Ao ser indagada em coletiva sobre falta de plano de governo, presidente enumera programas aplicados que fazem parte de seus objetivos e diz: "programa não é calhamaço de papel"

Exatamente uma semana antes do primeiro turno das Eleições 2014, a presidente da República e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), voltou a exaltar a qualidade de seu governo e a necessidade de que ele tenha continuidade, atacando indiretamente os dois principais rivais na disputa pelo cargo de chefe do Executivo nacional. O discurso ocorreu em coletiva de imprensa realizada em um hotel de São Paulo, neste domingo (28).

A presidente da República sorri durante coletiva realizada em hotel na capital paulista
Ichiro Guerra/Divulgação
A presidente da República sorri durante coletiva realizada em hotel na capital paulista

"Se tem alguém com proposta sou eu. O alicerce do meu programa é o meu governo. O documento é o governo e as propostas [...] A modernidade não é só um calhamaço de papel", discursou ela ao ser indagada sobre a suposta ausência de um programa de governo, enumerando algumas das promessas que já começou a aplicar no País, como a de reforçar o papel do governo federal na segurança pública nacional por meio do modelo de segurança integrada, como a aplicada na Copa do Mundo; e de fazer o Mais Especialidades, com o objetivo de agilizar o atendimento médico especializado.

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Também citou as vagas criadas para os programas Ciência Sem Fronteiras e Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Tecnico e Emprego), além da terceira etapa do Minha Casa Minha Vida, que tem o objetivo de construir três milhões de moradias a famílias carentes a partir de 2015, e de medidas para combater a impunidade – como transformar em crime o uso de caixa dois.

Veja fotos da campanha de Dilma Rousseff:

Mas o principal foco do discurso acabou sendo o Mais Médicos e, principalmente, a defesa às críticas feitas a ele. Classificando o programa como de urgência para o País devido ao déficit de profissionais da área da Saúde, Dilma enfatizou que, ao levar 14.462 médicos a 3.785 municípios, ele conseguiu suprir a necessidade de 50 milhões de pessoas no Brasil.

"A vantagem imensa do Mais Medicos é que levamos seis anos para formar um médico, fora a residencia. É muito tempo para esperar por um atendimento de urgência que a população não tinha", ressaltou ela, citando que o programa ainda esbarra em alguns critérios, como a necessidade de os municípios carentes de profissionais de Saúde solicitarem pelos médicos, que não podem ser levados às cidades por imposição do governo federal.

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"O prefeito de Teresina (PI), por exemplo, só aceitava médico brasileiro formado no Brasil. Mas não tínhamos, porque no caso dos brasileiros eles podem optar para onde querem ir. Então ele não foi atendido simplesmente porque não queria médico cubano", contou ela. "São poucos esses casos, mas acontecem. Felizmente, há uma mudanca de posição em relação a isso em alguns municípios."

Dilma voltou a ressaltar que não irá flexibilizar a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) – "nem que a vaca tussa" – ou dar independência ao Banco Central. "Sou a favor dos bancos públicos. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), é bom vocês saberem disso, é o terceiro banco de desenvolvimento do mundo. Na frente, só o chinês e o alemão. Não vou enfraquecê-lo."

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