Em 2010, Paulo Skaf, então candidato pelo PSB, defendeu a cobrança para alunos "que podem pagar"

Setores de USP veem na cobrança de mensalidade uma forma de arrecadação extra
Marcos Santos/USP Imagens
Setores de USP veem na cobrança de mensalidade uma forma de arrecadação extra

Depois de defender, na eleição de 2010, que "não é possível um estudo de graça para quem não precisa" e propor uma "avaliação cuidadosa" para cobrar mensalidade na Universidade de São Paulo (USP) de estudantes que "podem pagar", o candidato Paulo Skaf (PMDB) resolveu fugir da polêmica no pleito atual para governador de São Paulo.

Agora, Skaf é mais estratégico quanto à questão, e juntamente com seus principais adversários se posiciona de forma contrária à cobrança de mensalidades nas universidades estaduais paulistas. "Todo o ensino público é gratuito por determinação constitucional", disse Skaf ao iG .

Questionado sobre seu posicionamento a respeito de outros tipos de taxas a estudantes das estaduais, como a cobrança de estacionamento, o candidato do PMDB disse que "a universidade é autônoma para definir" sobre o assunto.

Em crise financeira, parcela considerável do orçamento das três principais universidades paulistas (USP, Unesp e Unicamp) está comprometida com despesas de pessoal. Na USP, os custos com pagamento de salários chegam a 105% do orçamento.

Diante deste cenário, alguns setores dentro das universidades veem na cobrança de mensalidade a alunos ricos uma possibilidade de arrecadação extra de recursos. Outra parcela de representantes discentes, docentes e dos servidores é totalmente contrária a tal possibilidade, vista como um passo em direção à "privatização" da instituição.

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Paulo Skaf (PMDB) defende gestão mais profissionalizada na Universidade de São Paulo
Divulgação/PMDB
Paulo Skaf (PMDB) defende gestão mais profissionalizada na Universidade de São Paulo

"Sou a favor da profissionalização da gestão e criação de mecanismos de governança. A própria USP tem que se defender de problemas gerados por suas decisões, como as empresas fazem. Eu acho bom trazer um pouco desse elemento [de gestão profissionalizada] para a gestão da universidade", afirma Skaf, ao se posicionar sobre algumas das propostas que vem sendo apresentadas nas discussões do novo Estatuto da USP, entre elas uma mudança na estrutura de poder e decisória da universidade.

Adversários

A posição atual de Skaf contra a cobrança de mensalidades nas universidades é semelhante aos posicionamentos do seus principais concorrentes nas eleições deste ano. Tanto o atual governador e líder nas pesquisas de intenção de voto, Geraldo Alckmin , quanto o candidato Alexandre Padilha (PT) são contra o pagamento de mensalidades.

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"Mensalidade: não", disse à reportagem o candidato do PSDB à reeleição. Já Padilha chega até a alfinetar a antiga postura de Skaf. "Sou absolutamente contrário à posição de candidatos que defendem a cobrança de mensalidade. Defendo de forma intransigente a universidade pública e gratuita ", disse Padilha.

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