Marcelinho Carioca, Vampeta, Mulher Melão: as decepções dos famosos nas urnas

Por iG São Paulo |

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Relembre candidatos ídolos das torcidas de seus times e outras celebridades que se arriscaram nas eleições e ficaram de fora

Ídolos corintianos, Marcelinho Carioca e Dinei levaram, em suas vidas nos gramados, multidões aos estádios. Nas urnas, entretanto, a massa não se mostrou fiel. Eles já tentaram vaga para vereador. Não foram eleitos. Em 2010, estavam na briga para deputado federal e estadual, respectivamente. Conseguiram entrar apenas como suplentes.

"Famoso sai na frente, mas só isso não basta. Ser famoso não é garantia de voto", alerta a professora de marketing político da USP Katia Saisi. “O fundamental é o significado do famoso na cabeça do eleitor. O Tiririca era famoso como palhaço e foi captar em cima disso, de uma parcela grande da população que estava insatisfeita com a politica. Ele estava de acordo com esse voto de protesto”, lembra a professora, citando o exemplo do humorista que em 2010 foi o candidato mais votado como deputado federal, pelo PP-SP.

Reveja famosos que tentaram se eleger em 2010 e suas fotos de urna:

Ex-jogador Vampeta tentou ser deputado federal pelo PTB em SP e ficou com 15.300 votos. Acabou como suplente e foi o 191º no ranking. Foto: Arquivo/ReproduçãoDinei tentou vaga para deputado estadual pelo PDT/SP em 2010 e só conseguiu ficar como suplente, com 18.276 votos, o 233º no ranking de deputados no estado. Foto: Arquivo/ReproduçãoFunkeira Mulher Melão recebeu 1.650 votos em 2010 quando tentava ser deputada estadual pelo PHS no Rio. Foi suplente e 438º no ranking de deputados. Foto: Arquivo/ReproduçãoMarcelinho Carioca fez nome no Corinthians e está na 3ª eleição. Em 2010, concorria a deputado federal em SP e foi suplente com 62.399 votos. No ranking foi o nº 97. Foto: ReproduçãoSucesso na eleição para vereador em Goiânia, não conseguiu ser eleito deputado federal pelo PMDB/GO. Ele teve 4.526 votos, ficou como suplente e foi o 150º no ranking. Foto: Arquivo/ReproduçãoFunkeira Tati Quebra-Barraco tentava ser deputada federal pelo PTC no Rio em 2010, mas ficou como suplente com apenas 1.052 votos a 405ª colocação no ranking. Foto: Arquivo/ReproduçãoMaguila tentou se eleger deputado federal pelo PTN em São Paulo em 2010 e não conseguiu. Ele teve 2.951 votos. Foto: Arquivo/ReproduçãoHarley foi goleiro do Goiás e tentava vaga como deputado estadual em Goiás pelo PSDB e recebeu apenas 167 votos. Foto: Arquivo/ReproduçãoMoacyr Franco - foi o sexto na corrida pelo senado em São Paulo pelo PSL e acabou não eleito. Teve 411.661 votos. Foto: ReproduçãoSimony tentou vaga como deputada estadual pelo PP em SP. Levou 6.996 votos, acabou como suplente e foi a 373º no ranking para o cargo. Foto: Arquivo/Reprodução

Se a fama ajuda, e o candidato é jogador de futebol, fazer campanha é apelar para a torcida. Foi assim com Dinei em 2010 (na disputa para deputado estadual) e em 2012 (vereador). Os corintianos foram convocados, mas não vestiram a camisa do atacante - que agora tenta ser deputado estadual, pelo Solidariedade.

O ex-jogador Vampeta também apelou para a fama em 2010, na eleição para deputado federal em São Paulo. E, na luta por votos, foi além do sucesso nos gramados. O atleta usou até a polêmica de posar nu para a revista "G Magazine", no final dos anos 90.

“Quero os votos dos eleitores que me viram nu. Quero gays, lésbicas, homens, mulheres. Quero voto de todo mundo”, disse à época. Apesar do apelo, ficou de fora. Seu partido, o PDT, elegeu apenas dois deputados. Vampeta, com 15.300 votos, acabou como suplente e cravou o 191º lugar no ranking de deputados no estado.

Divulagação/Padilha13
Marcelinho Carioca faz campanha ao lado de Alexandre Padilha, candidato ao governo de São Paulo pelo PT

A lista de ídolos corintianos conta ainda com Marcelinho Carioca. Ele dizia, quando foi candidato a deputado federal em 2010 e a vereador em 2012 pelo PSB, que já era conhecido em campo e que iria lutar na política. Chegou perto de ser eleito. Há quatro anos, conseguiu 62.399 votos e ficou como suplente. A assessoria de Marcelinho chegou a anunciar que ele iria assumir a cadeira durante a licença de Abelardo Camarinha em 2011. Entretanto, pouco depois, o partido negou e Camarinha até brincou, dizendo que não seria no centenário que o Corinthians teria um deputado.

O ex-meia segue na disputa. Ele se filiou ao PT em outubro de 2013 e agora tenta um lugar como deputado estadual em São Paulo. “Considero essa a minha primeira eleição. Hoje a gente vem organizado e estruturado. Antes [no antigo partido] eu não fazia parte do projeto e por isso não entramos”, afirma Marcelinho ao iG.

No horário eleitoral atual, ele mudou o discurso. Deixou o futebol e lembra que se um filho de gari conseguiu chegar onde ele chegou, o filho do eleitor também pode, fazendo referência ao trabalho de seu pai. 

Ainda em 2010, outros boleiros passaram longe das cadeiras na política.  Túlio Maravilha, apesar de ter sido o terceiro vereador mais votado em Goiânia, ficou só com o 150º na lista de deputados estaduais em Goiás. Teve ainda o fiasco do ex-goleiro do Goiás, Harley. Ele recebeu 167 votos ao tentar virar deputado estadual pelo PSDB.

Veja alguns dos famosos em suas campanhas no horário eleitoral:

Cantores fora

Famosas do funk também perderam o rebolado nas eleições de 2010. No Rio de Janeiro, Tati Quebra-Barraco recebeu 1.052 votos e foi a 405ª no ranking de deputado federal. No mesmo estado, Mulher Melão queria ser deputada estadual, mas teve 1.650 votos - 438ª colocação na lista do cargo.

Em São Paulo, Simony levou balão do eleitor. Ela se candidatou a deputada estadual pelo PP e ficou com 6.996 votos e o 373º lugar no ranking. Também em São Paulo Moacyr Franco foi mais ambicioso. Tentou uma vaga no Senado. Conseguiu expressivos 411.661 votos, mas acabou como sexto para a vaga.

"Não há problema em uma celebridade ser candidata. A política comporta essa pluralidade. Mas a carreira exige uma certa vocação e é isso que vai contar para a eleição e para se manter no cargo depois", comenta Antonio Carlos Alckmin, cientista político e professor da PUC-Rio.

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