Com formato muito pasteurizado, Padilha não teria conseguido se diferenciar de Paulo Skaf, segundo colocado

Brasil Econômico

O primeiro turno da campanha eleitoral ainda nem acabou e o PT paulista já começa a procurar os responsáveis pelo mau desempenho do ex-ministro Alexandre Padilha na disputa pelo governo do Estado. As críticas são à despolitização da campanha. Com um formato muito pasteurizado, Padilha não teria conseguido se diferenciar de Paulo Skaf (PMDB), segundo colocado nas pesquisas. Reclamam que, concentrado na campanha nacional, o marqueteiro João Santana dedicou pouco tempo à disputa em São Paulo. Além disso, Padilha não soube explorar os pontos considerados fracos da gestão de Geraldo Alckmin (PSDB), que pode garantir a reeleição no próximo domingo. Crise hídrica, violência policial e o escândalo do trensalão são exemplos. Petistas avaliam que não souberam apresentar os investimentos federais em São Paulo.

Acuados, querem que Padilha vá ao ataque nesta semana para evitar um resultado ainda pior. Até agora, Padilha permanece nas pesquisas abaixo de 10%. Desde a redemocratização, o PT só ficou abaixo desse percentual duas vezes: em 1982, quando Lula foi candidato na primeira eleição após a ditadura, e em 1990, com Plínio de Arruda Sampaio.

Ibope: Alckmin cai para 45% e Skaf sobe para 19% em SP; Padilha chega a 11%

Nas duas últimas eleições estaduais, ambas com o atual ministro Aloízio Mercadante, o partido conseguiu ficar acima dos 30% dos votos válidos. O temor é que o resultado também provoque uma queda nas bancadas de deputados estaduais e federais do PT de São Paulo, o que causará outros impactos na disputa política daqui por diante. O partido é hoje o principal opositor na Assembleia Legislativa a Alckmin, que pode voltar a ser o nome de maior destaque do PSDB.

Perda de hegemonia

O PT tem ainda a maior bancada da Câmara, com 87 parlamentares, 16 deles eleitos por São Paulo. Por isso, um resultado ruim no Estado pode até atrapalhar a hegemonia nacional. Há receio entre petistas de que o partido reduza até pela metade suas bancadas estadual e federal por São Paulo.

O exército petista

Embora reconheçam ser praticamente impossível levar Alexandre Padilha ao segundo turno, petistas prometem, ao menos, cair lutando. Confiam na mobilização de militantes nesta reta final para melhor os índices do ex-ministro da Saúde. Um dirigente estadual diz que os principais candidatos a deputado distribuirão nos próximos dias entre 70 milhões e 100 milhões de santinhos com os nomes dos candidatos do partido. Acreditam que, com esse reforço, Padilha crescerá. Ressaltam ainda que há uma equipe de campanha com 25 mil pessoas, além de um outro exército de 12 mil militantes, lotados em prefeituras e sindicatos, que foram chamados para ir às ruas.

CPMF: nem marineiro consegue entender

A nota divulgada pela campanha da presidenciável Marina Silva sobre os votos dela como senadora sobre a criação da CPMF é tão simples que mesmo os dirigentes da Rede, grupo criado pela candidata, se confundem ao explicá-la. Dois parlamentares da corrente discutiam ontem se ela votou contra a proposta original ou para derrubar uma emenda que prejudicava seu conteúdo. No final, concordaram em um ponto: seria algo difícil de explicar para quem não estava no Congresso.

Sindicalista dá duplo apoio a candidata

A campanha de Marina Silva (PSB) resolveu aproveitar a dupla jornada do metalúrgico Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira. Em um encontro com sindicalistas na semana passada, ele foi apresentado como presidente da CGTB. Ontem, Bira esteve presente a outro encontro com Marina. Desta vez, como militante do movimento negro. Ele é vice-presidente do Congresso Nacional Afro-Brasileiro.

“Acho lamentável que ainda tenhamos que debater isso na campanha presidencial. Falta a importante criminalização da homofobia” -  Jean Wyllys, deputado federal (Psol-RJ), ao acionar o MP de São Paulo, por causa de declarações de Levy Fidelix

*Com Leonardo Fuhrmann

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