Reduto petista, 'cinturão vermelho' se mostra impenetrável para Padilha

Por Ana Flávia Oliveira -iG São Paulo |

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Candidato tem 8% das intenções de voto e concentra agendas em oito cidades da Grande São Paulo governadas por petistas

Ichiro Guerra/PT
Dilma faz carreata ao lado de Padilha, candidato ao governo de São Paulo, pelas ruas de Osasco e aproveita para comer um cachorro-quente (9/8)

Terceiro colocado na corrida ao Palácio dos Bandeirantes, o petista Alexandre Padilha tem oscilado entre 6% e 9% desde o início da campanha e não tem atraído nem mesmo o eleitorado do chamado "cinturão vermelho", oito cidades da Grande São Paulo governadas por petistas. Juntos, os municípios de São Paulo, Carapicuíba, Guarulhos, Franco da Rocha, Mauá, Santo André, Osasco e São Bernardo do Campo representam 12 milhões de votos - 37,5% dos 32 milhões de eleitores no Estado.

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Segundo pesquisa Ibope divulgada na última terça-feira (23), o petista marca 8% das intenções de voto, enquanto o governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem 49%, seguido por Paulo Skaf, candidato do PMDB, com 17%.

Mal nas pesquisas, a estratégia para atrair eleitorado, diz Padilha, é justamente a concentração de atos na até agora impenatrável região do "cinturão". “Lógico que eu vou fazer uma estratégia de concentração na região metropolitana porque é onde está a maioria dos eleitores. Quero ganhar a eleição”, diz.

Veja imagens de Alexandre Padilha na campanha:

Padilha usa megafone em dia de campanha em Jaú, no interior de São Paulo (22/9). Foto: Paulo Pinto/ AnalíticaPadilha vesta camisa a favor de Dilma e anda de bicicleta ao lado de Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, na capital paulista (21/9). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaPadilha faz campanha em feira na zona norte de São Paulo (21/9). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaDilma Rousseff faz campanha em São Paulo ao lado dos petistas Alexandre Padilha, candidato ao governo, e Eduardo Suplicy, candidato ao Senado (20/9). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaPadilha faz campanha em Birigui, no interior de São Paulo, e conhece fábrica de sapatos (18/9). Foto: Paulo Pinto/Fotos PúblicasPadilha posa com crianças e adolescentes da Associação Capão Cidadão e Bloco do Beco, em Capão Redondo (18/9). Foto: Paulo Pinto/Fotos PúblicasAlexandre Padilha joga futebol durante visita à escola em caminhada em Araras, no interior de São Paulo (10/9). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaPadilha e Lula em evento do diretório nacional do PT, em São Paulo. Ex-presidente também faz campanha com o candidato ao governo paulista (5/9). Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula Padilha faz campanha e caminhada com mulheres em São Paulo (13/9). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaPrefeito Fernando Haddad, candidato ao governo Alexandre Padilha, ex-presidente Lula e candidato ao senado Eduardo Suplicy em carreata petista em SP (13/9). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaEduardo Suplicy faz campanha em Parelheiros com Ministra Marta Suplicy e o candidato do PT ao governo São Paulo, Alexandre Padilha . Foto: Divulgação/PTPadilha é abraçado por eleitores durante caminhada Heliópolis, na periferia de São Paulo (30/8). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaDilma e Padilha, candidato ao governo de São Paulo, fazem encontro com juventude na capital paulista (11/8). Foto: Ichiro Guerra/ Dilma 13Comitiva do PT em carreata por Osasco. Na foto aparecem Dilma, Padilha, Marta e Eduardo Suplicy (9/8). Foto: Paulo Pinto/AnaliticaCandidato do PT ao governo de São Paulo, ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, acompanha encontro de centrais sindicais com Dilma e Lula (7/8). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGAlexandre Padilha, candidato do PT ao governo paulista, durante sabatina no jornal O Estado de S.Paulo (7/8). Foto: Paulo Pinto/ AnalíticaAlexandre Padilha, na companhia de Lula, acompanha troca de turno da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo (5/8). Foto: Ricardo Stuckert/Instituto LulaEduardo Suplicy, candidato ao Senado por SP, e Alexandre Padilha, candidato ao governo do Estado pelo PT, são vistos antes de sabatina (7/8). Foto: Vitor SoranoAo lado do prefeito Fernando Haddad, Alexandre Padilha faz caminhada pelo Grajaú (3/8). Foto: Twitter/@PadilhandoMarta Suplicy ataca de fotógrafa durante caminha com Padilha em São Matheus (2/8). Foto: Twitter/@PadilhandoPadilha visita Mercado de Paranapiacaba durante Festival de Inverno (27/7). Foto: Twitter/@PadilhandoNa chuva, Padilha faz campanha pelas ruas de Franco da Rocha (24/7). Foto: Twitter/@PadilhandoPetista Alexandre Padilha faz discurso nas ruas de São Bernardo, região do Grande ABC (21/7). Foto: Twitter/@Padilha13SPPadilha se encontra com arquiteto Ruy Ohtake durante a Festa das Nações, em São Paulo (20/7). Foto: Twitter/@Padilha13SPPadilha tocou violão ao lado de Nivaldo Santana, seu vice, durante caminhadas pelos bairros M’Boi Mirim, Jardim Ângela e Piraporinha (19/7). Foto: Georgia BrancoMais um momento da caminhada de Alexandre Padilha por M’Boi Mirim, Jardim Ângela, Piraporinha (19/7). Foto: George BrancoAlexandre Padilha faz caminhada pelo centro de São Paulo para lançar sua candidatura ao governo. Lula marcou presença no evento (18/7). Foto: PAULO PINTOPadilha discursa para população na Praça da Sé, em São Paulo, ao lado de Emidio de Souza, presidente do PT em São Paulo. Foto: PAULO PINTOAlencar, deputado estadual do PT, e o senador Eduardo Suplicy também participaram da caminhada em São Paulo (18/7). Foto: Twitter/@Padilha13SPPadilha conversa com militantes do PT em auditório de faculdade em São Paulo (16/7). Foto: Georgia BrancoFernando Haddad, prefeito de São Paulo, apoia Alexandre Padilha em evento em São Paulo (16/7). Foto: Georgia BrancoMomento selfie de Padilha com militantes do PT em auditório de faculdade em São Paulo (16/7). Foto: Georgia BrancoAlexandre Padilha caminha pela represa Jaguarí, parte do Sistema Cantareira, em São Paulo. Represa está parcialmente seca (11/7). Foto: Emiliano CapozoliEncontro entre Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, e Alexandre Padilha, candidato do PT ao governo de São Paulo (10/7). Foto: Twitter/@PadilhandoPadilha vibra com classificação da seleção brasileira para a semifinal da Copa do Mundo em bar em São Paulo (4/7). Foto: Twitter/@PadilhandoPadilha recebe o título de cidadão de Carapicuíba (4/7). Foto: Twitter/@PadilhandoConvenção do PT oficializa Alexandre Padilha como candidato do partido ao governo de São Paulo (15/6). Foto: Futura PressPadilha, ex-ministro de Lula e de Dilma, carrega bandeira de São Paulo durante evento do PT na capital (15/6). Foto: Futura Press18º Encontro Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) de São Paulo, no Ginásio do Canindé, em São Paulo (15/6). Foto: Futura PressEleitores se reúnem para convenção do partido em São Paulo (15/6). Foto: Futura Press

