Com leve alta nas pesquisas, tucano corre contra o tempo para passar Marina e chegar ao 2° turno com Dilma. Se ficar fora da disputa, Aécio terá poder reduzido dentro e fora do PSDB

O tempo é curto e Aécio Neves, o candidato à Presidência do PSDB, tem uma semana para reverter a distância que o separa das concorrentes - Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) -  e assim seguir vivo nestas eleições. Caso não consiga, ele sairá do embate menor do que entrou e as suas pretensões de ser um dia presidente do Brasil podem ir para o ralo.

Além disso, caso se confirmem, no próximo dia 5, os resultados atuais das pesquisas, ele será o primeiro tucano fora do segundo turno na corrida para a  Presidência desde 1989.  Consequentemente, Aécio perderá força política e prestígio dentro do partido e também em Minas Gerais, Estado que governou por dois mandatos e de onde saiu com altos índices de aprovação.

Datafolha: Dilma vai a 40%, Marina cai para 27% e Aécio oscila para 18%

Aécio corre para reverter vantagem de adversárias
Marcos Fernandes/PSDB
Aécio corre para reverter vantagem de adversárias

O ex-governador mineiro entrou nas eleições como o nome com força para tirar a candidata à releição e seu partido do poder. Tudo estava indo conforme o planejado até que um trágico acidente aéreo, em 13 de agosto, tirou o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos do jogo e o PSB colocou em seu lugar a ex-senadora Marina Silva .

A comoção por causa da morte de Campos, que alçou Marina como representante de uma  “nova política” capaz de romper a polarização histórica entre PT e PSDB, renderam a ela um salto nas pesquisas que assustou até mesmo a primeira colocada, a presidente Dilma. Neste jogo, Aécio viu suas intenções de votos despencarem e virou um coadjuvante no embate as duas ex-ministras do governo Lula.

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Aécio Neves vira gaúcho em dia de campanha Caxias do Sul ao lada senadora Ana Amélia, candidata ao governo do Rio Grande do Sul pelo PP (25/9)
Marcos Fernandes/ Coligação Muda Brasil
Aécio Neves vira gaúcho em dia de campanha Caxias do Sul ao lada senadora Ana Amélia, candidata ao governo do Rio Grande do Sul pelo PP (25/9)

Enquanto Dilma, que também se viu ameaçada por Marina, tentou desqualificá-la como gestora, o tucano assistiu ao embate entre as duas e reafirmou que faria uma campanha de ideias, citando em diversas ocasiões o avô, Tancredo Neves. O candidato também chegou a chamar de “onda da emoção” o crescimento vertiginoso de Marina, apostando que o movimento depois refluiria.

Mas nos últimos dias, o jogo político parece soprar bons ventos ao tucano, que voltou a subir nas pesquisas. Segundo o Ibope divulgado no dia 23, Aécio manteve os 19% das intenções de voto, conquistados no levantamento anterior.

Já no Datafolha da última sexta-feira (26), Aécio passou de 17 para 18%. Paralelamente, Marina perdeu pontos e aparece com 27% neste instituto e 29% no Ibope. Dilma tem 40% e 38%, no levantamento de hoje e no do início desta semana, respectivamente O crescimento, que o tucano chama de “onda da razão”, no entanto, ainda não é suficiente para tirá-lo da incomoda terceira posição e levá-lo ao segundo turno.

Veja o gráfico das pesquisas eleitorais

Para chegar ao segundo turno, o mineiro terá que tirar a diferença que tem para a candidata do PSB, que é de cerca de 6,4 milhões de votos (cada ponto nas pesquisas equivale a 641.286 eleitores), segundo o Ibope, e não deixar a atual presidente deslanchar e fechar a fatura já no primeiro turno.

Carlos Alberto Vasconcelos Rocha, cientista político e professor da PUC-Minas, aponta que o crescimento do tucano nos últimos levantamentos tem sido usado nos discursos dele para viabilizar a passagem ao segundo turno. Mas para o especialista, o ganho não parece ser suficiente para tirá-lo da incomoda situação.

“Marina está perdendo pontos e está em uma situação progressiva de perda de votos, pode ser uma tendência para essa reta final. Mas, tendencialmente, isso não é suficiente para ele chegar ao segundo turno”, sentencia.

Volta às raízes

Para continuar na curva ascendente, uma das estratégias tem sido priorizar a região sudeste e principalmente Minas Gerais, o principal reduto eleitoral de Aécio e segundo colégio eleitoral do País, com 15 milhões de votantes. 

Entre o dia 4 de setembro e o último dia 24, ele viajou para sete cidades mineiras diferentes - e esteve três vezes em Belo Horizonte. Neste fim de semana, a agenda inclui mais duas viagens ao Estado. Entre o dia 4 de setembro e o último dia 24, ele viajou para sete cidades mineiras diferentes - e esteve três vezes na capital. Neste fim de semana, a agenda incluiu mais duas viagens para Minas.

Vejas as fotos da campanha de Aécio

A agenda intensa na terra natal surtiu efeito. O candidato, que já foi líder no Estado e perdeu preferência ao longo do embate, voltou a cair no gosto dos mineiro e encostou nas intenções de voto da presidente. Segundo o último levantamento do Ibope, Dilma tem 32% dos votos por lá, seguido de perto pelo tucano, que tem 31%. Marina é mencionada por 20% dos eleitores. 

Curiosamente, Aécio não tem conseguido transferir votos ao seu aliado para o governo do Estado. Pimenta da Veiga tem 25% das intenções de voto, contra 44% do seu principal oponente, o petista Fernando Pimentel, que deve ser eleito já no primeiro turno, segundo o Ibope. 

Especialistas afirmam que uma possível vitória petista em Minas também é desastrosa até mesmo para manter o tucano como uma força regional. As projeções mais pessimistas veem seu nome até mesmo fora do PSDB, que deve ser transformado em um partido puramente paulista, com o governador Geraldo Alckmin e  e o candidato ao Senado José Serra, como os principais expoentes.

Infográfico: conheça o mapa eleitoral brasileiro

Os dois disputaram as eleições presidenciais e foram ao segundo turno. Serra disputou com Lula, em 2002, e com Dilma, em 2010, e Alckmin também foi derrotado pelo ex-presidente, que tentava a reeleição, em 2006. 

"O futuro de Aécio dentro do PSDB é sombrio e o futuro do próprio partido também é. Se a Marina ganhar, o PSDB não vai ter espaço como partido de oposição. Para isso, o PT é mais competente. Vai restar ao PSDB integrar a base de sustentação do governo e ser um coadjuvante", opina Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor de Ciência Política da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que aposta no governador paulista para disputar a Presidência pela sigla em 2018. 


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