Presidente procurou colar a imagem de incoerente na candidata do PSB. Já Marina disse que petista espalha boatos e inverdades sobre sua candidatura

Candidatos à Presidência da República participaram na noite deste domingo (28) do quarto debate da campanha, realizado desta vez pela TV Record. Líderes das pesquisas de intenção de voto, Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) protagonizaram os maiores embates do evento. Aécio Neves (PSDB) procurou atacar as duas adversárias.

Além de Dilma, Marina e Aécio, Luciana Genro (PSOL), Levi Fidelix (PRTB), Eduardo Jorge (PV) e Pastor Everaldo (PSC) também participaram do evento.

Em sua primeira oportunidade de perguntar, Dilma acusou Marina de mentir num debate anterior, ao afirmar que votou a favor da manutenção do imposto CPMF.

Datafolha: Dilma vai a 40%, Marina cai para 27% e Aécio oscila para 18%

"A senhora mudou de partido quatro vezes nesses três anos. No debate da Band, a senhora disse que tinha votado a favor da votação da CPMF. Qual foi mesmo o seu voto como senadora na questão da CPMF?", questionou Dilma. 

Marina rebateu dizendo que mudou de partido para não ter que mudar de princípios. "Votei favorável [do imposto CPMF], sim. Eu e o senador Eduardo Suplicy. Eu tenho total coerência com as posições que defendo e foi por isso que disse que não faço oposição por oposição. Sei o que é melhor para o Brasil", argumentou a candidato do PSB.

A candidata PSB devolveu o ataque ao acusar Dilma de sucatear o setor do etanol, gerando demissões. “O que aconteceu para que você mudasse o rumo da política causando tanto desemprego?”, provocou Marina. Dilma negou citando subsídios aos produtores do combustível.

Análise do debate:
- Foco de ataques, Dilma mantém artilharia contra Marina no debate da TV Record
- Marina tenta afagar Aécio, mas vira alvo do tucano e de Dilma em debate
- Em terceiro nas pesquisas, Aécio Neves vira franco atirador em debate

“A política de etanol no seu governo é um fracasso, destruindo 60 mil empregos. Eu vou repetir, Dilma: 70 usinas foram fechadas”, replicou Marina.

Uma possível privatização da Petrobras também veio à tona no debate. Dilma disse que Aécio e o PSDB tentavam enfraquecê-la para que a estatal pudesse ser vendida posteriormente. “Tentaram tirar o nome Bras [da Petrobras] para vender mais fácil no exterior”, apontou a presidente.

Negando a ideia de privatizar a estatal, Aécio aproveitou a deixa para citar as denúncias de corrupção na estatal. “Se não houvesse corrupção isso permitiria que 450 mil crianças estivessem numa creche, que 50 mil casas tivessem sido construídas”, criticou o tucano, acusando o PT de aparelhar a estatal.

Dilma apontou o seu governo como o responsável por apurar as denúncias de corrupção, dando total liberdade para a Polícia Federal agir.

Boatos de campanha

Em repetidas vezes, Marina acusou Dilma e seu partido de espalharem boatos sobre suas propostas de governo. Atacada pela petista e também por Aécio, a candidata do PSB mais uma vez se vendeu como a representante de um ‘nova política’, capaz de superar os a polarização PSDB e PT, que dominaram as últimas eleições presidenciais. "Sou parte desse processo e não estou sozinha. Defendemos uma nova maneira de governar e vamos mudar o Brasil."

Luciana Genro, assim como Dilma, também atacou Marina por suspostamente mudar de ideia a todo momento. "A Marina é assim: recebe a pressão do agronegócio, cede e diz que nunca foi contra os transgênicos. Essa política é mais velha que a história”, atacou a candidata do PSOL, que ainda criticou a adversária por se aliar com políticos conservadores.

Líderes da corrida eleitoral, Dilma e Marina foram protagonistas do debate
AP Photo/Andre Penner
Líderes da corrida eleitoral, Dilma e Marina foram protagonistas do debate


Fidelix provoca constrangimento

Questionado por Luciana sobre sua oposição ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, Levi Fidelix provocou constrangimento ao fazer um discurso antigay, que não foi rebatido por nenhum dos presidenciáveis presentes no debate.

“"Jogo pesado essa agora, hein? Economia, tudo bem. Olha, tenho 62 anos. Pelo que vi na vida, dois iguais não fazem filho. E digo mais: aparelho excretor não reproduz. Eu como presidente da República não vou estimular a união homoafetiva", respondeu o candidato do PRTB, acrescentando que os homossexuais "precisam de atendimento psicológico e bem longe da gente".

Em sua réplica, Luciana contrapôs o adversário. “Eu acredito que sou uma das que mais defendem a família porque estou defendendo todas as famílias. O que importa é que as pessoas se amem. E para combater a homofobia é fundamental reconhecer o casamento igualitário."

Bastidores: Ministro da Justiça deixa celular ligado e passa por saia justa

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.