Problemas com as urnas biométricas foram relatados em seções do centro, Largo da Batalha e de Santa Cruz. O principal problema ocorreu com uma máquia especial utilizada para identificação dos eleitores

Agência Brasil

Utilizadas pela primeira vez em Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro, as urnas biométricas, que identificam o eleitor pelas digitais, causaram filas e dividiram opiniões. Na cidade, a reportagem flagrou boca de urna em vários locais de votação e até compra de voto. Niterói é o sétimo colégio eleitoral do estado, com 352,4 mil eleitores.

Problemas com as urnas biométricas foram relatados em seções do centro, Largo da Batalha e de Santa Cruz. O principal problema ocorreu com uma máquia especial utilizada para identificação dos eleitores. Em muitos casos, após oito tentativas inválidas, os mesários tiveram de fazer identificação manual dos eleitores.

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A aposentada Ana Maria Muguel, de 61 anos, disse que esta eleição foi a que lhe tomou mais tempo. “A biometria custa a identificar a digital. Tem um aparelho para reconhecer [a digital], mas você passa uma, duas, três vezes e nada. É muita demora”, comentou. A diarista Márcia Regina de Souza, de 47 anos, teve a mesma impressão e classificou a eleição como “enrolada”. “Tem uma maquininha só em cada sala. Passei o dedo um monte de vezes e não consegui”, salientou.

Em sua primeira votação, Lorrana Muget Ribeiro, de 18 anos, também não teve sorte. “Foi mais ou menos. A maquininha de colocar o dedo [a digital] é que demora bastante. Depois foi rápido”, assinalou. Ela escolheu os candidatos em conversas com a família e assistindo a debates, além de programas no rádio e televisão.

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Alguns eleitores de Niterói não tiveram problemas e elogiaram a biometria. “Não demorou nada. Foi rápido”, avaliou a também aposentada Iracema Corrêa, de 77 anos. A mesma sensação teve a administradora Marna Izabel Rodrigues, de 58 anos. “Não tive problema algum. Levei menos de 20 minutos e deu tudo certo”, afirmou.

Em Niterói, a boca de urna predominou em todas as seções. Na Escola Estadual Leopoldo Fróes, o maior local de votação da cidade, um cabo eleitoral foi flagrado pagando R$ 50 para um eleitor que tinha acabado de votar. No local, dezenas de cabos eleitorais distribuíam santinhos sem constrangimento.

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“Tenho duas filhas para criar. Estou recebendo de um e de outro. São R$ 120 por dia. Não dá para abrir mão”, observou uma das pessoas flagradas na boca de urna. Durante a campanha, elas chegaram a ganhar entre R$ 500 e R$ 700 por quinzena.

Crianças desacompanhadas também foram vistas com material de campanha. Com a chegada de um carro da Polícia Rodoviária Federal, elas descartaram panfletos de um dos principais candidatos a deputado federal.

De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE), boca de urna é crime. No dia de votação, só é permitida a manifestação individual e silenciosa do eleitor. Ficam proibidos a aglomeração de pessoas, veículos com material de propaganda e qualquer espécie de propaganda. A pena varia de seis meses a um ano, prestação de serviço à comunidade e multa.

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