Candidato tem 8% das intenções de voto e concentra agendas em oito cidades da Grande São Paulo governadas por petistas

Dilma faz carreata ao lado de Padilha, candidato ao governo de São Paulo, pelas ruas de Osasco e aproveita para comer um cachorro-quente (9/8)
Ichiro Guerra/PT
Dilma faz carreata ao lado de Padilha, candidato ao governo de São Paulo, pelas ruas de Osasco e aproveita para comer um cachorro-quente (9/8)

Terceiro colocado na corrida ao Palácio dos Bandeirantes, o petista Alexandre Padilha tem oscilado entre 6% e 9% desde o início da campanha e não tem atraído nem mesmo o eleitorado do chamado "cinturão vermelho", oito cidades da Grande São Paulo governadas por petistas. Juntos, os municípios de São Paulo, Carapicuíba, Guarulhos, Franco da Rocha, Mauá, Santo André, Osasco e São Bernardo do Campo representam 12 milhões de votos - 37,5% dos 32 milhões de eleitores no Estado.

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Segundo pesquisa Ibope divulgada na última terça-feira (23), o petista marca 8% das intenções de voto, enquanto o governador Geraldo Alckmin (PSDB) tem 49%, seguido por Paulo Skaf, candidato do PMDB, com 17%.

Mal nas pesquisas, a estratégia para atrair eleitorado, diz Padilha, é justamente a concentração de atos na até agora impenatrável região do "cinturão". “Lógico que eu vou fazer uma estratégia de concentração na região metropolitana porque é onde está a maioria dos eleitores. Quero ganhar a eleição”, diz.

Veja imagens de Alexandre Padilha na campanha:

E assim tem sido: desde o dia 11 de julho, quando foi apresentado como candidato ao movimento sindical de Santo André, o candidato já participou de 59 caminhadas, visitas a fábricas, carreatas e encontros com diversos setores da sociedade. Deste total, 35 foram em cidades do "cinturão vermelho", com concentraçao especialmente em São Paulo, Osasco, Guarulhos e São Bernardo.

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“Cada semana, faço pelo menos dois dias no interior do Estado de São Paulo e cinco dias concentrado na região metropolitana. Isso tem a ver com a proporção do eleitorado", explica Padilha.

O cinturão vermelho também é importante para as ambições do PT no âmbito nacional. A cidade de Osasco foi a escolhida do Estado para dar início à campanha pela reeleição da presidente Dilma Rousseff, no dia 9 de agosto. Além de Osasco, Dilma já esteve em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo. 

Lula

Colar Padilha à imagem do ex-presidente Lula também faz parte da estratégia para alavancar a candidatura petista em São Paulo. A ideia é que Lula transfira votos para Padilha, assim como fez com a presidente Dilma, em 2010, e o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, dois anos depois. Eles também eram quase desconhecidos da maior parte da população antes das eleições. 

Alexandre Padilha, na companhia de Lula, acompanha troca de turno da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo (5/8)
Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Alexandre Padilha, na companhia de Lula, acompanha troca de turno da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo (5/8)

Lula "apresentou" Padilha ao eleitorado paulistano durante uma caminhada pelo centro da capital, em 18 de julho. Depois, Lula esteve com seu afilhado político em São José dos Campos e em mais dois eventos do PT, na capital. O ex-presidente também esteve com Padilha em visitas a duas fábricas de São Bernardo do Campo.

As estratégias, ao menos até o momento, parecem não funcionar. O fato de Padilha ainda ser desconhecido da população e o momento desfavorável do PT, com as imagens de Dilma e Haddad desgastadas, são apontados como motivos para que Padilha não decole, diz o professor de Ciências Políticas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Claudio Couto.

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“Não tem como separar a votação do PT do perfil do candidato. Tem a avaliação negativa do Haddad e da Dilma. O momento é desfavorável para a aceitação de um nome novo do PT até no 'cinturão vermelho'”, diz.

Otimista, Padilha crê que as caminhadas são justamente para que a população o conheça e estabeleça o vínculo de confiança. "Sou o único candidato que sobe a cada pesquisa. Quem deve estar preocupado são os candidatos da oposição, que são mais conhecidos que eu, estão há 20 anos no governo e já participaram de outras campanhas para governador. Eu estou subindo e eles oscilam para baixo."


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