Na reta final do primeiro turno, PSDB vê futuro incerto

Por Vasconcelo Quadros - iG São Paulo |

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Tucanos estudam composição com candidata Marina Silva (PSB) caso Aécio Neves não vá para o segundo turno

Depois de polarizar a disputa com o PT por duas décadas e cinco eleições presidenciais, o PSDB encontra-se num labirinto diante da possibilidade de fracasso da candidatura presidencial do senador Aécio Neves, conforme apontam os institutos e analistas de maior credibilidade no mercado. Na derradeira cartada que jogará esta semana, está na mesa o tema mais impertinente aos tucanos: compor com a candidata do PSB, Marina Silva, para tentar derrotar o arqui-inimigo PT e voltar ao poder como coadjuvante preferencial da neosocialista ou se reconstruir como força de oposição - algo que o partido teve dificuldade em exercer nos 12 anos dos petistas no Palácio no Planalto.  

Reuters
Dilema do PSDB de Aécio Neves será apoiar Marina Silva na corrida ao Palácio do Planalto

Em meio ao debate do último domingo à noite, na TV Record, o deputado José Aníbal (PSDB-SP) disse que ainda há esperança de uma reação de Aécio esta semana. Taxativo, ele garantiu que o partido não discutirá alternativa antes de contabilizados os votos do primeiro turno. 

“O foco agora é a campanha do Aécio. A eleição será decidida esta semana”, afirmou.


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O candidato tucano, por sua vez, afirma que as pesquisas internas apontam seu crescimento e deverá subir o tom contra Dilma e Marina nos últimos dias do horário eleitoral gratuito.

Diante da incômoda pergunta sobre a possível derrota, ele virou as costas e chacoalhou negativamente a cabeça para dizer que não leva em conta a hipótese de ficar pelo caminho.

As últimas pesquisas mostram Marina caindo e uma leve alta de Aécio, enquanto Dilma dispara na frente. Mas tanto a  ascenção do tucano quando a queda de Marina estão acontecendo em ritmo lento, dificultando a probabilidade de uma inversão de posições com menos de uma semana para o primeiro turno.

Na pesquisa CNT/MDA da última segunda-feira (29), Dilma tinha 40,4% das intenções de voto, seguida de Marina, 25,2%, e Aécio, 19,8%. No Datafolha de sexta-feira (26), a petista tinha 40%, a candidata do PSB, 27%, e o tucano, 18%. 

Datafolha: Dilma vai a 40%, Marina cai para 27% e Aécio oscila para 18%

“Como Fênix, o PSDB terá de renascer das cinzas”, diz o cientista político Gaudêncio Torquato, para quem os tucanos não terão outra opção que não seja, no segundo turno, aliar-se ao PSB para tentar uma difícil transferência dos votos que Aécio tiver no primeiro turno, caso a tendência verificada nas pesquisas se mantenha até o próximo domingo (05)

As pontes que os ligavam ao PT no passado, observa Torquato, foram todas dinamitadas. Segundo ele, os tucanos perderão cadeiras no Congresso e, passada a eleição, na hipótese de Marina vencer, retomariam parte do poder. Caso Dilma se reeleja, restaria como alternativa a fusão com outros partidos, como o DEM e o PPS, e a difícil reconstrução como oposição. O cientista político diz que o PSDB paga caro por ter permanecido em cima do muro. “Sempre tergiversando, falando pela lateral, sem foco, o PSDB não soube ser oposição”, critica o cientista político.

A opção do senador mineiro em formar uma chapa puro-sangue, com o senador Aloysio Nunes Ferreira como vice -- reeditando a velha política do café com leite --, segundo ele, não agregou votos à chapa tucana. “O leite estava passado e o café ficou amargo”, ironiza Torquato, lembrando da prática de unir um paulista e um mineiro numa candidatura presidencial.  

