Distanciamento entre Temer e Skaf põe campanha do PMDB em crise em SP

Por Vasconcelo Quadros - iG São Paulo |

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Temer tem se queixado que o afilhado entrou em uma linha personalista e individualista, ignorando dirigentes partidários

O empresário Paulo Skaf, candidato ao governo de São Paulo, está em conflito com o partido que o abrigou, o PMDB, e com o principal fiador de sua campanha, o vice-presidente Michel Temer. A relação entre os dois, segundo fonte ouvida pelo iG, esfriou ao ponto de ambos não cumprirem mais agenda comum na campanha deste ano.

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A um confidente de quem é bastante próximo, Temer tem se queixado que o afilhado entrou numa linha personalista e individualista, ignorando dirigentes partidários que avalizaram seu nome como candidato.

Segundo revelou a fonte, Temer está tão decepcionado com o comportamento de Skaf que, em conversas de bastidor, tem dito que o empresário não terá a legenda do PMDB para disputar a eleição pela Prefeitura da capital paulista em 2016.

Veja imagens da campanha de Paulo Skaf:

Skaf visita o Hospital Geral de Vila Penteado Doutor Jose Pengella, na região norte de São Paulo (20/9). Foto: William Volcov/Skaf 15Paulo Skaf faz campanha em Santos fala em fazer ligação terrestre entre a cidade e a vizinha Guarujá, no litoral de São Paulo (19/9). Foto: Divulgação/SkafSkaf visita projeto Fazenda Boa Esperança, em Guaratinguetá, no interior de São Paulo (16/9). Foto: Divulgação/SkafPaulo Skaf acompanha carreata em São Paulo (13/9). Foto: Ayrton Vignola/Skaf 15Carreata para Paulo Skaf nas ruas de São Paulo (13/9). Foto: Divulgação/SkafPaulo Skaf visita Conjunto Habitacional em Marília, no interior de São Paulo (10/9). Foto: Willian Volcov/Skaf 15Skaf discursa e faz campanha em encontro ro PMDB em Jales, no interior de São Paulo (30/8). Foto: Ayrton Vignola/ Skaf 15Skaf encontra com militantes do rival pelo governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, durante dia de campanha no Mercado da Lapa (22/8). Foto: Ayrton Vignola/Skaf 15Candidatos ao governo do Estados de São Paulo participam de debate na TV Band (23/8). Foto: Paulo Pinto/Fotos PúblicasPaulo Skaf toma café com eleitor no bairro Jardim Vera Cruz, em São Paulo (21/8). Foto: Ayrton Vignola/Skaf 15Paulo Skaf visita trechos das obras do monotrilho na cidade de São Paulo (7/8). Foto: Ayrton Vignola/Skaf OficialSkaf anda de trem durante caminhada de campanha pela zona leste de São Paulo (3/8). Foto: Facebook/Paulo SkafCandidato Paulo Skaf conversa com seu coordenador de campanha, Luiz Antônio Fleury Filho, ao lado do candidato ao Senado Gilberto Kassab (30/7). Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iGSelfie em grupo com Paulo 
Skafo em encontro com colegiado em Franca, interior de São Paulo (26/7). Foto: Instagram/skafoficialSkaf faz selfie com vendedoras durante visita a cidade de Batatais, no interior de São Paulo. Foto: Instagram/skafoficialPaulo Skaf, candidato ao governo de São Paulo pelo PMDB faz encontro com jovens programadores digitais (23/7). Foto: Facebook/Paulo SkafPaulo Skaf registra café da manhã em São Paulo (22/7). Foto: Facebook/Paulo SkafSkaf passeia por São Paulo e posta foto com eleitor (17/7). Foto: Instagram/skafoficialPaulo Skaf anda de metrô e faz campanha por mais transporte público em São Paulo (15/7). Foto: Facebook/Paulo SkafCandidato ainda posa para fotos com funcionários na estação Vila Madalena do metrô (15/7). Foto: Facebook/Paulo SkafSkaf encontra com motoqueiros no caminho para Pindamonhangaba e registra o momento nas redes sociais (12/7). Foto: Facebook/Paulo SkafGravação de entrevista com Paulo Skaf, candidato do governo de São Paulo pelo PMDB (10/7). Foto: Facebook/Paulo SkafPaulo Skaf visita o Festival do Japão, em São Paulo (5/7). Foto: Facebook/Paulo SkafDia do candidato do PMDB ao governo de São Paulo começa com ida ao dentista e uma selfie para registrar o momento (27/6). Foto: Facebook/Paulo SkafPaulo Skaf se encontra com jovens do PMDB (22/6). Foto: Facebook/Paulo SkafPaulo Skaf aproveita churrasco e compartilha foto em sua página no Instagram (21/6). Foto: Instagram/skafoficialPaulo Skaf assiste a jogo do Brasil na Copa do Mundo na companhia dos netos (17/6). Foto: Instagram/skafoficialConvenção do PMDB lança Paulo Skaf como candidato do partido ao governo de São Paulo (14/6). Foto: Twitter/ReproduçãoSkaf, presidente licenciado da Fiesp, terá como vice o criminalista José Roberto Batocchio (14/6). Foto: André Lucas Almeida/Futura PressPaulo Skaf durante convenção estadual do PMDB, em São Paulo (14/6). Foto: André Lucas Almeida/Futura PressSegundo assessoria, evento para lançar a candidatura de Skaf conta com 8.000 partidários (14/6). Foto: Facebook/Paulo Skaf

