De olho no 2º turno, Aécio e Marina assumem agressividade em debate de duelos

Por iG São Paulo |

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Líder das pesquisas, Dilma Rousseff mira Aécio Neves como alvo principal. Candidatos nanicos Levy Fidelix, Luciana Genro e Eduardo Jorge protagonizam embate sobre homofobia

Último antes do primeiro turno, o debate presidencial da Rede Globo, exibido na noite desta quinta-feira (02), foi o mais aguerrido de todos, muitas vezes incendiário. Favorecido pelo formato, no qual candidatos ficam frente a frente, e embate teve confrontos agressivos dos três principais candidatos, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB). De olho numa vaga no segundo turno, Marina e Aécio partiram para o enfrentamento. Dilma foi mais incisiva com o tucano, deixando a neosocialista de lado. 

Mas os presidenciáveis nanicos, com são chamados os que têm pontuações inexpressivas nas pesquisas ou mesmo nas urnas, também se confrontaram. Num meio de uma polêmica desde que fez declarações antigays num debate anterior, Levy Fidelix (PRTB) foi duramente criticado pelos adversários Luciana Genro e Eduardo Jorge (PV).

O clima do debate pareceu refletir as pesquisas divulgadas horas antes do embate, pelo Datafolha e Ibope. Os dois institutos mostraram Dilma na liderança, com 40%. Próximos na casa dos 20%, numa indefinição de quem vai a um possível segundo turno, Marina e Aécio procuram se mostrar os mais preparados para enfrentar a petista.

Datafolha: Dilma tem 40%, Marina, 24% e Aécio chega a 21%
Ibope: Dilma tem 40%, Marina, 24% e Aécio mantém 19%

Sete presidenciáveis que participaram do debate da TV Globo na noite desta quinta-feira (02). Foto: ReutersPresidenciáveis Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) se cumprimentam antes do debate . Foto: ReutersAécio Neves (PSDB) e Dilma se encontram na chegada ao estúdio do debate da Globo . Foto: APAécio e Marina Silva, candidatos do PSB à Presidência, cumprimentam-se antes do debate na TV Globo. Foto: Ricardo Moraes/Reuters - 2.10.14Diferentemente dos outros debates, os candidatos não estavam em púlpitos, mas sentados em cadeiras  . Foto: ReproduçãoLuciana Genro (PSOL) abriu o debate fazendo perguntas para candidata à reeleição Dilma. Foto: ReproduçãoJá no primeiro bloco, Marina e Aécio partiram para o enfrentamento, de olho numa vaga no segundo turno . Foto: ReproduçãoMarina e Dilma também trocaram farpas durante o debate . Foto: ReproduçãoEduardo Jorge (PV) uma postura mais descontraída do que os adversários. Foto: ReproduçãoLevy Fidelix (PRTB) foi atacado pelos adversários por suas declarações antigay . Foto: ReproduçãoAécio e Luciana bateram boca, a candidata do PSOL se desentendeu com o tucano: 'Não aponte o dedo para mim ' . Foto: ReproduçãoDilma e Rousseff são fotografadas pouco antes do debate da Rede Globo . Foto: AP

Já no início, Aécio e Marina trocaram farpas. O tucano acusou a adversária de ficar calada durante o escândalo do mensalão no governo Lula, de quem ela era ministra do Meio Ambiente. A candidata do PSB rebateu, dizendo que o partido dele, o PSDB, também teve casos de corrupção.

"Vossa excelência também esteve dentro de um partido que praticou o mensalão... Não vi vossa excelência fazer nenhuma crítica ao expediente à reeleição e não vi fazer nenhuma crítica ao mensalão”, atacou Marina, lembrando das denúncias de compra de votos durante aprovação da emenda da reeleição, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso na Presidência da República.

