Pulverização partidária mina PT e PSDB nos estados, diz vice-presidente tucano

Por Anderson Passos - iG São Paulo |

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"Pulverização se reflete na Câmara dos Deputados, onde PT e PSDB somam 20% da representação total", afirma Goldman

Um dos vice-presidentes nacionais do PSDB, o ex-governador Alberto Goldman diz que a polarização entre seu partido e o PT vem sendo minada pela presença de outras agremiações no cenário nacional, que hoje conta com 39 legendas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Divulgação
Goldman sugere que número de partidos compromete representação de PT e PSDB

"Há uma enorme pulverização partidária no cenário eleitoral e esse é o fator que limita os conflitos entre PT e PSDB nos estados. Além disso, essa pulverização se reflete na própria Câmara dos Deputados, onde PT e PSDB somam 20% da representação total”, aponta o dirigente tucano.

Pelo lado do PT, o secretário nacional de organização, Florisvaldo Souza, minimiza o possível derretimento da polarização nacional e diz que ela não se reflete "nem nunca refletiu nos estados", onde imperam as relações petistas com aliados estaduais.

“Nos estados, temos outro diálogo [diverso da polarização nacional] com os aliados. Isso também é comum em outros grandes partidos como PMDB e PSDB”, aponta Florisvaldo Souza.

O petista converge com Goldman no combate às chamadas legendas de aluguel e prega a urgência da reforma política. “Não tenho nada contra o número de partidos, mas defendo uma constituinte exclusiva para a reforma política. O problema é que há muitos partidos sem identidade e a fidelidade partidária é outro item que ninguém respeita mais. Nosso sistema político está esgotado”, aponta.

Questionado se as alianças regionais poderiam fazer com que, no futuro, o PSDB abra mão de cabeça de chapa em estados com maior peso eleitoral, como Minas Gerais e São Paulo, o tucano Goldman diz que esses dois estados são para o partido uma “referência nacional”.

Florisvaldo Souza, por sua vez, admite que em cenários posteriores, observado o contexto das alianças regionais, o PT pode abrir mão de lançar nomes próprios em grandes colégios eleitorais, como São Paulo.

Cansaço de material

Para o professor de comunicação da Universidade de São Paulo (USP) e consultor político Gaudêncio Torquato, há um desgaste na polarização PT-PSDB por conta da longevidade dos dois partidos no período recente da política brasileira.

“Diria que há um cansaço de material. Ninguém aguenta mais essa polarização de 30 anos. Veja que em um grande colégio como São Paulo, ela não existe. Alckmin tem tudo para ser eleito no primeiro turno e Lula não conseguiu repetir com Padilha a vitória de Haddad em 2012”, destaca.

Torquato entende que o exercício do poder exige “rotatividade” e, quando isso não se dá, instala-se um quadro de promessas não cumpridas, de discursos que já não convencem e de questionamentos permanentes. 

PT nos estados

Florisvaldo Souza lembra que, se em 2010 o PT elegeu seis governadores (Marcelo Deda, eleito no Sergipe, faleceu em dezembro de 2013), na disputa desse ano figura em primeiro ou em segundo lugar nas pesquisas, com chances de vitória, em pelo menos 10 estados.

Em Minas Gerais, o partido tem seu mais surpreendente desempenho: na terra de Aécio Neves (PSDB), segundo pesquisa Ibope divulgada nesta semana, Fernando Pimentel soma 44% contra 25% do tucano Pimenta da Veiga.

Outro bom desempenho do PT se verifica no Mato Grosso do Sul, onde o partido lidera com Delcídio Amaral com 44% contra 22% de Reinaldo Azambuja (PSDB). Os números são do último dia 22 de setembro e foram divulgados pela parceria dos institutos Fiems/Ibrape.

No Acre, Tião Viana (PT), que concorre à reeleição, tem chances de se reeleger no primeiro turno. Pesquisas dão a Viana 46% contra 25% de Tião Bocalom (DEM).

No Rio Grande do Sul, o atual governador Tarso Genro aparece na vice-liderança nas pesquisas. A mais recente pesquisa Datafolha aponta que o petista tem 27% dos votos ante 37% de Ana Amélia Lemos (PP). Na Bahia, onde o PT governa com Jaques Wagner, Paulo Souto (DEM) lidera com 46% contra 24% de Rui Costa (PT). Os números foram divulgados no último dia 10 de setembro pela TV Bahia.

No Ceará, a briga do PT é com o aliado no plano nacional PMDB, que concorre com Eunício Oliveira e tem como adversário Camilo Santana. A mais recente pesquisa do instituto Datafolha, do último dia 20 de setembro, dá ao peemedebista 41% contra 34%.

No Piauí, a disputa PT/PMDB se repete, com vantagem pró-petista: Wellington Dias tem 52,2% contra 27,9% de José Filho Os números são do instituto Data AZ.

PSDB nos estados

Em São Paulo os tucanos dão sua maior demonstração de força na corrida aos governos estaduais. Segundo a mais recente pesquisa Ibope, Geraldo Alckmin (PSDB) pode ser eleito já no primeiro turno. O tucano possui 49% das intenções de voto contra 17% de Paulo Skaf (PMDB).

Nos demais estados onde lidera, o PSDB adotou também como estratégia apresentar os atuais governantes para um novo mandato a partir de 2015. No Paraná, segundo pesquisa Ibope, o tucano Beto Richa tem 47% das intenções de voto ante 30% de Roberto Requião (PMDB).

Já em Goiás, Marconi Perillo tem 40,4% contra 22,2% de Iris Rezende (PMDB). Os números são do Instituto Serpes. No Pará, segundo pesquisa Ibope do último dia 13 de setembro, Simão Jatene (42%) disputa com o peemedebista Jader Barbalho (38%) o governo local.

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