Pesquisa CNT/MDA: Dilma ganha quatro pontos e se distancia de Marina

Aécio cumpre agenda de campanha em Taboão da Serra (26/09). Foto: Marcos Fernandes/PSDBAo lado do governador do Paraná e candidato à reeleição no Paraná, Beto Richa, Aécio Neves faz campanha em São José dos Pinhais (26/9). Foto: Igo Estrela/Coligação Muda BrasilAo lado da candidata do PP ao governo do Rio Grande do Sul, Ana Amélia, Aécio Neves durante coletiva de imprensa em Porto Alegre. Foto: Divulgação/PSDBAécio Neves vira gaúcho em dia de campanha Caxias do Sul ao lada senadora Ana Amélia, candidata ao governo do Rio Grande do Sul pelo PP (25/9). Foto: Marcos Fernandes/ Coligação Muda BrasilAécio Neves faz travessia de barca do Rio para Niterói em dia de campanha no Rio de Janeiro (23/9). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilAo lado de Giovane, do vôlei, e outros candidatos, Aécio faz carreata em Betim (MG) (22/9). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilCantor Fagner faz campanha ao lado de Aécio Neves na Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro (21/9). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilAécio veste chapéu e ganha imagem de Padre Cícero durante visita a Feira de São Cristóvão, que reúne tradições nordestinas, no Rio de Janeiro (21/9). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilAécio ainda canta repende e cita o avô Tancredo Neves na Feira de São Critóvão (21/9). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilAécio Neves faz campanha com outros candidatos do PSDB em Ipatinga, no Vale do Aço, em Minas Gerais (20/9). Foto: Coligação Muda BrasilAo lado de Paulo Souto, candidato ao governo na Bahia pelo PSDB, Aécio Neves faz corpo a corpo com eleitores em Itabuna (18/9). Foto: Valter Pontes/CoperphotoAécio Neves participa do VI Coletivo da Mulher Metalúrgica, em São Paulo (19/9). Foto: Emiliano Capozoli/Coligação Muda BrasilCandidato do PSDB à Presidência participa do encontro 'Todas com Aécio', em São Paulo (17/9). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilAécio Neves, Marina Silva e Dilma Rousseff participam de debate na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, na cidade paulista de Aparecida (16/09). Foto: DIVULGAção/PSBAo lado de Ronaldo, Aécio Neves se arrisca com passos de funk e na capoeira no lançamento do livro 'Um país chamado favela', em Madureira, no Rio (14/9). Foto: Igo Estrela/Coligação Muda BrasilRonaldo acompanhou Aécio Neves em dia de campanha na cidade do Rio de Janeiro (14/9). Foto: Igo Estrela/Coligação Muda BrasilAécio Neves ainda joga capoeira em dia de campanha ao lado de Ronaldo, no Rio de Janeiro (14/9). Foto: DivulgaçãoAécio e Ronaldo também assistem à apresentação na CUFA (14/9). Foto: Igo Estrela/Coligação Muda BrasilRonaldo e Aécio Neves fazem caminhada na orla do Rio de Janeiro. Ex-jogador carrega o número do candidato do PSDB à Presidência no peito (14/9). Foto: André Freitas/AgNewsRonaldo e Aécio posam com eleitores na praia no Rio de Janeiro (14/9). Foto: Igo Estrela/Coligação Muda BrasilFãs pedem para tirar foto com Ronaldo durante dia de campanha por Aécio Neves (14/9). Foto: André Freitas / AgNewsRonaldo ainda posta em seu Instagram uma foto com toda a família ao lado de Aécio. 'Em família. #somostodosAécio', escreve na legenda (14/9). Foto: Reprodução/InstagramAécio Neves faz carreata em Belo Horizonte ao lado de Pimenta da Veiga, candidato ao governo mineiro pelo PSDB (13/9). Foto: Leo Lara/Coligação Todos por MinasAécio Neves durante entrevista ao iG e à RedeTV! (12/09/2014). Foto: Vitor Sorano/iGAécio faz carreata ao lado do candidato a governador, Pimenta da Veiga, e do candidato ao Senado, Antônio Anastasia, em Montes Claros (MG) (11/9). