O ‘voto’ dos vizinhos do Brasil na eleição

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Governos da América do Sul têm preferência à reeleição da presidente Dilma por não saberem o que esperar dos outros principais candidatos, Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB)

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A eleição presidencial no Brasil é observada com atenção pelos países vizinhos, e analistas apontam para possíveis mudanças nas relações a partir do resultado das urnas.

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Dilma, Marina e Aécio são candidatos com chances de vitória

Governos da América do Sul têm preferência à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) por não saberem o que esperar dos outros principais candidatos, Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), disseram observadores regionais ouvidos pela BBC Brasil.

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"[O argumento predominante] é que é melhor lidar com quem se conhece do que com o desconhecido", disse Mariana Pomies, analista política uruguaia e diretora do instituto Cifra, de Montevidéu.

"Dilma é uma figura conhecida, muito respeitada aqui e braço direito de Lula, que é muito conhecido entre os uruguaios. Marina Silva, por exemplo, é para nós um sinal de interrogação".

Alianças regionais também poderiam sofrer um impacto com a vitória dos rivais de Dilma, segundo analistas. Seria o caso, por exemplo, do Mercosul, bloco que reúne cinco grrandes economias da região.

"(Eles poderiam) rever a consistência do Mercosul. Especialmente Aécio, para quem o Mercosul é um bloco anacrônico. Nesse sentido, acho que para a região (uma vitória de Aécio ou Marina) não ajudaria muito", disse.

Para Diego Guelar, ex-embaixador da Argentina no Brasil, qualquer que seja o resultado da votação, haverá um impacto direto na política para os países vizinhos.

"Seja Dilma, Aécio ou Marina, entendo que o Brasil deverá ter uma política externa diferente com a região", disse. "Porém, o governo Dilma esteve muito centrado na Argentina e na Venezuela, deixando outros países de lado, como Chile e Colômbia e Peru. Seja Dilma ou quem for, algo novo nesta política vai surgir depois desta eleição".

Para outros especialistas, a escolha de um novo presidente poderia trazer "um ar fresco" para a relação bilateral entre o Brasil e seus vizinhos.

Veja quais são os intereses dos principais países da região sobre o próximo presidente do Brasil.

Argentina

Em Buenos Aires, a percepção é a de que, com Dilma, a relação bilateral já é "conhecida", apesar de muitos analistas acreditarem ser improvável haver grandes alterações na política entre os dois países com a vitória de qualquer outro candidato.

O ex-vice-ministro das Relações Exteriores Andrés Cisneros disse que não acredita em "mudanças bruscas" na relação, já que o Brasil conta com políticas de Estado na sua política externa. "Não acreditamos em mudanças vindas do Brasil de um dia para o outro", disse.

