). Foto: Heinrich Aikawa / Instituto LulaPresidente e candidata à reeleição participa também da convenção estadual do PT da Bahia (27/6). Foto: Heinrich Aikawa/Instituto LulaDilma cumprimenta baiana em convenção do PT em Salvador (27/6). Foto: Heinrich Aikawa/Instituto LulaDilma e Lula participam do lançamento da candidatura de Rui Costa (esquerda) ao governo da Bahia (27/6). Foto: Heinrich Aikawa/Instituto LulaJorge Wagner, atual governador da Bahia, também sobe ao palanque ao lado de Rui Costa, Lula e Dilma (27/6). Foto: Heinrich Aikawa/Instituto LulaPROS (Partido Republicano da Ordem Social) anuncia apoio à candidatura a reeleição de Dilma (24/6). Foto: Alan Sampaio / iG Brasília94,5% dos filiados do partido decidem apoiar a reeleição de Dilma (24/6). Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaDilma Rousseff discursa na convenção nacional do PROS (24/6). Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaPT realiza convenção que homologa a candidatura de Dilma à reeleição em Brasília (21/6). Foto: Ricardo Stuckert/Instituto LulaEx-presidente Lula participa da convenção do Partido dos Trabalhadores em Brasília (21/6). Foto: Ricardo Stuckert/Instituto LulaMichel Temer, candidato a vice na chapa de Dilma, também marca presença na convenção ao lado da presidente e de Lula (21/6). Foto: Cadu Gomes/DivulgaçãoFesta na convenção do PT que oficializou Dilma como candidata a reeleição para Presidência (21/6). Foto: Ricardo Stuckert/Instituto LulaLula faz questão de afirmar que não há divergências entre ele e a candidata. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto LulaDilma Rousseff posa para fotos na convenção nacional do PT que oficializa a sua candidatura à reeleição (21/6). Foto: Cadu Gomes/Divulgação

No círculo próximo à presidente, a votação que começa neste domingo e provavelmente só terminará no próximo dia 26 é tida como uma “prova de fogo”. Isso porque Dilma ainda briga para se validar junto a alguns setores de seu próprio partido, que preferiam vê-la fora da corrida eleitoral deste ano e substituída por Lula. A reeleição, portanto, serviria para firmá-la como uma presidente “capaz de andar com as próprias pernas”.

Dilma teve em Lula um aliado importante para melhorar sua relação com sua equipe de campanha e com o PT como um todo. Desde o início, foi ele quem ditou os rumos da candidatura, mas o fez principalmente nas conversas privadas que mantinha com os principais integrantes da coordenação da campanha – a própria Dilma, o marqueteiro João Santana, o presidente do PT, Rui Falcão, e o ex-ministro Franklin Martins. Foi nessas conversas que Dilma ouviu, e concordou, com a estratégia de ataques a Marina – ou de “dessacralização” - quando a ameaça da candidata do PSB se cristalizou no horizonte.

Nas reuniões formais da coordenação e, principalmente, do conselho político – integrado por todos os partidos da aliança –, quem comandava os trabalhos era a presidente. O ex-presidente Lula participou de algumas reuniões, mas sempre tinha o cuidado de não ofuscar a sucessora. Quatro anos atrás, conta um interlocutor, as coisas eram muito diferentes. Era possível ouvir Dilma dizer que iria consultar o ex-presidente antes de tomar uma decisão. Hoje, ela própria arbitra as discussões, embora comente que sempre ouve com atenção os conselhos do antecessor.

‘Criador e criatura’

Lula permaneceu nos bastidores mesmo após o acidente que matou o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos e marcou uma virada inesperada na corrida presidencial. O ex-presidente acompanhou de perto toda a reorganização da estratégia para enfrentar a substituta de Campos, Marina Silva, mas sempre procurou deixar Dilma na linha de frente das conversas. Mas nem por isso ele deixou de chamar a atenção em alguns momentos da disputa. “É perfeitamente possível criador e criatura viverem em harmonia”, afirmou, de cima do palanque, durante a convenção nacional do PT, que formalizou a candidatura de Dilma à reeleição. Na campanha, teve gente que descreveu a frase como uma “escorregada”. A própria presidente, segundo um aliado, não deu muita bola.