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilAécio Neves, presidenciável pelo PSDB, participa de um encontro com a juventude em Belo Horizonte (MG) (11/9). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilPresidenciável Aécio Neves (PSDB) faz campanha nas ruas de Belém, no Pará (08/09). Foto: Divulgação/PSDBAécio Neves participa de ato político em Marabá, no Pará (8/9). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilCandidato ao lado da pastora Flordelis, que cantou uma música em homenagem a ele. Foto: DivulgaçãoAécio ganha adesivo de campanha de Ana Amélia, candidata do PP ao governo do Rio Grande do Sul (5/9). Foto: Marcos Fernandes/Coligação Muda BrasilAo lado de Geraldo Alckmin, Aécio Neves faz caminhada em Santos com direito a pausa para um pastel (2/9). Foto: Igo Estrela/ObritoNewsCandidato Aécio Neves ao lado do ex-presidente FHC no comitê da campanha, em São Paulo. Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilMal nas pesquisas, Aécio Neves (PSDB) busca em São Paulo o início da recuperação de sua campanha na corrida presidencial . Foto: Divulgação/SBTAécio Neves joga futebol no evento "Futebol entre Amigos" promovido pelo ex-jogador Zico, no Rio de Janeiro (31/8). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilAo lado de Alckmin, Aécio Neves visita à Estação Vila Prudente, da Linha 15 Prata do monotrilho, em São Paulo (29/8). Foto: Ana Flavia Oliveira/iGAlckmin, candidato a reeleição ao governo de São Paulo, e o presidenciável Aécio Neves conversam em visita a estação do monotrilho (29/8). Foto: Ana Flavia Oliveira/iGAécio toma café da manhã com operários em São Paulo (28/8). Foto: Marcus Fernandes/Coligação Muda BrasilAécio Neves (esquerda) e Aloysio Nunes Ferreira, candidatos a presidente e vice pelo PSDB, durante o lançamento do site Vamos Agir (27/8). Foto: Divulgação/Coligação Muda BrasilAécio Neves, candidato à Presidência pelo PSDB, participa de entrevista no jornal O Estado de S. Paulo, nesta quarta-feira (26). Foto: Divulgação/PSDBAécio Neves, candidato do PSDB à Presidência da República participa de debate na TV Band (26/08). Foto: Divulgação/PSDBAécio Neves (PSDB) visita Unidade da Polícia Pacificadora (UPP) da Comunidade de Santa Marta,no Rio de Janeiro (18/08). Foto: Divulgação/PSDBDilma Rousseff cumprimenta o presidenciável pelo PSDB, Aécio Neves, no velório de Eduardo Campos e vítimas do acidente aéreo (17/8). Foto: Paulo Whitaker/ReutersAécio Neves (PSDB) é entrevistado pelos apresentadores do Jornal Nacional, Willian Bonner e Patrícia Poeta (11/08).. Foto: Globo/João CottaAécio Neves em caminhada em Manaus (9/8). Foto: Igo Estrela/ObritoNewsAécio Neves e a mulher, Leticia Weber, deixam hospital com o pequeno Bernardo no colo, no Rio de Janeiro (10/8). Foto: Reprodução/InstagramPresidenciável Aécio Neves visita a comunidade ribeirinha Julião, no Amazonas (9/8). Foto: Igo Estrela/Coligação Muda BrasilGabriela, filha de Aécio, acompanha o candidato durante visita à comunidade no Amazonas. Foto: Igo Estrela/Coligação Muda BrasilTucanos Aécio Neves, Geraldo Alckmin e José Serra fazem selfie na fábrica Voith, em São Paulo (07/08). Foto: Divulgação/PSDBAécio (PSDB)com metalúrgicos Voith, em São Paulo. Ele estava acompanhado governador Geraldo Alckmin, candidato à releição, e de José Serra, que concorre ao Senado (07/08). Foto: Divulgação/PSDBCandidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, participa de encontro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (6/8). Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaAécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, discursa na Associação Médica de Brasília (05/07). Foto: Divulgação/PSDBAécio Neves dança com Ana Amélia, candidata do PP ao ao governo do Rio Grande do Sul em encontro em Porto Alegre (3/8). Foto: Igo Estrela/ObritoNewsAo lado de Álvaro Dias e Beto Richa, candidatos à reeleição ao Senado e governo paranaense pelo PSDB, Aécio Neves participou de caminhada em Curitiba (2/8). Foto: Divulgação/PSDBAécio Neves inaugura comitê da Coligação Muda Brasil em Belo Horizonte (31/7). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilAécio Neves dá coletiva na Confederação Nacional da Indústria (30/7). Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaO candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves,  participa de encontro com empresários na CNI (30/7)