Dilma Rousseff faz carreata em São Paulo ao lado de Lula, Suplicy, Fernando Haddad e Alexandre Padilha (3/10). Foto: Ricardo Stuckert/PROs sete presidenciáveis posam antes de debate no complexo de estúdios da Globo no Rio, o Projac (2/10). Foto: APMarina Silva assiste à apresentação de dança na comunidade de Paraisópolis, em são Paulo (1/10). Foto: Vagner Campos / MSILVA OnlineAécio Neves faz caminhada em Mogi das Cruzes, em São Paulo (1/10). Foto: Marcos Fernandes/ Coligação Muda BrasilMultidão se reúne para caminhada de Aécio Neves e outros candidatos do PSDB em Juiz de Fora, em Minas Gerais (1/10). Foto: Nereu JR/Coligação Todos Por MinasFilho de Eduardo Campos participa de comício de Marina Silva em Recife (29/9). Foto: Vagner Campos / MSILVADebate entre candidatos à Presidência na Record (28/9). Foto: Ichiro Guerra/Dilma 13Dilma Rousseff (PT) faz campanha no bairro paulista do Campo Limpo com Alexandre Padilha, candidato petista ao governo de SP, e com o ex-presidente Lula (29/09). Foto: Divulgação/PTRonaldo ataca mais uma vez de cabo eleitoral de Aécio Neves em caminhada em Osasco ao lado de Geraldo Alckmin, candidato à reeleição ao governo de SP (27/9). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilAlexandre Frota também participa de campanha de Aécio Neves em Osasco, na Grande São Paulo (27/9). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilAo lado de Agnelo Queiroz, Dilma anda de BRT Expresso em Brasília e conversa com eleitores (27/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Ao lado do governador do Paraná e candidato à reeleição no Paraná, Beto Richa, Aécio Neves faz campanha em São José dos Pinhais (26/9). Foto: Igo Estrela/Coligação Muda BrasilMarina Silva acompanha apresentação de capoeira na a CUFA (Central Única de Favelas), no Rio (25/9). Foto: Vagner Campos/MSilva onlineAécio Neves vira gaúcho em dia de campanha Caxias do Sul ao lada senadora Ana Amélia, candidata ao governo do Rio Grande do Sul pelo PP (25/9). Foto: Marcos Fernandes/ Coligação Muda BrasilMarina Silva faz selfie depois de agenda de campanha em Porto Alegre (24/9). Foto: Vagner Campos / MSILVA OnlineDilma Rousseff,  candidata à reeleição  pelo PT, durante dia de campanha em Ribeirão das Neves, em Minas Gerais (22/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Ao lado de Giovane, do vôlei, e outros candidatos, Aécio faz carreata em Betim (MG) (22/9). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilAécio veste chapéu e ganha imagem de Padre Cícero durante visita a Feira de São Cristóvão, que reúne tradições nordestinas, no Rio de Janeiro (21/9). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilDilma Rousseff faz campanha em São Paulo ao lado dos petistas Alexandre Padilha, candidato ao governo, e Eduardo Suplicy, candidato ao Senado (20/9). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaAo lado de Paulo Souto, candidato ao governo na Bahia pelo PSDB, Aécio Neves faz corpo a corpo com eleitores em Itabuna (18/9). Foto: Valter Pontes/CoperphotoAtor Marcos Palmeira e cantor Gilberto Gil ao lado de Marina Silva em encontro com artistas na escola de cinema Darcy Ribeiro, no Rio (17/9). Foto: Vagner Campos/MSilva onlineAtor Marcos Nanini também demonstra apoio à Marina Silva em evento com artistas no Rio de Janeiro (17/9). Foto: Vagner Campos / MSILVAOtávio Muller é mais um ator da Globo no encontro da candidata do PSB com artistas na escola de cinema Darcy Ribeiro, no Rio (17/9). Foto: Vagner Campos/MSilva onlineDilma posa para fotos durante campanha em Campinas, em São Paulo (17/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Aécio Neves, Marina Silva e Dilma Rousseff participam de debate na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, na cidade paulista de Aparecida (16/09). Foto: DIVULGAção/PSBEncontro de artistas com Dilma Rousseff no Rio de Janeiro (15/9). Foto: Tasso Marcelo/Fotos PúblicasMarina Silva fala com representantes do setor cultural e recebe apoio do cantor Gilberto Gil (15/9). Foto: Vagner Campos/MSilva onlineDinho Ouro Preto, vocalista da banca de rock Capital Inicial, faz selfie com Marina Silva em evento em São Paulo (15/9). Foto: Vagner Campos/MSilva onlineDilma vai ao lançamento do Livro “Um país chamado favela”, no Rio de Janeiro, e arrisca passos de funk com membros da comunidade (15/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Ao lado de Ronaldo, Aécio Neves dança no lançamento do livro 'Um país chamado favela', em Madureira, no Rio de Janeiro (14/9). Foto: Igo Estrela/Coligação Muda BrasilMarina recebe carinho de seu vice Beto Albuquerque durante discurso em Ceilândia, no Distrito Federal (14/9). Foto: Vagner Campos/MSilva onlineMarina Silva faz discurso em João Pessoa, na Paraíba (14/9). Foto: Leo Cabral / PSBDilma tem encontro com juventude em Belo Horizonte, Minas Gerais (13/9). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Dilma Rousseff sai em carreata em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, ao lado de Lindgerb Farias, candidato ao governo do estado pelo PT (12/9). Foto: Tasso Marcelo/Fotos PúblicasDilma é entrevistada pela RedeTV/iG no Palácio da Alvorada, em Brasília (11/09). Foto: Ichiro Guerra/Dilma 13Cartazes para Dilma Rousseff são exibidos durante comício em Belém, no Pará (10/9). Foto: Ricardo Stuckert/Instituto LulaLula participa de comício de Dilma Rousseff em Belém, no Pará (10/9). Foto: Ricardo Stuckert/Instituto LulaAécio Neves, presidenciável pelo PSDB, participa de um encontro com a juventude em Belo Horizonte (MG) (11/9). