Presidenta candidata à reeleição classifica o programa de governo de Marina Silva como 'conservador' e 'neoliberal'

Em entrevista coletiva realizada em Feira de Santana, na Bahia, a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT), negou que o Brasil precise de um “choque fiscal” para equilibrar as contas do país. Dilma classificou como “perigosa, eleitoreira, conservadora e neoliberal” as propostas que vem sendo citadas por Marina Silva (PSB) para conter as contas públicas brasileiras.

Na manhã desta quinta-feira, a candidata Marina Silva defendeu, em entrevista ao programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo, a volta do modelo econômico da era Fernando Henrique Cardoso (PSDB), calcado na responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e metas de inflação. Marina afirmou que o Governo Federal tem gasto acima até do crescimento do Produto Interno Bruto, o que, na visão de Marina, tem comprometido o crescimento da economia.

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Dilma, do outro lado, pontuou que ao se falar em profundo corte de gastos, alguns investimentos em programas sociais seriam afetados. “Nós não acreditamos em choque fiscal. Isso é uma forma incorreta de tratar a questão fiscal no Brasil. O Brasil precisa de uma política fiscal sistemática, robusta”, disse a candidata.

“Vai fazer choque fiscal, vai cortar o quê? Vai cortar programa social? Vai cortar Bolsa Família? Vai cortar subsídio do Minha Casa, Minha Vida como estão dizendo? Vão fazer o quê? Choque fiscal é o quê? É um baita ajuste que se corta para pagar juros para os bancos? Não é necessário”, analisou a candidata.

“O grande problema da candidata é que um dia eles dizem uma coisa, outro dia eles dizem outra. A candidata tem um modelo de política econômica extremamente conservador e neoliberal. Não só ela pretende atender prioritariamente os bancos, como no caso ela deixou claro no programa dela da independência do Banco Central, e independente no Brasil só são os poderes da república, Legislativo, Executivo e Judiciário”, criticou Dilma.

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“Ela já falou em flexibilizar salários, alias, direitos trabalhistas. Já falou em reduzir o papel dos bancos públicos. Se reduzir o papel dos bancos públicos, não tem Minha Casa Minha Vida, não tem programa de agricultura familiar, não tem financiamento a agricultura, não tem financiamento pra indústria, não tem emprego”, analisou. “Agora falaram num ajuste fiscal profundo. Ele não é necessário dessa forma como a candidata disse que fará. Por que ele não é necessário? Porque o Brasil não está desequilibrado, não tem crise cambial”, declarou Dilma.

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