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Dilma desta vez comandou mais de um comício sem a presença do antecessor. Qualquer petista diz não ter a ilusão de que ela possa empolgar a militância como faz o ex-presidente. Mas muitos reconhecem que seu discurso melhorou. Em 2010 e nos meses seguintes à posse da petista, era Lula quem dominava os microfones. A presidente recém-empossada mostrava-se nervosa com frequência, enrolava-se com frases sem sentido, nos palanques e nas entrevistas coletivas.

As trapalhadas até deram origem ao verbo “dilmar” nas piadas de corredor contadas pelos assessores. Na relação com a imprensa, as “dilmadas” vieram na forma de piadas infames e ditados populares para lá de batidos. Um dos que Dilma repetiu à exaustão durante a campanha foi “Chegou a hora de a onça beber água”, usado recorrentemente para exaltar anúncios de programas estratégicos do governo. Ao avisar que não flexibilizaria as leis trabalhistas, Dilma engatou mais um: “Nem que a vaca tussa”. Mas a presidente nem sempre consegue segurar a irritação com perguntas indesejadas que, quase sempre, provocam repostas precedidas de um “minha querida” ou “meu querido”.

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Mesmo “dilmando” de tempos em tempos, a presidente surpreendeu auxiliares pela maneira como abraçou o discurso duro idealizado pelo marqueteiro João Santana nesta reta final do primeiro turno. Eles avaliaram que ela saiu bem no embate e soube atacar sem sobressaltos a imagem de fragilidade da ex-senadora Marina Silva. Sobrou também para o tucano Aécio Neves, que recebeu mais de uma disparada irônica por causa do episódio da construção de um aeroporto em Cláudio (MG), em terras que pertenceram a seus familiares. O tom da disputa nas últimas semanas também alimentou as piadas de corredor. “Ok, simpatia pode não ser o forte ali. Mas, se é para bater, aí é com ela”, riu um assessor da presidente nos corredores do debate realizado pelo SBT, um dos primeiros em que ela subiu drasticamente o tom contra os adversários.

Agora, passado o primeiro mandato, Dilma terá o desafio de vencer resistências em setores estratégicos, como empresariado e sua própria base aliada. O PMDB, com quem divide a chapa presidencial, fala em endurecer a relação e em lançar candidato próprio em 2018. A presidente, que já viu Lula lhe chamar a atenção mais de uma vez pela falta de diálogo com políticos e empresários, vem prometendo: vai se abrir mais e ouvir mais.

Trajetória

Dilma, na visão de líderes petistas, tem agora a chance de consolidar a descrição de “presidente da República” em seu currículo de “gestora”. Economista por formação, ela foi lançada por Lula como sucessora em 2010, sem nunca ter disputado uma eleição. Até então, sua biografia tinha como destaques os cargos de ministra de Minas e Energia e, após a saída do então ministro José Dirceu com o escândalo do mensalão, de chefe Casa Civil.

Sua entrada na corrida presidencial se deu como um desdobramento dos sucessivos escândalos que derrubaram os nomes que o PT tinha para preencher a vaga que se abriria com o fim do segundo mandato de Lula. Além de Dirceu, o partido viu o ex-ministro Antonio Palocci deixar o cargo sob suspeitas de enriquecimento ilícito, depois de já ter protagonizado o episódio da quebra do sigilo do caseiro Francenildo Costa.

A base de sua candidatura presidencial foi construída em pleno tratamento contra o câncer linfático, diagnosticado durante exames de rotina. Já anunciada sucessora de Lula, Dilma tornou a doença públicano dia 25 de abril de 2009 e deu início às sessões de quimioterapia. Mais de um ano depois, ela obteve 55,43% dos votos válidos no segundo turno, contra o candidato do PSDB, José Serra, que teve 44,57% dos votos. Já o primeiro ano de seu governo foi marcado pela demissão de sete ministros, numa sucessão de crises que o governo buscou tratar como um sinal de intolerância com a corrupção.

Mineira, nascida em Belo Horizonte, Dilma é a mais velha de três filhos e estudou no tradicional Colégio Sion, comandado por freiras. A juventude foi marcada pela militância no movimento estudantil, período no qual foi presa e torturada. Esse histórico de militante foi resgatado pelo PT durante a campanha deste ano, como forma de responder às vaias que a presidente recebeu durante a realização da Copa do Mundo. E a presidente trouxe o histórico para dentro do discurso. “Na minha vida, enfrentei situações que chegaram ao limite físico. Eu suportei não foram agressões verbais, foram agressões físicas”, disse a presidente, após ser xingada na abertura dos jogos.

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