. Foto: José Paulo Lacerda/ CNICandidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, participa de encontro com empresários (30/7). Foto: José Paulo Lacerda/ CNIAécio Neves, Geraldo Alckmin e o padre Rosalvino, fundador da Obra Social Dom Bosco, visitam a Feira Tecnológica da Zona Leste de São Paulo (26/7). Foto: Facebook/Aécio NevesAécio Neves  visita a Vigário Geral, no Rio de Janeiro (RJ), e toca com AfroReagge (25/7). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilCandidato do PSDB Aécio Neves participa de caminhada em Vigário Geral, no Rio (25/7). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilCandidato à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, visita o Centro Cultural Waly Salomão, espaço criado pelo AfroReggae, no Rio (25/7). Foto: Orlando Brito/Coligação Muda BrasilAécio Neves em encontro com a deputada federal Mara Gabrilli para discutir políticas para inclusão de pessoas com deficiência (22/7). Foto: Marcos Fernandes/ObritoNewsAécio, candidato pelo PSDB, visita o Santuário Nossa Senhora da Piedade, em Caeté (MG). Seu avô, Tancredo Neves, costumava frequentar o local (21/7). Foto: DivulgaçãoAécio conta com a companhia de outros políticos do partido, como Pimenta da Veiga, candidato ao governo de Minas (21/7). Foto: Igo Estrela/PSDBAécio Neves visita estátua e Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, no Ceará, na companhia de Tasso Jereissati (20/7). Foto: Igo Estrela/PSDBCandidato faz uma oração no Memorial Padre Cícero, em Juazeiro do Norte, no Ceará (20/7). Foto: Igo Estrela/PSDBFesta para Aécio Neves na Expocrato, em Crato, no Ceará (19/7). Foto: Igo Estrela/PSDBAo lado de Geraldo Alckmin, candidato à reeleição ao governo de São Paulo, Aécio visita o projeto Manaciais, em São Paulo (19/7). Foto: Marcos Fernandes/PSDBCandidato se encontra com Juvenal Araújo, presidente do Tucanafro, para conversar sobre ideias para o programa de governo (17/7). Foto: George Gianni/psdbEncontro entre Aécio Neves e Dom Orani Tempesta no Rio de Janeiro (18/7). Foto: Marcos Fernandes/ObritoNewsEleitor registra discurso de Aécio Neves em Vitória, no Espírito Santo (10/7). Foto: Reprodução/InstagramCandidato à Presidência acompanha seleção na Copa do Mundo ao lado da família (4/7). Foto: Reprodução/InstagramNo mesmo dia, ele posta uma foto com a filha Gabriela no estádio do Maracanã (4/7). Foto: Reprodução/InstagramAloysio Nunes é anunciado como vice de Aécio Neves na candidatura à presidência (30/6). Foto: Futura PressConvenção Nacional do PSDB, em São Paulo, oficializa Aécio Neves como candidato à Presidência da República (14/6). Foto: Orlando Brito/ Facebook Oficial de Aécio NevesAécio Neves e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso oficializam a candidatura do senador à presidência em São Paulo (14/6). Foto: Futura PressSerra, Geraldo Alckmin, FHC e Aécio Neves durante Convenção Nacional do PSDB no Expo Center Norte, em São Paulo (14/6). Foto: Futura PressDurante a Convenção Nacional do PSDB, Aécio Neves recebe um beijo da filha, Gabriela (14/6). Foto: Orlando Brito/ Facebook Oficial de Aécio NevesPresentes celebram durante Convenção do PSDB em São Paulo (14/6). Foto: Futura PressAécio começa caminhada pelo Brasil por São João Del Rei (13/6). Foto: Reprodução/Instagram