Em represália, a cúpula do PMDB teria dado o troco à altura do desprezo, liberando os 90 prefeitos paulistas para votar no candidato a governador que escolherem, sem cobrar fidelidade partidária. A maioria, naturalmente, está migrando para a campanha do governador Geraldo Alckmin, candidato do PSDB ao governo, que tem feito um forte trabalho de cooptação em todos os partidos.

Principal coordenador da campanha de Skaf, o ex-governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury Filho, nega a crise. “É fofoca. Quem falou isso tem de se preocupar em ajudar o Skaf a ganhar a eleição e não ficar dizendo bobagem. Tem de pegar panfletos e ir para a rua distribuir”, reagiu.

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Segundo ele, embora com compromissos distintos - previamente acertados -, o empresário e Temer têm se falado com frequência. “O resto é ciúme de homem, que é o pior que tem”, ironiza o coordenador. Fleury acredita que as próximas pesquisas apontarão crescimento da candidatura de Skaf e do ex-ministro Alexandre Padilha (PT), o que jogaria a eleição para o segundo turno - uma razão a mais, segundo ele, para ignorar a "fofoca".

Com a campanha em crise e diante da perspectiva de nem ir para um segundo turno, Skaf estaria pavimentando caminho para se colocar como candidato a prefeito em 2016. A disputa de 2014 seria o trampolim para se tornar mais conhecido.

O empresário estaria tocando uma campanha independente, sem ouvir, consultar ou aceitar sugestões da cúpula do partido. A crítica mais frequente aponta que ele só segue as orientações do marqueteiro Duda Mendonça e de um grupo reduzido de assessores de comunicação, que trabalhou com ele na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e foi incorporado à campanha, mas sem identificação com o partido.

O palanque de Dilma

Este não é o primeiro atrito de Skaf com o PMDB, partido em que se filiou exclusivamente para disputar o governo de São Paulo depois de abandonar o PSB do ex-governador Eduardo Campos. No início da campanha, quando o empresário se recusou a abrir palanque para a presidente Dilma Rousseff, candidata do PT, Temer foi obrigado a lembra-lo que é o candidato a vice da coligação palaciana. Ainda assim, o empresário resistiu e é provável que tenha começado aí o afastamento que culminou com a crise atual.

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A cúpula do PMDB acha que Skaf é demasiadamente ambicioso, faz questão de não alimentar vínculos com o partido e organizou uma agenda de campanha em que tanto Temer quanto os demais dirigentes se sentiram alijados. Skaf, segundo a fonte ouvida pelo iG, "não conquistou o partido".

O vice-presidente da República disse a amigos que se sente frustrado por ter permitido que o empresário se colocasse como substituto do deputado federal Gabriel Chalita, que caiu em desgraça depois de denúncias de corrupção feitas por um ex-assessor.

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