Candidato do PSDB reservou críticas mais duras à petista Dilma Rousseff, mas também atacou pessebista Marina Silva

Consciente que precisará tirar uma grande margem de votos das candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) para chegar ao segundo turno, o tucano Aécio Neves (PSDB) transformou-se num franco atirador no debate entre os presidenciáveis deste domingo (28), na TV Record.

“O atual governo perdeu as condições de governabilidade e a outra candidata [Marina] não adquiriu as condições para governar”, disparou o candidato do PSDB, que o tempo todo procurou se diferenciar das principais adversárias.

O chumbo mais grosso ele reservou para a presidente Dilma, responsabilizando o governo pelo aparelhamento político e o esquema de corrupção na Petrobras. No início do debate Dilma reagiu, acusando o tucano de tentar privatizar a estatal, mas Aécio negou e voltou à carga. Disse que o dinheiro desviado seria suficiente para construir 50 mil casas populares ou atender 450 mil crianças na escola.

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Aécio disse ainda que o Brasil só voltará a crescer quando readquirir respeito e credibilidade no mercado internacional, segundo ele, perdidos no atual governo. O descrédito, cutucou, “é uma herança macabra” que o governo do PT deixará.

Em terceiro lugar nas pesquisas - 18% contra 27% de Marina e 40% de Dilma, segundo o último Datafolha - Aécio acha que conseguirá reverter a tendência na reta final. Ele afirmou que sua candidatura é a única que cresce com consistência porque encarna a perspectiva de mudanças, tem os quadros qualificados e uma proposta de governo coerente.

Datafolha: Dilma vai a 40%, Marina cai para 27% e Aécio oscila para 18%

“Vamos fazer uma grande revolução. Não sei com quem, mas estaremos no segundo turno”, garantiu. Aécio aproveitou a deixa do candidato do PSC, Everaldo Pereira, para acusar Dilma de ter protagonizado, durante reunião da Organização das Nações Unidas (ONU), na semana passada, uma das páginas mais tristes da política externa.

Segundo o tucano, Dilma foi na contramão de outras democracias, ao propor a abertura de diálogo com um grupo terrorista, que promove a decapitação de prisioneiros. Ele também acusou a presidente de usar a ONU para fazer “autoelogios” de seu governo.

“Não é possível que ela (Dilma) não compreenda os esforços da aliança contra o terrorismo”, disse, acusando o governo de agir com alinhamento ideológico e anacronismo na política externa.

Aécio também rebateu um dos principais argumentos de Dilma no combate a corrupção, especialmente quando ela afirmou que deu autonomia à Polícia Federal investigar. Segundo ele, a liberdade da polícia é prerrogativa constitucional e não uma concessão do governo.

No intervalo do debate, Aécio Neves (PSDB) conversou com seus assessores
Gabriela Bilo/Futura Press
No intervalo do debate, Aécio Neves (PSDB) conversou com seus assessores


O candidato do PSDB pediu que o eleitor reflita nessa reta final de campanha, argumentando que se preparou durante anos para administrar o País e voltou a garantir que tem a melhor proposta para resgatar a credibilidade do governo e fazer o país voltar a crescer.

Adversárias de Aécio no debate: 
Foco de ataques, Dilma mantém artilharia contra Marina no debate da TV Record
Marina tenta afagar Aécio, mas vira alvo do tucano e de Dilma em debate

Embora centrasse fogo em Dilma, Aécio não poupou Marina. Disse que ela não construiu condições para governar, demonstra enormes contradições, atua no improviso “sempre olhando pela janela para a grama do vizinho.”

Aécio cutucou Marina afirmando estranhar que a candidata do PSB agora se queixe de calúnias quando até há pouco tempo atrás, como ministra e filiada ao PT, não disse uma palavra quando seu antigo partido fez o mesmo com outros adversários.

Em entrevista, logo depois do debate, o candidato do PSDB desconversou quando um jornalista perguntou quem apoiaria caso não chegue ao segundo turno. “Não raciocino sobre essa hipótese”, afirmou. Nos programas eleitorais dos próximos dias, Aécio vai manter no horário eleitoral a linha do debate da Record, atacando as duas principais adversárias.

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