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilAécio faz carreata ao lado do candidato a governador, Pimenta da Veiga, e do candidato ao Senado, Antônio Anastasia, em Montes Claros (MG) (11/9). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilMarina Silva, candidata do PSB à Presidência, visita o Projeto Casa de Isabel, zona leste de São Paulo (11/09). Foto: Leo Cabral/ MSILVA OnlineMarina Silva chega para campanha nas ruas de Betim, em Minas Gerais (9/9). Foto: Leo Cabral/ MSILVA OnlineDilma posa para foto com estudantes durante cerimônia de lançamento da 2ª etapa do CsF. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR Dilma Rousseff fala com jornalistas nesta quarta-feira (10), em Brasília . Foto: Divulgação/PTMarina Silva sorri durante compromisso de campanha em Belo Horizonte (9/9). Foto: Leo Cabral/ MSILVA OnlineCandidata participa do lançamento da casa de Beto e Marina m Guarulhos (SP), um dos comitês de campanha (5/9). Foto: DivulgaçãoMarina Silva faz campanha em Vitória da Conquista, na Bahia (7/9). Foto: DivulgaçãoAo lado do candidato à releição pelo RS, Tarso Genro (PT), Dilma Rousseff Dilma Rousseff visita à 37ª EXPOINTER (05/09). Foto: Divulgação/PTOs candidatos à Presidência da República, durante o debate realizado pelo SBT (01/09). Foto: Alice Vergueiro / Futura PressAécio Neves joga futebol no evento "Futebol entre Amigos" promovido pelo ex-jogador Zico, no Rio de Janeiro (31/8). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilAécio toma café da manhã com operários em São Paulo (28/8). Foto: Marcus Fernandes/Coligação Muda BrasilAo lado de Alckmin, Aécio Neves visita à Estação Vila Prudente, da Linha 15 Prata do monotrilho, em São Paulo (29/8). Foto: Ana Flavia Oliveira/iGDebate da TV Band é o primeiro encontro entre os concorrentes à Presidência da República (26/8). Foto: Marcos Bezerra/Futura PressMarina posa para fotos ao lado de eleitores no Centro de Tradições Nordestinas, em São Paulo (25/8). Foto: DIVULGAção/PSBAécio visita o abrigo Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e dança com uma das moradoras do local (24/8). Foto: Igo Estrela/ObritoNewsAécio e ACM Neto, prefeito de Salvador, fazem parada em igreja durante campanha na capital da Bahia (23/8). Foto: Igo Estrela/PSDBDilma Rousseff, candidata à releição pelo PT, faz viagem de trem em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul (22/08). Foto: Divulgação/PTCandidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff visita vistoria obras da transposição do Rio São Francisco com ex-presidente Lula (21/08). Foto: Divulgação/PTDilma Rousseff aparece cozinhando na primeira semana de horário eleitoral (19/8). Foto: ReproduçãoBeto Albuquerque, Roberto Amaral, Marina Silva e  Rodrigo Rollemberg no lançamento oficial da nova chapa presidencial do PSB,em Brasília (20/08). Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaAécio Neves (PSDB) visita Unidade da Polícia Pacificadora (UPP) da Comunidade de Santa Marta,no Rio de Janeiro (18/08). Foto: Divulgação/PSDBDilma Rousseff cumprimenta Marina Silva, que era candidata à vice na chapa de Eduardo Campos (17/8). Foto: Ricardo Moraes/ReutersComitiva do PT em carreata por Osasco. Na foto aparecem Dilma, Padilha, Marta e Eduardo Suplicy (9/8). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaDilma almoça na Usina de Belo Monte (5/8). Foto: Ichiro Guerra/Fotos PúblicasA presidente Dilma Rousseff e o governador paulista Geraldo Alckmin participaram da inauguração do Templo de Salomão nesta quinta (31), em SP . Foto: Divulgação/Igreja Universal Dilma cumprimenta baiana em convenção do PT em Salvador (27/6). Foto: Heinrich Aikawa/Instituto LulaAécio Neves e a mulher, Leticia Weber, deixam hospital com o pequeno Bernardo no colo, no Rio de Janeiro (10/8). Foto: Reprodução/InstagramAécio Neves, presidenciável do PSDB, joga sinuca com eleitores na cidade de Botucatu, em São Paulo (08/07). Foto: Divulgação/PSDBAécio Neves dança com Ana Amélia, candidata do PP ao ao governo do Rio Grande do Sul em encontro em Porto Alegre (2/8). Foto: Igo Estrela/ObritoNewsCandidato faz uma oração no Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, no Ceará (20/7). Foto: Igo Estrela/PSDBPastor Everaldo, candidato do PSC à Presidência (22/7). Foto: Divulgação/PSCPastor Everaldo participa de caminhada em Osasco e dá entrevistas para jornal local (23/7). Foto: Facebook/Pastor EveraldoCandidato do PSC à Presidência participa da Missão Carismática Brasileira (21/7). Foto: Facebook/Pastor EveraldoCandidata à presidente Luciana Genro (PSOL) grava programa eleitoral em Porto Alegre (22/7). Foto: Divulgação/PSOLLuciana Genro caminha por Santo André, região do Grande ABC de São Paulo (19/7). Foto: Facebook/Luciana GenroZé Maria, representante do PSTU na disputada pela Presidência, em agenda de campanha em Curitiba (22/7). Foto: Divulgação/PSTUEduardo Jorge, representante do PV, registra candidatura à Presidência no TSE (3/7). Foto: Divulgação/PVEymael é o candidato à Presidência da República pelo PSDC (29/6). Foto: PSDC Levy Fidelix, candidato à Presidência pelo PRTB, deve começar campanhas nas ruas em agosto. Foto: Facebook/Levy FidelixEduardo Campos era candidato e morreu em acidente aéreo em Santos no dia 13. Ele comemorou aniversário durante campanha em Alagoas (8/8). Foto: PSB