E assim tem sido: desde o dia 11 de julho, quando foi apresentado como candidato ao movimento sindical de Santo André, o candidato já participou de 59 caminhadas, visitas a fábricas, carreatas e encontros com diversos setores da sociedade. Deste total, 35 foram em cidades do "cinturão vermelho", com concentraçao especialmente em São Paulo, Osasco, Guarulhos e São Bernardo.

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“Cada semana, faço pelo menos dois dias no interior do Estado de São Paulo e cinco dias concentrado na região metropolitana. Isso tem a ver com a proporção do eleitorado", explica Padilha.

O cinturão vermelho também é importante para as ambições do PT no âmbito nacional. A cidade de Osasco foi a escolhida do Estado para dar início à campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff, no dia 9 de agosto. Além de Osasco, Dilma já esteve em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo. 

Lula

Colar Padilha à imagem do ex-presidente Lula também faz parte da estratégia para alavancar a candidatura petista em São Paulo. A ideia é que Lula transfira votos para Padilha, assim como fez com a presidente Dilma, em 2010, e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, dois anos depois. Eles também eram quase desconhecidos da maior parte da população antes das eleições. 

Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Alexandre Padilha, na companhia de Lula, acompanha troca de turno da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo (5/8)

Lula "apresentou" Padilha ao eleitorado paulistano durante uma caminhada pelo centro da capital, em 18 de julho. Depois, Lula esteve com seu afilhado político em São José dos Campos e em mais dois eventos do PT, na capital. O ex-presidente também esteve com Padilha em visitas a duas fábricas de São Bernardo do Campo.

As estratégias, ao menos até o momento, parecem não funcionar. O fato de Padilha ainda ser desconhecido da população e o momento desfavorável do PT, com as imagens de Dilma e Haddad desgastadas, são apontados como motivos para que Padilha não decole, diz o professor de Ciências Políticas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Claudio Couto.

Aprovação do governo Dilma é de 48%, aponta pesquisa CNI/Ibope

“Não tem como separar a votação do PT do perfil do candidato. Tem a avaliação negativa do Haddad e da Dilma. O momento é desfavorável para a aceitação de um nome novo do PT até no 'cinturão vermelho'”, diz.

Otimista, Padilha crê que as caminhadas são justamente para que a população o conheça e estabeleça o vínculo de confiança. "Sou o único candidato que sobe a cada pesquisa. Quem deve estar preocupado são os candidatos da oposição, que são mais conhecidos que eu, estão há 20 anos no governo e já participaram de outras campanhas para governador. Eu estou subindo e eles oscilam para baixo."


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