Os 12 anos ao relento deixaram sequelas profundas no tucanato, apesar de o partido consolidar o domínio sobre São Paulo, a locomotiva do País. Especialistas avaliam que, fechadas as urnas, os tucanos mergulharão numa nova e fraticida guerra interna envolvendo as três correntes que historicamente se digladiam: a do ex-governador José Serra, a de Aécio e a do governador Geraldo Alckmin que, até onde é possível enxergar no horizonte, poderá sair como com plumagem mais vistosa e maior envergadura.

Alckmin deverá aliar-se aos governadores que provavelmente se reelejam, Marcone Perillo, de Goiás, e Beto Richa, no Paraná, para refundar o partido.

“O cenário atual é assustador para o PSDB. A possibilidade de ficar fora do segundo turno não estava em seu script. O partido está sem rumo e, se Aécio fracassar, vai precisar repensar e se reinventar”, avalia o cientista político José Paulo Martins Júnior, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UNIRIO).

Martins Júnior ressalva, no entanto, que o candidato tucano tem estrutura partidária e bons palanques nos estados, o que facilitaria um eventual crescimento da candidatura na reta final.

O professor da UNIRIO elenca obstáculos enormes à nova ordem tucana. Lembra que a divisão interna é um trauma de difícil superação. “Aécio não se empenhou por Alckmin (candidato em 2006) ou Serra (derrotado pelo PT em 2002 e 2010) e estes, agora, não estão se empenhando por ele. É mais grave que as divergências no PT. Lá, apesar do “Volta-Lula”, o ex-presidente decidiu que era Dilma e acabou! O movimento se dissipou e o partido seguiu coeso”, observa o cientista político.

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Segundo os especialistas, há uma fartura de razões para explicar o ocaso em que o tucanato se encontra. O primeiro erro foi negligenciar o legado de Fernando Henrique Cardoso, que dominou uma inflação que batia à casa dos quatros dígitos, estabilizou a economia, mas acabou jogado num canto por Serra e Alckmin por ter deixado o governo, em 2002, com péssimos índices de popularidade. Safo, Lula aproveitou o vácuo e surfou na onda, turbinando os programas sociais, entre eles o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, herdados de FH e transformados em vitrine do PT.

“Depois de Fernando Henrique com o Real, os tucanos não chegaram mais ao povão. Ficaram numa linguagem de classe média, no economês, e nunca conseguiram chegar ás ruas”, afirma Gaudêncio Torquato.

O professor da Universidade de São Paulo acha que o eleitorado deste ano é o mais crítico da história das eleições presidenciais porque descobriu as ruas e deverá votar equacionando quatro fatores. “O eleitor se definirá em torno daquilo que apelidei de ‘Bobacoca’ que, pela ordem, envolve o bolso, a barriga, o coração e a cabeça”, ou, em outras palavras, a decisão pelo voto começa pela economia.

Torquato não tem dúvidas que o PSB será o fiel da balança, mas observa que, em função das divergências internas, o grande desafio dos tucanos é evitar uma revoada em direção as fileiras governistas. “O Alckmin que ser candidato em 2018 e, para ele, é melhor reeleger Dilma do que eleger Aécio. O problema é que Lula também vai querer”, pondera.

Candidatos na TV: Dilma fala de Marina, que fala de Dilma. E elas ignoram Aécio

O cientista José Paulo Martins Júnior acha que mesmo que emagreça, o PSDB vai continuar liderando a oposição e antevê um rearranjo partidário que poderia resultar na fusão com outros partidos caso Dilma se reeleja.

Ele diz que como Marina representa atualmente o “anti-PT ou o não-PT à disposição”, o PSB apostará a maior parte de suas fichas num pacto com os tucanos que, numa hipótese de vitória, ocupariam espaço de destaque num eventual futuro governo de coalizão. A possibilidade de fazer do limão uma limonada, segundo os especialistas, envolveriam um grande entendimento oposicionista reunindo adversários do PT no primeiro turno, com os tucanos se esforçando para cooptar partidos pequenos como o PSC, do pastor Everaldo Pereira, o PSOL, de Luciana Genro.

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