Nesta semana, o jornal La Nación, de Buenos Aires, publicou que a atual relação entre a Argentina e o Brasil não está em seu melhor momento, afetada pelo menor crescimento econômico dos dois países e a queda acentuada no comércio bilateral.

Segundo o jornal, "a relação dos dois países está afetada, seja quem for o próximo presidente brasileiro. Mas para analistas, o Mercosul perderia ainda mais força se Marina for eleita".

Para o analista político Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria, de Buenos Aires, "com a relação entre Dilma e Cristina deteriorada pelos conflitos comerciais, nada mudará se a atual presidente vencer a eleição".

"Mas com uma eventual vitória de Marina, por exemplo, talvez essa relação seja ainda mais difícil", disse Fraga à BBC Brasil.

Bolívia

A relação econômica entre o Brasil e a Bolívia está baseada principalmente nas exportações do gás boliviano para o mercado brasileiro.

Este setor inclui a forte presença da Petrobras na Bolívia, como observou o analista Javier Gomez, do Centro de Estudos para o Desenvolvimento Trabalhista e Agrário (Cedla, na sigla em espanhol).

"Marina Silva disse que se eleita vai dar transparência à Petrobras e ao BNDES. São dois setores com forte ligação com a Bolívia. E mesmo em um curto período, sua política poderia afetar o curso desta relação bilateral", disse Gomez, em La Paz.

Para ele, hoje, há "maior previsibilidade" à relação bilateral com Dilma na Presidência. "Hoje a relação entre os dois países não é a ideal, mas já sabemos como é".

Chile

Analistas políticos e diplomatas chilenos observaram que a relação política entre Brasil e Chile foi distante durante o governo Dilma, mas que, apesar disso, o Brasil passou a ser o principal destino dos investimentos diretos chilenos no exterior.

"Seja Dilma, Marina ou outro candidato, o principal é que o próximo presidente recupere a relação que no passado foi intensa com o Brasil", disse o analista internacional e cientista político Ricardo Israel, da Corporação de Universidades Privadas do Chile.