Destaques do debate da Globo: 
Aécio e Marina entram em confronto; Luciana ataca Globo
- Marina acusa Dilma de inexperiente, que rebate: "não é você a nova política?"
- Pastor Everaldo tenta driblar regra de debate e toma bronca de Bonner
-
 Dilma e Aécio reacendem polarização entre PT e PSDB no 3º bloco do debate

Em outro momento, Dilma e Aécio reacenderam a polarização PT e PSDB, comparando os governos dos dois partidos na Presidência. "Eu fui bem-sucedida, se comparar aos governos dos quais seu partido esteve à frente. Em alguns momentos, o senhor nega a realidade do seu governo. Vocês tiveram uma taxa de juros que bateu todos os recordes durante a gestão Armínio Fraga [na presidência do Banco Central]. A partir do que o senhor se considera capaz em relação ao meu governo?", disse a petista.

Aécio rebateu alfinetando Dilma, ao citar o responsável pelo programa do horário eleitoral da petista, o publicitário João Santana. "Nem a competência do seu marqueteiro é capaz de mudar a história", ironizou o tucano.

AP
O debate da TV Globo foi último antes do primeiro turno das eleições 2014


Citando números compulsivamente, Dilma e Aécio também disputaram a paternidade do programa Bolsa Família. "Eu defendo bons programas, que serão mantidos, como o Bolsa Família. Mas serão aprimorados... Sem achar que descobri a roda", atacou o tucano, defendendo a ideia de que iniciativa assistencial foi iniciada no governo Fernando Henrique.

"Um programa de 14 milhões de famílias não tem nada a ver com um programa extremamente fatiado até 10 milhões. O Minha Casa, Minha Vida, que talvez você não consiga dar continuidade porque não conhece, contempla quem recebe até 1 salário mínimo", replicou Dilma.

Análise: 
- Dilma muda estratégia e mira em Aécio em debate
- Aécio enfatiza escândalo da Petrobras e ataca Dilma e Marina
Marina tenta polarizar com Dilma e se descolar de Aécio no último debate

Entre Dilma e Marina, o embate se deu na questão da independência do Banco Central. A pestista acusou a adversária de querer dar ao órgão a mesma importância dos Três Poderes: Executivo, Judiciário e Legislativo.  

"Candidata, você está confundindo autonomia com independência. No seu programa de governo, cita independência e isso é dar um quarto poder aos bancos. E sou contra. Sinto muito", afirmou Dilma, que foi rebatida pela adversária. "A senhora tem feito diversas acusações sobre a autonomia, algo que você defendeu contra [José] Serra em 2010. Qual a Dilma está falando agora?", respondeu Marina.  

Debate dos nanicos

As declarações antigays de Fidelix no debate presidencial da Record, no último domingo (28), voltaram à tona no da Globo. O candidato do PRTB foi criticado por Luciana e Eduardo.  

"O teu discurso de ódio é o mesmo discurso dos nazistas contra os judeus. O senhor se encoraja a dizer isso contra gays, lésbicas, travestis porque a homofobia não é crime. O senhor deveria ter saído daqui algemado", criticou a candidata do PSOL.  

Num contra-ataque, Fidelix fez acusações aos adversários. "O senhor não tem moral nenhuma para me pedir isso. O senhor faz apologia ao crime ao defender a maconha, o aborto", disse o candidato do PRTB para Eduardo.  Luciana foi acusada de ser guerrilheira por ele. "A senhora foi treinar a guerrilha lá em Cuba, Venezuela."

AP
Presidenciáveis posam antes do confronto no complexo de estúdios global, o Projac

Bonner implacável

No comando do debate, o apresentador Willian Bonner, do Jornal Nacional, foi rigoroso no controle do evento. Quando o candidato Pastor Everaldo tentou driblar uma regra, não se atendo ao tema sorteado para uma pergunta, Bonner o interrompeu e o fez cumprir o pré-estabelecido.  

A opção de colocar candidatos frente a frente durante as perguntas se mostrou bem-sucedida. A disposição fez os candidatos serem mais diretos em suas colocações, numa situação de ‘olhos nos olhos’.

Mais: Pastor Everaldo tenta driblar regra de debate e toma bronca de William Bonner


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