Comunidade acadêmica critica ausência da USP nas eleições para governador de SP

Por Davi Lira - iG São Paulo |

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Para funcionários, professores e alunos, soluções para os problemas da USP deveriam estar mais presentes na campanha

Envolta em uma crise financeira sem precedentes e recém-saída da maior greve da sua história, a Universidade de São Paulo (USP) está praticamente ausente do debate eleitoral dos candidatos a governador do Estado. É o que afirmam os representantes dos alunos, professores e servidores da instituição consultados pela reportagem.

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Além dos poucos comentários sobre a situação atual da universidade - os gastos com salários consomem 105% do orçamento -, os principais candidatos pecam pela falta de propostas mais detalhadas sobre as principais questões atuais que envolvem a instituição mais importante do País.

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Faltariam, por exemplo, propostas mais concretas sobre como a instituição poderia contornar o colapso financeiro ou até de planos sobre expansão de matrículas e unidades pelo Estado. Além de posições mais claras quanto a eventuais cobranças de mensalidades e até de questões que atualmente estão sendo discutidas nos debates sobre a atualização do Estatuto da USP, dizem os representantes.

Entre as principais discussões estão a mudança na gestão administrativa da instituição, mais voltada à lógica corporativa. Entre as alterações sugeridas por alguns dirigentes da USP estão a criação de novos cargos para a alta cúpula, como a figura do executivo administrativo e até de uma espécie de conselho de administração, com atuação mais independente da reitoria.

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"É gritante [a ausência da USP na campanha]. Vimos nos debates poucos comentários sobre a situação do orçamento da USP. Não tem mesmo nenhum tipo de compromisso mais objetivo ou crítica sobre a gestão dos últimos anos na instituição. Talvez isso ocorra porque ninguém quer se posicionar de forma mais precisa", afirma Gabriel Lindenbach, de 22 anos, diretor do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP.

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Para Magno de Carvalho, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), a ausência da USP no debate eleitoral mostra o "descaso" que o País, como um todo, tem com a educação.

"Essa questão [a da USP] não está na agenda nos programas de governo dos candidatos de forma mais detalhada. Se fosse algo prioritário na agenda dos postulantes, eles estariam se colocando de forma mais precisa sobre os problemas pelos quais passa a USP", diz Carvalho.

De acordo com César Minto, vice-presidente da Associação de Docentes da USP (Adusp), pela importância da atuação das instituições - responsáveis, por exemplo, pela parcela mais destacada da produção científica do Brasil -, as questões envolvendo as universidades paulistas deveriam estar mais presente na plataforma política dos candidatos.

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"Não tenho visto muita preocupação deles [dos candidatos]. Só vemos a repetição de discursos genéricos sobre educação. Não vejo eles acompanharem mais a fundo, com o panorama atual das universidades. Acho que isso precisaria acontecer", diz Minto.

A suposta falta de prioridade com o tema acaba "desrespeitando a inteligência do eleitor", afirma José Marcelino de Rezende, professor da Faculdade de Educação da USP, em Ribeirão Preto.

"O eleitor já disse que a educação está entre os temas mais importantes para ele. No entanto, os candidatos não explicam, em detalhe, como pretendem ampliar a educação superior, por exemplo. Mesmo sendo um Estado rico, São Paulo fica atrás do Paraguai e Bolívia na oferta de ensino superior", afirma Rezende.

Para Elizabeth Balbachevsky, professora de Ciências Políticas da USP, a ausência da USP no debate eleitoral ocorre "lamentavelmente pela autonomia e pela própria perda da relevância da instituição junto à sociedade".

"Com a autonomia, as universidades tenderam a se fechar dentro delas mesmas. É algo inusitado no mundo. Não há nenhum tipo de fórum, por exemplo, para discutir assuntos estratégicos. E como elas têm autonomia financeira [o orçamento é vinculado à arrecadação do ICMS], estão fora da capacidade de ação do governo", opina Balbachevsky.

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