O professor de ciências políticas da Universidade de Valparaíso Guillermo Holzmann disse que a reeleição de Dilma significa "estabilidade" na região e que outro presidente significaria "incerteza".

Paraguai

Assim como na Bolívia, a relação com o Brasil passou a ser "mais intensa" depois que o ex-presidente Lula chegou ao Planalto em 2003, com a maior presença de empresas brasileiras e investimentos em setores como o de infraestrutura ligando a vizinhança ao Brasil.

Na opinião de políticos de diferentes tendências e analistas, o Brasil é o irmão maior e o principal sócio do país, como costumam afirmar.

Mas para o analista Francisco Capli, da consultoria de pesquisas de opinião First Analisis, "a relação atual passa por um momento frio, distante". E seja qual for o próximo presidente, espera-se uma maior aproximação. Ele observou, porém, que Dilma já é conhecida dos paraguaios.

Tradicionalmente a relação entre os dois países esteve centrada na hidrelétrica de Itaipu e nos chamados 'brasiguaios' - brasileiros e seus descendentes que vivem no Paraguai. Mas, nos últimos anos, a presença de empresas brasileiras no país vem chamando atenção. Algo que, de acordo com os especialistas, não se traduz em "maior aproximação politica" com o Brasil.

Uruguai

O maior conhecimento sobre as políticas e trajetórias de Lula e Dilma é apontado como "fator essencial" para que os uruguaios "votem" na continuidade do PT na Presidência, disse a analista Mariana Pomies, socióloga e diretora do instituto Cifra, de Montevidéu.

"Aqui sabemos muito pouco sobre os outros candidatos. O que gera dúvidas, naturalmente. Dilma é a continuidade. E hoje a relação entre o Uruguai e o Brasil é muito boa", disse.

Segundo ela, no caso do Uruguai há ainda outro fator que pesa "contra o voto" em Marina: sua figura estar associada à sua religiosidade.

O Uruguai é um país laico desde o início do século 20, quando crucifixos foram retirados de gabinetes, organizações públicas e hospitais, por exemplo, para oficializar a separação da política de Estado da religião.

"Para nós, é impensável saber a opção religiosa de um candidato, de um político. Política é política. Mesmo quando eles vão à missa, por exemplo, é algo muito pessoal", afirmou.

Venezuela

A imprevisibilidade da votação no Brasil coloca em alerta o governo venezuelano, que viu crescer e fortalecer as relações econômicas e políticas com Brasília durante os governos Lula e Dilma.

Com o PT na Presidência, o ex-presidente Hugo Chávez contou com o apoio brasileiro para solucionar as principais crises políticas. Durante os violentos protestos contra o governo do presidente Nicolás Maduro no início do ano, a diplomacia brasileira também teve um papel importante para dirimir a crise.

"Uma (eventual) derrota de Dilma seria um fator adicional de instabilidade internacional para o governo venezuelano porque perderia um apoio regional fundamental", afirmou o analista político Javier Biardeau, professor de sociologia da Universidade Central da Venezuela.

Outro elemento de preocupação para o chavismo está na continuidade do processo de integração regional no âmbito da Unasul, Celac e Mercosul.

"O Brasil foi fundamental para a integração regional nos últimos anos (do governo) Dilma e ela representa a continuidade desses processos" afirmou o deputado do partido governista PSUV Yul Jabour, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Assembleia Nacional.

A oposição venezuelana, por sua vez, não esconde seu anseio de ver o PT derrotado. A relação entre o partido e o governo venezuelano é visto pela direção anti-chavista como um elemento de desequilibrio e, em determinados momentos, favorece o projeto bolivariano.

Aécio Neves recebe a maior torcida no interior da aliança opositora MUD, apoio herdado pela proximidade do PSDB aos grupos opositores ao longo do governo Chávez.

O analista internacional Carlos Romero afirma que a maioria dos partidos opositores "desejam" uma aliança com um programa conhecido e com ideais compartilhados, como é o caso do PSDB, à incógnita que representa a candidatura e o projeto de Marina.

"A oposição seria feliz com uma vitória de Neves, porque não está convencida da postura de Marina em relação à Venezuela", disse Romero.


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